17 março 2011

Biutiful, 2010: a morte é linda!



Pensem em uma abordagem sobre a miséria de uma vida feita de maneira monótona mesmo diante de uma que possuía tudo para ser das mais agitadas. Misture com uma visita a uma Barcelona feia, suja, sem nenhum glamour: a Barcelona dos trabalhadores ilegais, das prostitutas, da malandragem. Pensem em um personagem no qual o espectador irá alimentar simultaneamente repulsa e dó por ele. Pensem em um filme do qual não dá trégua nenhum segundo sequer. Isto é Biutiful.
Gostar ou não do filme realmente não importa, ele é bom e pronto. O problema é que retratar a vida (ou a morte) tão de perto não é coisa que queremos ver no cinema. Ainda mais que estamos acostumados com a vidinha besta dos personagens hollywoodianos. Quando nos deparamos com alguém que urina sangue, vamos sentindo dores junto. E isto é o que fez tantos críticos e cinéfilos torcerem o nariz para este filme. Mas, para quem assistiu 21 gramas e Babel não esperaria outra coisa do diretor Iñarritu senão algo intenso, um capítulo de um imenso tratado sobre a morte e a miséria da vida.
Não há interrupção na obscuridade que o filme se propõe relatar. E o roteiro é solto como a vida. O drama é construído no tempo em que as coisas acontecem: desgraças em doses diárias e pequenas, que vão agudizando a dor do protagonista ou do que está vivo. Não se sabe quem é mais desgraçado. E ao fim, saímos do cinema sem saber se foi uma sessão sobre amores, morte, endermidades ou miséria. Tudo gira ao redor de Bardem, que mesmo sem maiores expressões, está pra lá de convincente. Mas os coadjuvantes estão equilibradíssimos (em seus desequilíbrios). Com destaque para as crianças.
Na medida em que vemos a vida de Uxbal (Bardem) se esvaindo, vamos vendo como a morte pode ser linda, ou Biutiful.

Ósculos e amplexos!

2 comentários:

Aline Godinho disse...

O filme é absolutamente perturbador... Creio que seja suficiente acompanhar a desgraça humana nos noticiários, mas há quem goste de introduzir o assunto no mundo da sétima arte. Por outro lado é muito bem produzido. A fotografia transmite toda a força do sofrimento do enredo. Pra quem gosta de detalhes o filme é um prato cheio, intenso. Como em cenas de forte emoção em que é possível ouvir as batidas dos corações de pai e filha. Vale a pena assistir, desde que se esteja disposto a sofrer junto com os personagens...

Fah disse...

Taí Filmaço pra assistir sózinha acompanhada de um bom vinho..e de preferência ás 2:00h da madruga. A gente vai dormir agradecendo a Deus por ter uma cama confortável esperando e uma casa silenciosa nos protegendo.. há..ha.. detalhe importantísssimo: esse ator é td de bom !!!!!!!!!!!!!