01 Dezembro 2009

"É só o amor que conhece o que é verde".

É isso mesmo: "É só o amor que conhece o que é verde". Essa foi uma das inúmeras situações engraçadas ao longo da semana quentíssima de eleição do DCE da Universidade Estadual de Maringá. Explico: em uma das faixas, um pequeno erro fez com que "verdade" se transformasse em "verde", e então saiu mais uma frase para a minha coleção de frases non sense. E, à partir desse feito, para cada coisa estranha que acontecia, ou pelo menos engraçada, eu repetia feito um bobo "afinal, é só o amor que conhece o que é verde".

A chapa quente, bonde do amor, era a chapa que eu estava apoiando e que, em missão, fui ajudar meus camaradas a se re-elegerem ao Diretorio Central dos Estudantes da Universidade Estadual de Maringá. Trata-se de um movimento, no mínimo, polêmico. Mas que, creio eu, está revolucionando a forma de se fazer movimento estudantil no Paraná.

Não se trata de pão e circo, tampouco de uma chapa cujo compromisso é apenas o de fazer piadas. Mas o de fazer muita política, de fazer muitas realizações, mas sem perder a crítica irreverente para com as tradicionais forças políticas do movimento estudantil dessa universidade.

Pelo DCE passaram todas as forças políticas possíveis e imagináveis. E os resultados foram sempre os mesmos: sucateamento da sede, mau uso do dinheiro, e muita partidarização do movimento. Isso sem falar em inúmeras falcatruas, mas que não podem ser enumeradas por falta de provas. O bonde do amor, que contém inúmeros militantes da União da Juventude Socialista, ligada ao Partido Comunista do Brasil, entretanto, entende a fundamental diferença em conter militantes de partidos políticos, mas preservar a entidade de maneira apartidária.

E durante a campanha não foram poucos os ataques. Dos mais infundados aos mais reacionários, e por forças políticas que, pasmem, defenderam uníssonos mudanças radicais em nosso país. A grande verdade é que foi derrotado o velho método de fazer movimento estudantil, e venceu o novo. Um baseado no amor, em muito trabalho, e naquele meu lema: "não é preciso ser chato para ser sério".

Ajudei bastante. Doei parte da minha experiência ao longo da campanha. Mas a vitória somente foi possível graças ao esforço de cada integrante da gestão que se encerrava por ter feito um excelente mandato. Foi uma vitória de lavar a alma. A vitória do amor contra o ódio. E agora, é consumar as propostas como Casa do Estudante, aproximação e apoio às organizações acadêmicas, grandes eventos culturais e bons debates políticos, e assim por diante. E, sem falar nas redes no Restaurante Universitário (que, apesar de ser uma das propostas divertidas, junto com a construção de um Ovniporto, achei bastante interessante e viável).

Mais uma vez, parabéns à chapa Quente, bonde do amor. Por se re-eleger. Por fazer um bom trabalho. Por mudar a cara do movimento estudantil em Maringá. E por derrotar tudo aquilo que o estudante detesta nas forças carrancudas e do mal no movimento estudantil.

É só o amor que conhece o que é verdade (e o que é verde também).

Ósculos e amplexos.

20 Novembro 2009

"Se a vida só lhe deu limões: faça uma limonada!"

Não estou incentivando a prática de esportes em córregos urbanos (vulgo valetão), mas essa merece a máxima título desse post: "se a vida só lhe deu limões: faça uma limonada". Para quem conhece Porto Alegre, a façanha se deu na Avenida Ipiranga, bem no arroio Dilúvio. Os autores da façanha disseram ser os primeiros a conseguirem surfar em Porto Alegre (que para a prática do esporte, é necessário uma viagem de uma hora pelo menos).



Que tal um campeonato para o Surf Urbano? Próxima etapa Canal Belém, Curitiba; etapa final na Marginal Tietê, São Paulo. E meus amigos do Rio já aproveitaram para tirar uma casquinha (ê, praia de paulista é o rio Tietê, e de gaúcho é o arrio Dilúvio).

Ósculos e amplexos!

18 Novembro 2009

Qual o motivo da minha insistência em ir ao McDonald's?


Não sei o porquê da minha insistência em ir ao McDonald's. Sei que vou ser mal atendido, que a pessoa que me atende é mal paga e robotizada, e a comida não é boa. Aliás, a comida é, a cada dia, mais terrível. O pão parece isopor. O queijo parece lâmina de PVC. O hambúrguer ainda tenho minhas dúvidas se é mesmo feito 100% de carne de boi. E a batata frita é puro sal. E, para completar, o papel informativo que fica na bandeja não dá uma dentro, concorre com a VEJA em matéria de credibilidade (desinforma... confundem arqueologia com paleontologia, e rebatizaram o motivo pelo qual Chopinzinho-PR recebeu esse nome, etc).

Ontem, entretanto, a lanchonete do palhaço se superou. Na unidade que fica próxima a minha casa e que, portanto, passo em frente todos os dias, deixou-me refletindo: afinal de contas, qual o motivo de eu insistir nesse erro?

Quando cheguei, a fila estava monstruosa. Curiosamente, não era a fila do caixa. Era a fila para pegar a comida depois de pago. Entretanto, as filas se misturaram e a confusão ficou imensa. O segurança então teve uma brilhante ideia: tirar de uma vez as fitas que separavam as filas. O que é, o que é: o que acontece quando um monte de pessoas com fome acaba tendo que esperar mais do que o de costume? Resposta: bate-boca. Vinham as reclamações e a moça do caixa nem piscava. Apenas ignorava, e ia atendendo a outra fila: "faça o seu pedido!" "Gostaria de levar duas tortinhas pelo preço de uma?"

Então, chegou a minha vez. Sabia que pedir qualquer sanduíche que não esteja na gôndola pronto significaria meia-hora de espera. Sabia que pedir qualquer coisa que não fosse o trio sanduba-batata-refri, mais uma hora na fila dos descontentes.

- Então, moça: um quarteirão, sem batata, só o sanduíche, e um guaraná sem gelo.

[Ou seja, pegue o sanduba que está na gôndola provavelmente há um tempão, depois pegue o copo e simplesmente encha de refrigerante, sem perder tempo catando gelo e pondo no copo.]

- Desculpe senhor, o refrigerante já vem gelado.

[Por isso que peço sem gelo. Ele já vem gelado, e o tempo que demora para começar a comer faz com que o gelo derreta e o refrigerante fique aguado]

- Eu sei, moça. Eu quero o refrigerente sem adição de pedras de gelo.
- São cubos de gelo, senhor.
[Ela estava falando com uma cara de interesse público que vocês não imaginam]
- Tá, refrigerante, sem os cubos de gelo, por favor.
- E vai querer batata? Estamos com promoção.
- Não obrigado, somente o quarteirão.
- Então confirmando o pedido: uma promoção do quarteirão, com guaraná médio.
- Não, moça, apenas o sanduíche e o guaraná e sem gelo.
- Mas o refrigerante já vem gelado senhor.

[Aaaahhhh!]

- Moça, é só o sanduíche e o refrigerante. Sem batatas, sem gelo, cubo de gelo, ou qualquer coisa que lembre água congelada.
- Então, confirmando o pedido: apenas o quarteirão e um guaraná sem gelo?
- Finalmente! É isso!
- Vai querer tortinha? Estamos em promoção.

[Preciso dizer onde eu queria que ela enfiasse a tortinha?]

- Não moça, apenas o meu pedido.

Meia-hora depois, meu pedido chegou. Fui para a mesa. Comi a sola de sapato que é o quarteirão. E no copo: coca-cola com gelo!

Ósculos e amplexos!

17 Novembro 2009

"O instruído então dirá: Não o posso ler." (2Ne27:18)



Caros amigos,

Há tempos que não escrevo. E nem tenho um bom motivo dessa vez. Apenas estava relendo os meus escritos e percebi que o bom humor da minha Cozinha havia sumido. Aquele lado Non Sense do qual sempre admiro no caos insólito que é a vida, simplesmente deu lugar ao carrancudo texto crítico sobre coisas sérias. E, definitivamente, o propósito de meu blog não era esse.

Quando desenvolvi minha primeira página, a primeira Cozinha do NoSense, ela era bastante formal. Versava única e exclusivamente sobre música, mais especificamente sobre a história da música. Comecei pela música medieval e por lá fiquei. Ao estudar a música Moderna, percebi que não tinha o conhecimento todo que pensava que tivesse. Então, abandonei o projeto, e nem me lembro mais sequer onde está a página nesse oceano infinito que é a internet. (parafraseando Einstein: só existem duas coisas infinitas - a internet e a estupidez humana... mas tenho dúvidas sobre a primeira).

E outras inspirações vieram, outras páginas, outros blogs. Mas apenas a Cozinha vingou, venceu a casca e pode nascer. Aqui, publiquei lamentos, poesias, críticas, sátiras, piadas, apelos de socorro, enfim, um pouco de tudo. Afinal, esse era o objetivo do blog: não ter objetivo. Mas, confesso que recentemente, quase que lanço meu último "post". O ânimo para escrever continuava, mas a paciência para escrever algo que eu mesmo achasse bom diminuía. Mas, veio a redenção.

Passei a olhar meu próprio blog, meus mais de 150 "posts". Comecei a acompanhar os blogs de meus amigos, porém sem comentar. Apenas divertindo-me com seus bem elaborados (às vezes nem tão bem elaborados assim) textos e sentimentos. No noticiário, material não faltava: apagão, vestido curto e UNIBAN, encontro de vítimas da impunidade, show ao vivo do U2 pelo youtube, enfim, passei a curtir um pouco mais quieto. Enfim, encontrei em um blog, de uma pessoa que eu não conheço, um pouco do espírito que eu sempre desejei que houvesse nessa minha caótica Cozinha.

1nefi1322.wordpress.com Blog de uma irmã de fé e que me chamou a atenção pela passagem mais non sense, se lida sem o contexto, do Livro de Mórmon (1 Nefi 13:22 - "E eu respondi: não sei"). Imediatamente me lembrei do que eu considero o segundo mais non sense (importante lembrar que fica assim sem o devido contexto) "O instruído então dirá: Não o posso ler. 2 Ne 27:18). Ao discorrer (ou melhor, dissecar) os textos, encontrei um humor despreocupado, uma boa ironia (daquelas que não faz mal a ninguém, e nem se propõe a isso), mas que não deixa de falar com bom humor sobre coisas sérias. Um blog que faz valer meu lema: "Não é preciso ser chato para ser sério" - e que ela mesma diz: "Porque ser cristão não é ser tapado"). Então, só tenho que agradecer aos estudos do Livro de Mórmon (que me fez jogar no google a passagem 1Ne13:22 e encontrar o blog da Taty Sputnik), e ao blog referido, por me animar a escrever novamente.

Então, coloquei a última coisa que me fez rir como um bobo frente ao computador: a reporter estressada.

Ósculos e amplexos, e lembrem-se: Não precisa ser chato para ser sério!

29 Outubro 2009

Validação de diplomas e Requião: rapidinhas.

Segundo o deputado federal Nilson Mourão (PT/AC - que convocou audiência pública para debater sobre a validação automática dos diplomas estrangeiros), cerca de 300 brasileiros formados em medicina em Cuba não podem exercer a profissão no Brasil. Essa é a realidade de outros brasileiros formados, principalmente em medicina, em países como Argentina, Bolívia e Peru. O motivo: não há uma regra geral para o processo de validação dos diplomas no Brasil. Cada universidade pública cria seu próprio processo, e esse é feito de tal forma que nenhum formado consiga passar. Não se trata de uma preocupação acadêmica, mas de uma espécie de reserva de mercado. Em um país onde mais de duas mil cidades não possuem sequer um médico, tanto a bancada médica na Câmara (segunda maior bancada), quanto o próprio Conselho Federal de Medicina, beneficiam-se das longas filas em seus consultórios. Em boa parte dos países do mundo, os diplomas de medicina em Cuba são validados automaticamente. Não se descarta também a posição política, uma espécie de prorrogação da guerra fria, onde os maus e os bons se engalfinham em todos os possíveis ringues que a sociedade pode criar.

O comentário, no mínimo infeliz, do governador Roberto Requião sobre o câncer de mama em homens por uma influência da parada da diversidade tomou conta de inúmeros espaços na imprensa e nos protestos dos mais variados grupos políticos e movimentos sociais. E a coisa piorou quando o governador tentou se explicar. Diz o governador que foi lúdico, pois queria alertar sobre os problemas que o uso de hormônios podem provocar.

Quem assistiu a "escolinha" viu que foi de imenso preconceito por parte do governador. E a emenda saiu pior que o soneto. E, quem acompanha o PMDB (o que espero eu, ser uma minoria), sabe do imenso preconceito por parte de alguns militantes e caciques desse partido contra GLBT. O governador tentou fazer uma graça sobre assunto sério, e acabou sem graça. Aliás, importante lembrar que estudantes ligados ao PSDB e DEM, do movimento Oxigênio, compartilham da mesma visão quando afirmam que: movimento GLBT não é relevante para o movimento estudantil (...) e que eles gozam de mais direitos do que deveriam ter.
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Em tempo: alguém sentiu alguma paulada mais forte no secretário de segurança durante a sua sabatina na Assembleia Legislativa? A oposição gritava: saia; a situação gritava: tá ruim, mas é o possível. Enquanto isso, não há um dia sequer no Paraná que não haja pelo menos uma manifestação popular exigindo o fim da impunidade e mais segurança pública. Ou há descaso, ou há incompetência. E enquanto isso, quem vai sofrendo é o povo do Paraná.

Ósculos e amplexos!

17 Outubro 2009

Curitiba e a Copa.


Recentemente me perguntaram: você, como atual estudante e futuro profissional de Relações Internacionais, acha que Curitiba está pronta para ser sede da Copa do Mundo? Minha resposta foi: infelizmente, quase não tem sequer noção do que seja um evento desse porte.

Antes que eu seja apedrejado, deixe-me explicar e fundamentar minha resposta. Primeiro, eu fui praticamente um engajado curitibano pela escolha da minha cidade natal para sede da Copa do Mundo. Mas sabia que muitos de meus conterrâneos também faziam campanha muito mais pela oportunidade de ver os melhores jogadores do mundo mostrando seus talentos nos gramados curitibanos do que pelo desenvolvimento que um evento como esse proporciona às suas sedes. A oportunidade de vê-los existe, mas ao alcance de poucos. É um evento elitizado, e como tal, possui regras complexas e exige bastante dinheiro para que a pessoa possa acompanhar no estádio as performances das seleções. Se hoje reclamamos dos elevados valores para os jogos do Campeonato Brasileiro, entre R$ 20,00 e R$ 100,00, quando esses valores forem convertidos para o Euro ou o Dólar e aos padrões da FIFA, os preços irão começar pelo valor de aproximadamente R$ 100,00 e, daí por diante, o céu é o limite. Ainda que hajam lotes para a população local, a preços mais módicos e com disponibilidade de compra nos famosos "guichês", a quantidade é minúscula. Quem quiser assistir a Copa terá que desembolsar uma boa grana, nem sempre dará para assistir ao jogo ou a seleção que desejar, e ainda assim entrar nas complicadas regras da FIFA para compra de ingressos.

Parte da minha família morava na Alemanha quando ocorreu a última Copa por lá. Quantos jogos minha família conseguiu assistir no estádio? Resposta fácil: nenhum. Caro, difícil, regras complicadas, além do imenso medo de falsificação dos ingressos.

Falemos agora de outro aspecto: o institucional. Que um evento desse porte transforma cidades isso é um fato. Desenvolve de maneira fantástica não apenas devido às obras de infra-estrutura, mas também, por se tornar vitrine para o mundo, inúmeros investimentos privados desembarcam na cidade para aproveitar os quase trinta dias de jogos e podendo ficar por um bom tempo depois. Mas, novamente, o curitibano, nesse caso aquele responsável pela administração e organização da cidade, também não tem a menor ideia do que seja um evento como esse.

O metrô curitibano, que todo curitibano diz: "agora sai" - devido às últimas campanhas eleitorais terem sido praticamente sobre esse tema e nem sequer o cheiro do trem o curitibano sentiu - é ainda uma proposta tímida, ainda que consideravelmente melhor do que as propostas apresentadas pelas gestões anteriores (que não estavam nenhum pouco interessados nas demandas da cidade, queriam colocar o metrô onde desse, da forma que pudesse, e gastando o menos possível). Mas, esse metrô, que irá atender praticamente 1/4 dos usuários do transporte coletivo apenas com a sua Linha Azul (CIC-Sta. Cândida), terá até a Copa provavelmente terminada somente a Linha Azul. Esta não faz integração com dois importantíssimos locais: Aeroporto Afonso Pena e Rodoferroviária de Curitiba. Se o metrô tivesse sido levado mais à sério desde o momento em que a população curitibana reivindicou com força (no fatídico embate Vanhoni e Tanigushi), hoje seria um problema mais fácil de se resolver.

Aliás, falando de infra-estrutura, o terminal de cargas do Afonso Pena é demasiadamente pequeno, o estacionamento do aeroporto minúsculo, e o sistema que impede os famosos problemas de falta de teto para pousos e decolagens já virou conto da carochinha. O porto de Paranaguá tem limitações absurdas, e se não atrapalharem as obras do PAC que fará o porto ser o único da América Latina a receber navios de grande porte, contribui para que muito do que há de bom e do melhor do mundo não chegue às terras paranaenses.

Quem morou em Curitiba na época da reunião da ONU sobre diversidade biológica (COP-8 MOP 3) viu o quanto a cidade é despreparada para eventos internacionais de grande porte. Não havia profissionais internacionalizados o bastante, e os poucos que haviam, se receberam, ganharam um ordenamento de fome. As placas bilíngues continuam em Curitiba como lembrança desse evento. Aliás, sobre os profissionais, se Curitiba não começar urgentemente a investir no setor internacional, continuando com sua mentalidade administrativa provinciana, até 2014 dificilmente teremos profissionais aptos para atender as exigências da Copa e do nível de desenvolvimento que a cidade poderá alcançar depois que a Copa terminar.

Por fim, os problemas sociais da cidade se agravaram. A segurança é tratada em um empurra-empurra de responsabilidades. As ruas e as estradas estão cada vez mais deterioradas. A emissão de poluentes estão aumentando. Os espaços públicos para a família, para a cultura, para o desporto, e para a juventude, estão cada vez menores e bastante sucateados. Isso quando não surgem os 'elefantes brancos': obras faraônicas com ocupações 'gambiarras', nada funcionais, e que não representam ganhos senão visuais para a cidade. Além de outros problemas.

É claro que as coisas podem mudar nos próximos quatro anos e meio. É claro que, na medida em que o dinheiro vai chegando, mudanças vão acontecendo. Mas, se um debate sério e comprometido com a população curitibana não estiver à frente das obras e desenvolvimentos, a Copa vai passar e a cidade vai continuar na mesma ou, talvez, pior. Hoje, a resposta é essa: a cidade não está preparada para receber a Copa. E o pior: os observadores internacionais, que são responsáveis pela divulgação da cidade com seus boletins praticamente diários sobre como a cidade se prepara para Copa, chegarão imediatamente após o apito final do último jogo na Copa da África do Sul.

Fiquemos de olho. Ósculos e amplexos!

10 Outubro 2009

"Cemitério dos Elefantes" ganhou meu voto!


Antes de mais nada, deixe-me corrigir uma informação de minha última postagem. Eu havia dito que o juri popular escolhia somente os filmes brasileiros para o prêmio Araucária de Ouro. Não é bem assim que funciona. Há um juri especializado que avalia vários critérios e que distribuirá vários prêmios, como os tradicionais "melhor ator", "melhor atriz", etc. O juri popular escolhe um dentre dez filmes, sendo eles brasileiros ou estrangeiros. São os filmes: "Utopia e Barbárie", de Silvio Tendler (RJ); "Almoço em Agosto", de Gianni Di Gregorio (ITA); "Pau Brasil", de Fernando Belens (BA); "Terra Sonâmbula", de Tereza Prata (MOZ); "Prisão Domiciliar", de Gabriel Retes (MEX); "Brasil Santo: retratos da fé", de Gil Baroni e Mônica Rischbieter (PR); "Bosque", de Pablo Siciliano e Eugênio Lasserre (ARG); "Um Dia de Ontem", de Thiago Luciano e Beto Schultz (SP/RJ); "Cemitério dos Elefantes", de Tonchy Antezana (BOL); e "Sem Fio", de Tiaraju Aronovich (SP).

Em minha opinião, o boliviano "Cemitério dos Elefantes" é disparadamente o melhor filme. Tanto pelas imagens, fotografia, atores, como pelo roteiro. Um "filmão", de encher a alma, ainda que o tema seja forte, desagradável, lembrando a máxima dos Titãs "miséria é miséria em qualquer canto, riquezas são diferentes". (Eu não concordo inteiramente com essa estrofe da música, mas nesse caso, coube perfeitamente). Não se trata de uma miséria simplesmente financeira, mas uma miséria moral corrompida pelo vício do álcool. "Cemitério dos Elefantes" conta a rapsódia de um alcoolatra e sua "hospedagem" na suíte presidencial, um quarto fétido, onde apenas um balde de bebida e um para necessidades é oferecida. O filme é incrível, vai te anestesiando na medida em que a vida do personagem vai sendo contada. Ao fim, sente-se bêbado, também revoltado com a condição degradante recém assistida.

Sobre os outros filmes de ontem. Apesar do carisma de Caco Ciocler, o filme em que ele faz o protagonista é fraco, cansativo, "non sense" demais para pouco roteiro. "Um dia de ontem" se arrastava ainda mais lento que a própria interpretação de Ciocler, cujo admite ter abusado das pausas dramáticas por demais.

Sobre o curta "Teatro de Titãs" fiquei naquela: ou não entendi lhufas ou o filme é ruim mesmo. Um debate sobre o tablado, com inúmeros figurantes em círculo, mas apenas um protagonista verborrágico. Misturava-se tudo e concluía o teatro como algo vivo e morto ao mesmo tempo. Quem quiser arriscar dizer que o filme é bom se for compreensível, terá bastante trabalho.

"Socarrat" confirma a tônica deste festival: a diferença gritante entre os longas e os curtas em matéria de qualidade. Os curtas estão dando um verdadeiro baile sobre os longas nesse festival. Socarrat lembra os clássicos europeus "Parente é serpente" e "Declínio do Império Americano". Bem humorado, apresenta uma família e alguns dramas bastante contemporâneos e suas soluções. Excelente!

Vou nessa que hoje tem mais!

Ósculos e Amplexos!

09 Outubro 2009

IV Festival do Cinema do Paraná


Infelizmente, a semana de provas na faculdade me impediu de aproveitar melhor o IV Festival de Cinema do Paraná, que acontece desde o dia cinco no MON (o museu do olho). Mas ontem, tudo contribuiu para que eu participasse de pelo menos um dia.

À tarde, na mostra paralela, uma mistura de bom e mau gosto. De um lado, passava o filme "O Livro de Cabeceira" (The Pillow Book), de Peter Greenaway, 1996. De outro, Don Juan de Marco, de Jeremy Leven, 1995. Literalmente, de um lado e de outro, pois as salas de exibição são divididas por um tapume que permite o som vazar de um lado para o outro. Ao escutar "Parfait Mélage" em um filme, ao fundo escutava-se " Have You Ever Really Loved A Woman" do outro filme. Mau gosto? Nada contra o filme "Don Juan de Marco", inclusive ele marcou época. Mas, é o tal do filme que é transmitido na "Sessão da Tarde" pelo menos umas três vezes por ano. Quando se vai em uma mostra paralela de cinema, espera-se ver filmes dos quais não são acessíveis ao grande público.

"The Pillow Book" salvou o dia. A produção Franco-Holandesa-Inglesa, é quase inteiro em japonês. De difícil "digestão", os dez guerreiros sobreviventes que ficaram até o fim da sessão saíram satisfeitíssimos. Os outros cinquenta que não aguentaram o rítmo nada linear de Greenaway, bem ao avesso dos "hollywoodianos", certamente saíram falando horrores do filme. O único problema, é que esse filme excelente simplesmente passou. Depois, procurando na internet, descobri um artigo científico de uma professora da UFPR que detalha as poesias gravadas no corpo dos treze personagens. Seria interessantíssimo, pelo menos, fazer um debate ou simplesmente dar ao público o prazer de saber o que a protagonista escreveu nos corpos dos outros personagens.

À noite, o senso de responsabilidade foi para o mundo das almas, cancelei reunião e faltei a aula para ver as produções que concorrem ao Araucária de Ouro. Ainda que somente filmes brasileiros disputam essa categoria, e que somente um filme em disputa foi apresentado ontem, os espanhois e argentinos convidados deram o ritmo da festa.

O primeiro, foi o espanhol "Manual Prático do Amigo Imaginário", de Ciro Altabás, 2008. Altabás abriu a noite se esforçando para falar em português, o que fez com que o público logo se simpatizasse com o diretor e transferindo-a para seu filme. O filme lembra muito Tom Cruise em Magnólia, mas tão somente a apresentação de auto-ajuda. Pois o restante é muito original. Conta a saga do único amigo imaginário que está com seu amigo real há 28 anos, quando o recorde anterior era o de apenas quatro anos e alguns dias. Nessa palestra de auto-ajuda, o super-herói conta como sobreviveu aos perigos de ser esquecido (o desemprego para o amigo imaginário). O filme é bonito, engraçado, alegre, e apologético às nostalgias de nossas infâncias. Minha única reclamação foi: o diretor não soube a hora de parar. Os últimos minutos de filme são desnecessários.

O segundo filme da noite foi o concorrente ao Araucária de Ouro "Brasil Santo: retratos da fé", de Gil Barone e
Monica Rischbieter, 2009. O filme foi uma ode aos defensores da cultura: os pobres. O filme é um documentário sobre a fé dos humildes. Depoimentos sobre a fé, oração, e sacrifícios em nome da fé dão a tônica do filme. Agradou a todos e todas presentes, que só faltaram aplaudir em pé. Mas, o filme não é nenhuma genialidade. A falta de um roteiro melhor acabado, afinal apenas mostra os depoimentos e esses dão a velocidade do filme, fazem do filme uma espécie de vitrine. Também não é dos mais originais, o tema fé popular já foi bastante documentado, além do filme ficar martelando "já vi algo muito parecido em 'O Povo Brasileiro'". Mas, no geral, o documentário é bom, e forte concorrente ao prêmio.

O terceiro e o quarto filme da noite foram: o espanhol "Com Dois Anos de Garantia", de Juan Parra Costa, 2009; e o argentino "Bosque", de Pablo Siciliano e Eugenio Lasserre, 2008. O primeiro é fraquíssimo. No fim da apresentação, poucos se lembraram que foi exibido o curta de 17 minutos. Ficou aquela sensação coletiva de "eu acho que assisti algo, mas não me lembro o que". O curta conta a história de um grosseirão marido arrependido que tenta substituir a esposa por um robô. No auge da sua agonia, a verdadeira aparece e ele não a diferencia. Mas, por melhor que tenha sido a ideia, o filme não convence e passa batido. O segundo foi sabotado. Problemas técnicos fizeram com que a exibição fosse interrompida três vezes, tendo que pular cenas talvez importantes para o desenlace da história. Um debate sobre a eternidade, um terror psicológico, misturaram-se para fazer de "Bosque" um tratado sobre a existência e as coisas importantes da vida longe da correria da cidade. Mas, o eixo principal do filme vai se tornando a loucura de um bosque do qual ninguém consegue sair vivo. A velocidade do filme vai cansando por demais a plateia. E o fim do filme não mostra supresa alguma. Talvez, devido aos problemas técnicos, o filme poderia ter sido melhor. Mas não creio nisso.

Hoje tem mais!

Ósculos e Amplexos!

29 Setembro 2009

Estados Unidos na contramão da democracia.


Estupefato! Não conseguia ouvir ou ler as notícias de hoje sem essa sensação. Os Estados Unidos, na reunião de emergência da Organização dos Estados Americanos - OEA, através de seu representante diplomático, acusou os países que apoiaram o retorno de Zelaya de irresponsabilidade, além de condenar o próprio retorno do presidente legítimo ao país.

Ao longo da 64ª Assembleia Geral da ONU, todos os países americanos que discursaram em Nova Iorque condenaram o golpe, pediram a volta de Zelaya ao poder, pediram eleições no país, e manifestaram seu desejo de solução pacífica do conflito. Exceto um: Estados Unidos da América. Obama, ainda que aplaudido por representar a mudança na condução política da mais importante nação do mundo, foi o único que absteve-se de comentar sobre o golpe em Honduras. Na reunião do G20, presidida por Obama, pouco avançou em relação ao país. E, na reunião emergencial da OEA, onde o tema não era outro senão a instabilidade hondurenha, finalmente os EUA mostraram que os Estados Unidos continua na contramão da democracia, que continua tratando a América Latina e o Caribe como seu quintal.

A influência americana sobre os golpistas brasileiros não ficou por menos. Sarney, Agripino, lideranças de oposição, quando não chamaram a postura brasileira de defender o governo legítimo de Honduras de infantil, chamaram-na de amador. Miriam Leitão, que ainda verei um dia falando sobre futebol, soltou duas péssimas considerações sobre a posição brasileira no caso. A primeira, a de que o Brasil rompeu relações diplomáticas, mas é incoerente por manter sua embaixada aberta em Honduras; e que o Brasil se posicionou contrário ao embargo hondurenho aos veículos de comunicação de oposição ao golpe, quando praticamente aplaudiu quando Venezuela fechou o equivalente à Globo em seu território.

Não falo sobre a credibilidade (ausente) de Miriam Leitão, mas sobre o símbolo que ela representa: o pensamento editorial do PIG (Partido da Imprensa Golpista - termo criado por Paulo Henrique Amorim). Primeiro, segundo os tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário sobre representação diplomática e relações consulares, o fato de não reconhecer um país não fecha uma embaixada, apenas retira o canal de diálogo entre os governos. Mas a embaixada representa o povo brasileiro residente em Honduras, portanto, não se trata de nenhuma incoerência. Segundo, jamais pode ser comparado o que houve em Honduras com o que houve na Venezuela. Nessa, houve um golpe por parte da burguesia e oposição ao presidente Chávez, e um contra-golpe por parte dos trabalhadores que devolveu o país ao comando de quem a maioria do povo legitimamente elegeu. Segundo, na Venezuela, Chávez não renovou a consessão da emissora que Miriam Leitão referiu, o que provocou seu fechamento. Já em Honduras, o que aconteceu foi um governo ditatorial que ocupou dois veículos de comunicação à força, censurando-as, fechando-as, após declarado Estado de Sítio.

O representante brasileiro na OEA falou o que deveria ser transmitido em massa: sem o apoio dos Estados Unidos, na contramão da democracia, esgotam-se as possibilidades de solução do conflito em Honduras pelo caminho do diálogo. Sem uma ação mais incisiva dos países da América Latina, o passado odioso de golpes e autoritarismo irá abalar a credibilidade do Continente. Não apoiar o retorno de Zelaya ao poder, com a condição de novas eleições em regime de urgência, será condenar um povo inteiro à barbarie, ao fim da democracia.

Ósculos e amplexos.

28 Setembro 2009

A todos e todas, obrigado.


Queridos amigos, queridas amigas!

Obrigado pelas mensagens, e-mails, correspondências, telefonemas, visitas, e comemorações pelo meu aniversário. É graças a vocês que os momentos de dificuldade são superados, os momentos de alegria são bem aproveitados, e o ânimo para ter "aquela mania de ter fé na vida".

São 31 anos, cultivando amizades, carinhos, e tudo isso, por si somente, já me deu recompensas mil.

Amo todos vocês.

Ósculos e amplexos!