25 Fevereiro 2012

Diário de Bordo - (014) Mercado do Porto e Rock

Fiz várias amizades neste hostel, a maioria com canadenses e estadunidenses. Mas foi com um grupo de brasileiros que realmente a coisa fluiu. Logo de manhã, inventamos de fazer uma peregrinação para encontrar a melhor taxa de câmbio de Montevideo. E justamente na parte mais turística da cidade foi onde encontramos a imbatível taxa de R$10,50 (em todos os lugares não variavam muito entre 10,10 e 10,15). Feito o câmbio, resolvemos "turistar" um pouco. Destino: Mercado del Puerto.

Ao contrário do que muitos podem pensar, não é como os nossos mercados municipais. Tudo muito bem organizado e as carnes todas sendo assadas na sua frente. Tentamos ficar no balcão, mas o calor estava insuportável. Escolhemos uma mesa e fomos exercitar o lado bom da gordisse. Escolhemos uma porção para três pessoas e fomos advertidos garçom: - "todos comem muito?", disse o garçom. Dizia ele que se comer bem, uma porção para duas pessoas é o suficiente para três. Então, foi o que fizemos: pedimos uma porção para duas pessoas. Quando chegou a comida, ao olharmos pensamos que fomos enganados. Mas, à medida que íamos comendo percebemos que o rapaz estava mais do que certo.

Como pedimos a parrillada completa, veio duas coisas estranhas com a alcatra e outras carnes: rim e intestino. Provei e definitivamente detestei. O rim, bem quente, até que é suportável. Porém, basta esfriar um pouquinho para que a coisa passeie pela sua boca e se recuse a descer goela abaixo. O intestino então, só o cheiro embrulhava o estômago (buchada é buchada em qualquer parte do mundo). Agora, as carnes estavam deliciosas.

Aliás, as comparações com Buenos Aires são inevitáveis. E Montevideo ganha em quase todos os aspectos quando o assunto é comida. O alfajor é divino, as carnes são maravilhosas, o doce de leite então te faz flutuar em gozo. Mas, se tem uma coisa que argentino ganha e disparado é no sorvete. Para começar, o uruguaio não faz bola. É meio que esfregado, sobrando boa parte para fora da casquinha. Uma coisa um pouco medonha e que, em dias de calor, faz uma lambança digna de infância. Segundo, o sabor. Definitivamente, o portenho tem a arte da "helatería" mais desenvolvida.

À noite, resolvi cozinhar para o grupo de brasileiros que estavam por aqui e novamente dá-lhe eu na cozinha. O prato: um cozido uruguaio que aprendi com o dono do Hostel. Aliás, ele é chef de cuisine e todo sábado ele promove um encontro de gastronomia. Fizemos amizade mais do que depressa. E o cozido ficou ótimo, um pouco forte, mas ótimo.
Um soninho para digerir o bendito cozido e todos do Hostel agitadíssimos. Havia uma promoção muito bacana no PUB irlandês que há na Ciudad Vieja. Muito rock e o melhor: sem entrada. Ainda, de quebra, dava para perambular em outros barzinhos que ficam na mesma rua. Um jeito bastante barato de curtir uma noitada. De uma hora para outra, o The Shannon se transformou em um universo paralelo onde todos falavam apenas em inglês. O dono do PUB, que é escocês, de tão feliz presenteava os gringos com jarras de coca ou de chopp stout. Houve quem voltou engatinhando para o hostel.

Quatro da manhã, todos exaustos, chegamos no Hostel caindo pelas tabelas. Quando nos deparamos com um casal de argentinos ensaiando para um show de tango que iriam fazer em Buceo. E não é que ganharam plateia! Ficamos encantadíssimos com a dança deles. Um disse: vocês devem prender tango, é fácil. Eu respondi: tudo bem, aprendam a sambar facilmente que eu aprendo tango com a mesma facilidade. Todos riram e fomos dormir.

Gosta de aventura? Durma em um beliche onde o teu "vizinho de cima" está completamente bêbado e não consegue subir! Divertidíssimo...

Ósculos e amplexos!

23 Fevereiro 2012

Diário de Bordo - (013) Montevideo, como te adoro!


Nem toda partida é necessariamente triste. Adorei Buenos Aires, mas confesso que foram dias difíceis. Uma semana bastante solitária em uma cidade imensa. Lembrou-me meus dias de São Paulo. Talvez por minhas escolhas terem sido não muito das melhores, talvez por ser mesmo Buenos Aires um pouco do que conclui o tango que escutei em San Telmo: "Buenos Aires, cual a una querida, si estás lejos mejor hay que amarte".

Agora, que alegria me deu acordar cedo hoje. Sentir pela primeira vez nessa viagem frio e mesmo assim encarar com felicidade o chuveiro que teimava em não esquentar. Arrumar com calma e com cuidado toda minha bagagem. Preparar um desjejum de primeira qualidade e acessar rapidamente a internet apenas para ver mais uma vez o endereço de meu Hostel. Saí caminhando e em dez minutos estava na estação Independencia do simpático trem que há em Puerto Madero. Na outra ponta da linha há a estação do barco que me levará para outro país: El Buquebus!

Para economizar, comprei a passagem com antecedência na Seacat, e via Colônia Sacramento. Mas o barco é o mesmo. Para quem quiser, tem uma opção direta entre as capitais que parece ser interessante. Principalmente se for de primeira classe. Tanto um quanto o outro duram três horas. Mas, via Colônia, duas horas serão em um excelente ônibus. Mas, nesse caso, não compensa gastar muito mais do que pede a classe turística (bem como não compensa comprar nada, nem mesmo no free shop, uma vez que você passará por outra aduana para voltar ao Brasil.
A viagem é bonita, mas aos quinze minutos vendo água e apenas água, a coisa fica um pouco tediosa. Então, pouco importa onde se sente - desde que seja logo, pois o barco lota rápido. A viagem é rápida, o barco é grande, e nem dá tempo para passar mal. Duas simpáticas senhoras passaram boa parte da viagem conversando comigo e elogiando meu castellano. Para não dizer que não fiz amizade com portenhos, na despedida fiz com duas sexagenárias.

Chegando em Montevideo, a alegria tomou conta. Senti-me como Dante, que após conhecer Virgílio no purgatório e com ele visitar o inferno, enfim cheguei no paraíso - mas tive de deixar o amigo para trás. Que maravilha estar em uma cidade tão charmosa e ao mesmo tempo tão agradável como esta. A primeira coisa que fiz? Ligar para a família. Primeiro para o Kalléu, que me salvou de uma fria, para minha mãe pelo hábito de ligar sempre que chego em algum lugar, e para Carol que dessa vez não pode me atender. A Segunda? Comer um alfajor!

Como já havia dito, os alfajores argentinos são deliciosos, mas os uruguaios são simplesmente divinos! E o melhor de tudo: enquanto o argentino custa um pouco mais de quatro reais, o uruguaio não chega a dois. É o dobro do tamanho e tudo de bom! Além do atendimento, que é marcante.

Como não quis pegar um táxi e caminhar um pouco para matar saudades da capital uruguaia, acabei me cansando mais do que devia. Então, cheguei no hostel, tomei um banho, e tentei dormir um pouco. Mas as dores provocadas pela viagem não me deixaram em paz. Saí e fui para a 18 de Julio, principal avenida da cidade. Estava passando na cinemateca um filme argentino e resolvi entrar para conferir. O filme se chama "Cerro Bayo", e não achei lá essas coisas.

A ideia de comprar um chivito foi poderosa, mas lembrei de seu tamanho e de que não estava com muita fome. Resolvi experimentar um refrigerante chamado "Paso de los Toros", sabor "Pomelo". Que coisa horrorosa!!! Ainda bem que é uma garrafinha pequena e que não custou um real. Mas se arrependimento matasse...

Enfim, estou no Hostel Willy Fogg. Diferentemente do La Boca, este tem muito mais cara de hostel. Mas, a maioria é de língua inglesa, então, dá-lhe gastar meu inglês nestes últimos dias de viagem.

O mais legal qe encontrei aqui no hostel foi um jogo que só tinha visto no saudoso 6. andar do DCE da UFPR: o peteleco. Obviamente que não sei o nome do jogo oficialmente, mas me acabei de jogar (bem mais sóbrio dessa vez kkk). Amanhã postarei fotos.

Ósculos e amplexos!


22 Fevereiro 2012

Diário de Bordo (012) - Despedida e tragédia em Buenos Aires.


Acordo por volta das nove da manhã com um barulho infernal de ambulâncias. O Hostal fica ao lado de um hospital e ser acordado por sirenes até é relativamente normal. Mas hoje foi absurdo. Não paravam de chegar mais e mais ambulâncias. Na porta do Hostal, bastante pessoas olhavam em direção oposta ao hospital: para uma televisão que fica no restaurante ao lado. Eu estava presenciando o desenlace de uma tragédia que abalou Buenos Aires.

Um trem bateu em outro na estação Once, bem próximo de onde eu estava ontem quando fui para Palermo. 49 mortos e mais de 200 feridos. O hospital que fica no Bairro La Boca foi um dos primeiro a receber os feridos. Muita, mas muita gente chegava e era assustadora a sensação.

Fui testemunha do tenebroso sistema de transporte férreo de Buenos Aires. Realmente, quando se entra passa rapidamente na cabeça: como isso aqui não dá em tragédia? Péssimo mesmo! Seja o metrô (Subte), seja os trens para a região metropolitana, a sensação de insegurança é imensa. Conversando com outras pessoas, descubro que um outro acidente semelhante ocorrera há pouco tempo, em dezembro passado.

A despedida de Buenos Aires não poderia ser mais triste. Foram dias bastante solitários por um lado. Mas, por outro, de grande aprendizado. Estudei o triplo do que estudava em Asunción e pude conhecer bastante a cidade. Aliás, a forma mais barata e interessante de conhecer Buenos Aires é se perdendo nela. Ia em direção ao microcentro hoje para minha última visitinha e presenciava as bandeiras baixando a meio mastro.

Perdi a vontade de explorar a cidade e voltei para o Hostal. Antes passei no mercado e decidi fazer um almoço de alto nível, pagando pouco (é claro). Fiquei maluco em descobrir o preço dos queijos e doces. Simplesmente dados. E o Chandele de Tiramisú então? Saí me perguntando: por que isso não tem no Brasil? Amanhã meu desjejum será Chandele e queijo.

É isso, volto a teclar agora somente de Montevidéu, último trajeto de minha viagem.

Ósculos e amplexos!

21 Fevereiro 2012

Diário de Bordo (011) - Pajarhijo e Palermo!

Aprendi uma palavra nova: ¡Pajarhijo! É que estava eu andando pelas inúmeras praças e parques de Palermo quando um passarinho filho da P... com diarreia resolveu encontrar alívio em minhas costas. Até o momento desse incidente, tudo estava terrível neste passeio. Ônibus lotado, tive que pedir moedas emprestada por ter errado na conta (sem moeda, sem ônibus). E, nao que eu estivesse procurando, mas encontrei a chamada mala atención porteña em Palermo.
 
Isso tudo nao iria acabar com o meu dia, em clima de despedida de Buenos Aires. Quando o pajarhijo resolveu se aliviar, automaticamente o porteño se revelou solidário. Quando menos esperava, surgiu acho que umas oito pessoas com panos, lenços de papel, e água para me ajudar a me limpar. E olha que o passarinho fez um estrago e tanto! Lembrei da Talita, quando dizia: dê comida para o gordinho que seus problemas acabam e fui para um restaurante na Avenida Santa Fé.
 
Paguei um pouco caro pelo desjejum, mas valeu muito a pena. Um suco de laranja maravilhoso, acompanhado de "facturas" divinas. Come-se muito bem, apesar do péssimo atendimento. Comi, nao dei gorjeta, e fui explorar os bosques de Palermo.
 
Dei de cara com o Jardim Japonês, ou melhor, um encontro de mangá e cosplayers me encontraram.  Um lugar maravilhoso para sentar, recuperar as forças e meditar. Pena que havia muito brasileiro, ou seja, todo mundo falando em português. Fui me refugiar no encontro de mangá. A nerdolândia por aqui é imensa! (Joni, você tem que conhecer Buenos Aires).
 
Depois, encontrei o lugar dos sonhos para quem deseja ter um álbum de casamento. El Rodedal é simplesmente magnìfico! E o melhor, grátis (o Jardim Japonês se paga cerca de R$ 7.00).
 
Passei no mercado, comprei algumas coisinhas para que o dinheiro dure o último dia de Buenos Aires sem maiores apertos. Amanha será em clima de despedida. Mas nao como foi em Asunción. Como o Hostel está decadente, foram dias solitários por Buenos Aires. O lado bom é que consegui estudar muito melhor que em Asunción. Montevideo que me aguarde!
 
Ósculos e amplexos!

20 Fevereiro 2012

Diário de Bordo (010) - Em busca de um presente e Recoleta


Realmente quero comprar "un regalo" para a Carol. Mas, com os preços e com o pouco dinheiro, realmente as coisas ficam um pouco impossíveis. Ainda mais que em uma feira basta eu abrir a boca e os preços triplicam. Caso eu não queira ser enganado, tenho que ir a uma loja e lá serei estorquido. De qualquer maneira, pelo menos estou andando um montão graças a essa busca e conhecendo mais um pouco dessa apaixonante cidade de Buenos Aires.

Domingo foi um dia de descanço. Não avançou muito no que diz respeito ao conhecimento da cidade. Apenas à noite que resolvi andar um pouco, falar com Carol e tentar ligar para minha mãe (que só obtive sucesso em falar com a Carol). Devido eu ter dormido a tarde inteira, à noite eu estava elétrico. Degustei uma bela parrillada (afinal, domingo é dia de churrasco de Asunción até a Terra do Fogo, passando por Montevideo) pela pechincha de R$ 8,00. Nisso, conheci a Calle Defensa. Como estava de noite, decidi voltar pela manhã.

De manhã cedo, dá-lhe Michael caminhando pela cidade. Resolvi andar toda a Calle La Defensa e ver onde dava. A rua é uma espécie de shopping a céu aberto. Algumas figuras ilustres declararam amor a esta rua, dentre eles, os moradores Quino e Che Guevara. Em frente onde Quino morou, há uma estátua da Mafalda.

A rua acaba em plena Plaza del Mayo. Cheguei a conclusão de que você descobre fácil se está aproximando de um lugar muito turístico: a língua portuguesa vai se tornando dominante! A frase que mais escutei dos brasileiros que estavam por aqui era: brasileiro é igual mato, está em todo lugar. Mas o mais impressionante é que os que eu vi não faziam a qualquer questão de se esforçar em falar o espanhol (diferentemente de outros gringos, que era visível a sua dificuldade e mesmo assim se esforçavam). Quando uma brasileira, toda cheia dos badulaques, pediu-me em bom português se eu poderia tirar uma foto dela em frente a Casa Rosada, fiz questão de o tempo todo falar em espanhol com ela. No final, ela ainda me disse que eu tinha sido o portenho mais simpático que ela havia conhecido até agora. Escutei o barulhinho da auréolazinha surgindo sobre a minha cabeça.

Resolvi ceder e ir até o Obelisco. De lá, caminhei até Palermo e achei apenas bonita (com suas lindas vitrines). De Palermo, resolvi caminhar até Recoleta. Em Recoleta, o passeio funesto: o cemitério. Pude ver os túmulos de ícones da luta por uma América Latina livre, unida e poderosa: Mitre, Sarmiento, Brown, enfim, uma viagem pela história.

Ainda não achei um presente para Carol, mas pelo menos estou conhecendo bastante dessa cidade encantadora.

Ósculos e Amplexos!

19 Fevereiro 2012

Diário de Bordo (009) - Murga, o carnaval de Buenos Aires

Para quem vê a foto, parece uma foliã igual a nossa. Mas há algumas diferenças importantes. A primeira é que o bloco, ou melhor, a murga é na verdade uma sátira das fanfarras militares. Todos utilizam como fantasia uma espécie de uniforme onde nelese estão apostos símbolos e desenhos que o personalizam. Então, é comum ver nos uniformes escudos de futebol, Homer Simpson (argentino tem verdadeira fixação pelos Simpsons), e até a famosa boca dos Rolling Stones. A bateria, vamos denominá-la assim, é basicamente um surdo com um prato acoplado. De vez em quando há uma caixa e só vi em uma única murga instrumentos de sopro - no geral, não tem. O melhor é ver:





Antes de brincar com a murga, algumas coisas são importantes de se frisar. O carnaval foi manifestação cultural reprimida até começo de dois mil. Era uma troça popular do regime militar e foi duramente acusada de ser subversiva (além de um argumento funesto de que os comunistas poderiam se infiltrar em Buenos Aires mascarados). De qualquer maneira, a murga é uma conquista dos trabalhadores e eles levam muito à sério. A fanfarra vai abrindo a avenida até que o povo o encurra-la. Para não ser destruído pelo povão, eles terão que cantar uma "crítica". Que nada mais é do que uma canção em que se critica a realidade social. E aí, tem de tudo. Desde condenação da visão de entretenimento que a televisão argentina possui, até algumas provocações com o nosso carnaval (que eles chamam de murga em português). Entre uma murga e outra, as crianças (de todas as idades) se acabam brincando de guerra de espuma (aqueles sprays de espuma são sucesso absoluto).




Ontem e hoje eu tenho tirado para excursões culturais. Fui assistir a um filme de comédia portenha. Peter Capusotto faz um verdadeiro tratado sobre o entretenimento. Como é uma comédia bem portenha, boiei boa parte do filme. Mas o pouco que vi me rachei de rir. E pretendo adaptar o filme para uma peça de teatro. Quem sabe um dia a ideia não vinga?

Buenos Aires é assim, caminhando você vai sendo bombardeado com uma infinidade de ideias e inspirações culturais.


O melhor do dia foi a constatação: e o Senhor inventou o talharim! Tipo, achando tudo muito caro, fiquei sem opção para comer por aqui. Decidi observar como os portenhos se viram diante desses preços. Quando vi uma fila enorme e banquei o curitibano: entrei na fila sem saber nem do que se tratava. Descobri uma casa de massas (estou em um bairro bem italiano aqui em Buenos Aires). Comprei um talharim, que se você quiser e tiver um tempinho, eles até a cozinham para você. E comprando o molho, com champignon de verdade, o preço aumenta pouco. Com menos de R$ 6,00 tive um almoço digno de chef.


Enfim... Por enquanto é isso. Depois conto mais.


Ósculos e amplexos!













18 Fevereiro 2012

Diário de Bordo (008) - Casa Rosada, Plaza de Mayo, e tudo dando errado

Olá! Mais um dia em Buenos Aires. Quando cheguei, não vi a tão famosa (e odiosa) recepção portenha. Pelo contrário. Toda vez que eu precisei de alguma coisa fui prontamente atendido e com um grande sorriso. As coisas deram erradas simplesmente por vacilo meu. O Hostel está decadente, mas não é ruim (mas também não volto mais); esqueci de fazer câmbio, mas descobri como fazer isso no sábado (com preços ruins, mas também não trocarei muito) e assim por diante. Mas, o que mais me incomodou foi não ter conseguido tirar fotos do Caminito e da Bombonera (Rafinha, I'm sorry!).

Com o decorrer do dia, as coisas foram entrando na normalidade. Consegui comer um "helado de dulce de leche" em plena Avda. del Mayo (tenho uma listas de coisas que quero fazer, como comer um crepe na Champs Elysées, um hot dog na 5th Avenue, e agora solucionado um em Buenos Aires). No caminho, indo por San Telmo, milhões de cafés um mais charmoso que outro. Foi inevitável fazer comparações: o alfajor argentino perde e feio para o uruguaio (e ainda assim é absurdamente superior aos nossos alfajores). Quando dei por mim, estava conversando com as tristes e receptivas madres del mayo e me colocando à par da política Argentina.
Agora, o melhor mesmo do dia foi o passeio pela República Popular de la Boca. Um lugar realmente à parte na Argentina. La Boca e San Telmo foram os primeiros bairros de Buenos Aires. E, impressionantemente, até o sotaque por aqui muda. Uma paixão pelo Boca Juniors que é digno de nota. E o Caminito é uma das partes mais charmosas da decadente boêmia portenha.
Saca só a pizza do bairro (aprox. R$ 12,00). La Boca e San Telmo são bairros bem italianos. Bem diferente do centro (minicentro) de Buenos Aires que tem toda influência parisiense (por conta dos governantes que queriam este aspecto para sua parte histórica). Ah! E o Darwin iria rir muito por aqui diante de algumas construções no mínimo bizarras que ele gosta tanto de reparar.

Como estava bem cansado e estressado com o dia, resolvi dormir mais cedo. Conversei com minha mãe e com Carol por telefone, com a Rafinha pelo Facebook e declarei meu dia encerrado. O problema maior foi conseguir dormir com o cheirão de churrasco que estava todo o hostel (tem uma parillada bem aqui embaixo). Não há com não dormir sem querer comer até o teto!

Ósculos e amplexos!

17 Fevereiro 2012

Diário de Bordo (007) - ¡Mí Buenos Aires querida!


Olá amigas e amigos! Já cheguei em Buenos Aires.

Nunca agradeci tanto por ter parado de fumar. Simplesmente são dezoito horas de viagem em que o ônibus não para. Isso mesmo, como diria os estudantes secundaristas de Curitiba: só vai!. Eu via as pessoas se contorcendo de vontade de fumar e beirando à paranoia antes mesmo do dia acabar e o ônibus romper a noite. Para economizar uns trocados, decidi ir com uma companhia paraguaia. Po outro lado, escolhi a melhor delas: a Nuestra Señora de Asunción - NSA. Não tem internet e nem bancos de couro como as companhias argentinas, mas tem serviço de bordo que só faltou a comissária de bordo dar beijinho de boa noite (a Carol já se manifestou em relação a esse comentário, mas não me aguentei e tive que postá-lo aqui).

Até a saída do Paraguai, sem maiores problemas. A Aduana foi um inferno! Um monte de gente de olho em turista vacilão, um monte de burocracia besta, e um montão de filas para pegar. Para piorar, ninguém te diz o que fazer, para onde ir ou onde ficar. Se algum dos "maleteros", identificados ou não, encostar em sua bagagem esteja pronto para desembolsar uma "propina" por nada. Fiquei injuriado com tudo isso que desfiz de meus últimos oito mil guaranis para com o xarope do trigésimo maletero que veio "me ajudar". E não é que ele ficou p. da cara comigo? (Tá, eu sabia que já estava em solo argentino. Vingancinha, tá? rsrs).

Durante a viagem, a sede pegou pesado. O ar condicionado (mais uma dica da Binha que escutei atentamente) realmente é violento. E acabava acordando todo mundo toda vez que eu acionava o botão para a comissária de bordo me atender. Comecei a ficar envergonhado com aquilo. Até que uma alma valiosa teve uma brilhante ideia: emprestar-me sua garrafa de água para tereré a fim de que eu não incomodasse mais ninguém. A Comissária mais do que depressa atendeu o pedido e derramou quase dois litros de água geladinha dentro da garrafa e eu parecia uma criança em loja de brinquedo esperando presente. Abracei aquela garrafa como se disso dependesse minha vida.

Chegando em Buenos Aires acordo assustado. A querida comissária, que não deixei em paz até que a ideia da garrafa térmica surgisse, acordou-me um pouco bruscamente. Ela, sem querer ou de propósito, deixou cair a bandeija com o meu desjejum praticamente na minha cabeça. E nem se desculpou, apenas disse: ¡Buén día, tomé tu desayuno!

Descí em Retiro, terminal, e fui para o ponto de ônibus conforme estava desenhado no mapinha que tirei do sítio do hostel. O que eu não sabía era que não se paga mais ônibus em Buenos Aires com papel-moeda. Ou você paga, o dobro, em moedas ou você usa um cartão magnético (que até agora não descobrí como conseguí-lo). Resultado: vamos de táxi até o Hostel.


O hostel eu já conhecia de outros carnavais. Mas como decaiu! O atendimento continua bom, mas está um pouco abandonado. Quase todos os hóspedes são mensalistas e não tem, portanto, aquele clima bacana de hostel. Ou seja, virou parte da charmosa decadência do bairro La Boca de uma vez. Para piorar, tudo ao redor está extremamente caro. O que está me fazendo pensar se vou mesmo ficar aqui uma semana inteira conforme os planos originais ou se corro o mais rápido possível para Montevideo (última parte da viagem).

Estou estrategicamente posicionado entre La Boca e San Telmo, que ficam há poucos minutos à pé do centro (onde estou agora atualizando o blog). Já liguei para minha mãe e para Carol, o que ajudou a matar um pouquinho das saudades. Vou continuar indo para o centro ver se algo me faz mudar de ideia.

Ósculos e amplexos!

16 Fevereiro 2012

Diario de Bordo (006) - iHasta luego, Paraguay querido!

Se eu escrevesse para a televisão, recomendaria uma série baseada em vida de albergue. Todos os episódios teriam um elenco diferente que seriam apresentados para o público quando a recepcionista estivesse apresentando as acomodações e regras para o desjejum. A cada semana, um novo grupo se formaria e se desfaria da mesma maneira. Porém, é claro, cada história fantástica que seria contada garantiria o sucesso da série. Terminaria o episódio quando, na hora do check out, os participantes se despediriam do hostel e apresentariam suas conclusões.

Daqui a pouco, embarco para Buenos Aires. Darei início ao segundo terço de minha viagem. E fica aquele sentimento de despedida no ar. Como pode? Há cinco dias atrás, eu era um ilustre desconhecido para as pessoas que estavam por aqui. Fizemos amizade rapidamente, confidenciamos dramas e alegrias. E, à medida que cada um seguia seu caminho, uma despedida dolorosa ia marcando o nosso peito. Bem... chegou a minha vez.

Uma pequena depressão, como podem ver, abateu-me por isso. Resolvi tirar o dia para descançar para a próxima parte da viagem. Para minha alegria, choveu! Diminuiu um pouco o calor absurdo que estava por aqui. Quando fui acordado pelos colegas de quarto perguntando se eu estava bem (acabei pegando no sono e dormi quase a tarde inteira). Como retribuição e forma de não voltar para o Brasil com dinheiro paraguaio (que não me serviria de nada), decidimos gastar nossos últimos guaranis com um jantar aqui mesmo no hostel.

Foi uma confraternização maravilhosa. Eu estava cozinhando, mas a galera se empolgou na organização do jantar. Improvisaram toalha de mesa, música, até castiçais e velas. Sem falar na turma do barril que sempre tira de um portal mágico para um universo paralelo refrigerantes, cerveja e muito vinho. Outra curiosidade foi que fiz questão da recepcionista (dona) do hostel jantasse conosco. O critério de qualidade dela é ver se o seu gato se empolga com a comida. Então, minhas "corbatitas al poro" recebeu o selo "gato de hostel" de qualidade.

Boa parte do grupo que estava comigo já se foi no ônibus da meia-noite. Uns iam para o Brasil conhecer o carnaval, outros iriam para um retiro na Bolívia, e pouquíssimos ficavam. Hoje, pela manhã, o hostel já estava com outra cara. Outros sotaques invadiram o hostel. Voltei a ser um ilustre desconhecido. Segue a viagem...

Quebrando um pouco o tom de despedida. Ontem fui ao Mercado 4. Que lugar horroso! Apesar de serem extremamente barata as coisas, é um camelódromo piorado. Eu queria comprar algum artesanato para a Carol para ter alguma lembrança pequena (afinal, cada aquisição é um peso para a mochila, que já não está leve). Mas não consegui nada. As milhões de tentativas de me enganar, de me roubar, e de dizer coisas em guarani toda vez que eu parava um pouco para pensar foram degastantes. Saí correndo de lá (era quase meio-dia, e o calor estava me matando). Realmente, a única coisa do qual não gostei nessa minha passagem por Asunción foi o Mercado.

Outra coisa importante. Tomei uma senhora bronca da Carol Barbosa por conta das minhas postagens acerca do machismo paraguaio. Segundo ela, e com toda razão, nem para contra-propaganda se deve passar adiante as demonstrações sexistas. Ainda que eu tivesse cuidado para filtrar as coisas que vi por aqui, cometi o equívoco de postá-las. Portanto, não mais o farei (só não vou tirar as outras para manter os posts).

Enfim, agora parto para minha viagem rumo à Argentina.

Ósculos e amplexos!


15 Fevereiro 2012

Diário de Bordo (005) - Dia dos namorados no Paraguay

Na verdade, poderia chamar de dia dos solteiros. Não tem a mesma força a comemoração do dia dos namorados como no Brasil (muito menos o mesmo apelo comercial). Por outro lado, praticamente todos os estabelecimentos da cidade provocam os solteiros em suas propagandas. Eu e o pessoal do Hostel decidimos passar a noite escutando uma boa música no Britannia Pub. Mas, ao chegar lá, tivemos uma senhora decepção: não haveria música ao vivo porque o bar da frente havia combinado primeiro.

Em outras palavras, estamos em uma cidade que parece sem leis e ao mesmo tempo parece ter leis demais. Eu perguntei se havia uma certa cordialidade e talvez por isso não teriam bandas simultaneamente, mas não. Há de se solicitar à polícia quando há uma atividade com barulho. E, como um fica de frente ao outro, o 904 foi mais rápido. Como não tinha o que queríamos, acabamos indo ao Bolsi engordar alguns quilinhos.

Um dos amigos, chileno, que é um gourmet aficcionado por Crème Brulée foi conferir minha dica sobre ele no Bolsi. E a conclusão que ele chegou é que é muito bom, mas os que ele provara em Santiago eram muito melhores. Por outro lado, ele pirou quando comeu um bem brasileiro brigadeiro (sim, o Bolsi se orgulha de não apenas ser o primeiro restaurante com ar condicionado do Paraguay, mas também de ter "los mejores postres del mundo en un lugar solo"). Comemos até ficarmos redondos e voltamos rolando para o hostel.

Ontem foi o terceiro dia consecutivo de muito, mas muito calor. Resolvi aceitar a sugestão da Juliana e ir ao Paseo Carmelitas. Não é muito grande, mas é bem requintado. É a continuação da Avda España que eu havia comentado em outro post, mas com muito mais atrativos. Seria como uma avenida Batel com mais variedade. Quando cheguei por lá, dei de cara com um bar muito conhecido pelos curitibanos: o John Bull. Mas, infelizmente, o bar só abre aos fins de semana. Contentei-me mesmo com uma maravilhosa helateria que havia por lá (Havanna, a mesma dos chocolates maravilhosos que tem no shopping Mueller).

No caminho, cheguei a conclusão de que é necessário estudar ou trabalhar em Asunción para ficar mais do que quatro dias. Para turismo, mesmo um mais alternativo como o que eu fiz, quatro dias são mais do que necessário. E, como estou há cinco, estou mais do que me coçando para ir logo para Buenos Aires.

Hoje é o dia para arrumar as malas e seguir viagem para Buenos Aires. Como ficarei 18 horas no ônibus, só tornarei a postar em dois dias.

Ósculos e amplexos!