19 Março 2009

Dica de Juno...


[Para não dizer que não falei de cinema]

... Quando deram para uma blogueira a missão de escrever um roteiro, não imaginavam que a simplicidade e a beleza de uma vida adolescente poderia ser tão maravilhosamente registrada na tela grande.



... Diablo Cody conseguiu misturar, sem ser pedante como muitos filmes à MTV, ícones do mundo 'pop' de várias épocas. Resgatou uma obra fantástica de Sonic Youth, interpretando 'Superstar' do 'Carpenter's' [e que num momento de ira, a menina Juno caprichosamente chama o Sonic Youth de 'puro barulho'; logo quem, naquela boa fase radical de nossos gostos musicais quando na adolescência, estava resoluta em considerar apentas os 'Stooges' algo realmente musical].

... Infelizmente, o Youtube não me deixa incorporar esse vídeo do Sonic Youth, então, sobra-nos o link: http://www.youtube.com/watch?v=gmnuMr5VMmI

... A fins de comparação, eis o original [esse sim, incorporado a esta cozinha]






... A letra não é nada difícil. Fala de um amor complicado, de alguém que se enroscou com um 'Superstar'. Entrento revela algumas expressões geniais, que podem se aplicar para todos e todas que ou teve um amor perdido em um passado distante, ou simplesmente que a vida social deste impede de que a coisa se concretize. [Pode ser distância, agenda lotada, a missão de salvar o mundo, etc].

[...Analisemos (livre tradução minha)]:

Long ago and, oh, so far away I fell in love with you before the second show.
Há tempos, ó, e tão longínquo, eu me apaixonei por você antes do segundo show.
Your guitar, it sounds so sweet and clear,
Seu violão, ele sooa tão doce e limpo [como se estivesse tocando bastante próximo]
but you're not really there, it's just the radio
Mas na verdade você não está aqui, é apenas o rádio.

[... Barra pesada, não? Saber da pessoa amada por meio de terceiros...]

[continuando]

Loneliness, is such a sad affair and I can hardly wait to be with you again
Solidão, é como uma ocupação triste e 'não vejo a hora' de estar contigo novamente.
What to say to make you come again?
O que dizer para trazer você devolta?
Come back to me again.
Voltar para mim novamente.
and play your sad guitar.
E tocar seu triste violão.

[... Destaque para 'Loneliness, is such a sad affair'... O fundo do poço é mais profundo do que imaginamos... mas, realmente há pessoas que fazem da solidão um verdadeiro ofício]

[Enfim o Refrão, que não consigo ouvi-lo de outra forma senão como um berro desesperado, daqueles em que realmente acreditamos que alguém o ouvirá do outro lado do mundo]

Don't you remember you told me you love me, baby?
Você não se lembra de que disse que me amava, baby?
You said you'd be coming back this way again baby!
Você disse que estaria devolta desse jeito denovo, baby!
baby baby baby baby oh baby
[dispensa tradução]
I love you, I really do.
Eu te amo, realmente.

18 Março 2009

While my guitar gently weeps.

[...] não sei tocar violão, aliás, creio que não sei tocar absolutamente nada. Mas essa música, que também não sei o motivo, não sai da minha cabeça desde o momento em que revi uma pessoa muito querida (que há mais de uma década que eu não a via). Analisemos:

[importante lembrar que a canção é do gênio George Harrison]




[Letra em português (livre tradução minha)]

Enquanto meu violão chora suavemente. [ou gentilmente?]

Eu olho você toda, vejo o amor que aí dorme. Enquanto meu violão suavemente chora. Eu olho para o chão e vejo que precisa ser limpado. Ainda meu violão suavemente chora. Eu não sei por que ninguém te disse como desdobrar seu amor. Eu não sei como alguém te controlou. Eles te compraram e te venderam. Eu olho o mundo e eu noto que ele está girando. Enquanto meu violão suavemente chora. Devemos aprender [algo] com todo erro, certamente. Ainda meu violão suavemente chora Eu não sei como você foi divertida, você foi pervertida também. Eu não sei como você foi invertida. Ninguém te alertou. Eu olho você toda, vejo o amor que aí dorme. Enquanto meu violão suavemente chora.

[...] Negritos meus... para ficar pensando [...]

[letra em inglês]
I look at you all see the love there that's sleeping. While my guitar gently weeps. I look at the floor and I see it needs sweeping. Still my guitar gently weeps. I don't know why nobody told you How to unfold you love. I don't know how someone controlled you. They bought and sold you I look at the world and I notice it's turning. While my guitar gently weeps. With every mistake we must surely be learning. Still my guitar gently weeps. I don't know how you were divertedYou were perverted too. I don't know how you were inverted. No one alerted youI look from the winds at the play you are staging. While my guitar gently weepsAs i'm sitting here doing nothing but aging. Still my guitar gently weeps.

[...] Se alguém desejar alguma correção, é só me dar um toque [...]


Um misto de melancolia, com a felicidade de rever o bom do passado...
Uma autoclausura... Uma vida entregue a um mundo de faz de contas...
Um mundo virtual, onde a verborragia não incomoda ninguém senão seus próprios personagens.
[pelo menos é gesto nobre, afinal, não machuca ninguém... absolutamente ninguém]
Diga-me que te fiz sorrir novamente apenas uma vez, e minha missão angelical foi sim cumprida.

[Enquanto isso... my guitar gently weeps!]

A Volta

[...] Tardei-me em inspirar-me para novas prosas, causos, até mesmo plagas. Mas, a realidade nos traga para o bom e para o mau na análise fria de um mundo nem sempre disposto a nos consolar em seu berço explêndido.

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[...] Já dizia Gonzaguinha:

"Você deve notar que não tem mais tutu,
E dizer que não tá preocupado.
Você deve lutar pela xêpa da feira,
Dizer que está recompensado.
Você deve estampar sempre um ar de alegria,
E dizer: Tudo tem melhorado!
Você deve rezar pelo bem do patrão,
E se esquecer que está desempregado.

Você aprender a baixar a cabeça,
E dizer sempre: Muito Obrigado.
São palavras que ainda te deixam dizer,
Por ser homem muito bem disciplinado.
Deve, pois, só fazer pelo bem da nação,
Tudo aquilo que foi ordenado.
Pra ganhar um Fuscão no júízo final,
E diploma de bem comportado...

Você merece, tudo vai bem, tudo legal!"

14 Outubro 2008

E o tsunami vai se mostrando marolinha...

Profetas do apocalipse, acalmem-se: não foi dessa vez, novamente, que o mundo acabou. Apesar das notícias serem apresentadas todas como sinais do fim dos tempos, como um verdadeiro tsunami que varrerá todos os vivos e mortos, tudo leva a crer que não passa de uma boa marolinha. E há quem ande surfando numa boa nessa marola. Aliás, a necessidade de exagerar as análises, talvez por culpa dos "fast thinkers" que a imprensa brasileira sofrivelmente continua confiando como se os reveladores dos tempos atuais, confirma um outro velho adágio popular: "os filósofos pensam que são deuses, já a imprensa acredita que é Deus." E com essa certeza, disparam revelações sobre o fim dos tempos para quem interessar em ser profeta do apocalipse possa.
As relações internacionais são anárquicas, e sua prática vazia de estatuto formal. O que se vê nem sempre revela o que acontece. E, para piorar, para cada situação complexa há uma explicação simples e invariavelmente errada. O estouro da bolha econômica no calo do Tio Sam abalou o mundo todo, isso é fato, mas dizer que isso fará com que o mundo acabe soa como um excelente exagero. Longe de querer fazer um tratado teológico, até porquê não tenho tanto domínio do assunto assim, mas basta ler os Evangelhos, principalmente Mateus e Marcos, e lá veremos o próprio Filho de Deus nos deixando bem claro que não haverá como saber quando esse fim chegará até o dia em que esse fim aconteça segundo a vontade do Pai. O que corta na carne qualquer especulação sobre o fim do mundo ser agora, nesse átimo. Principalmente quando esse mundo em seus últimos suspiros é unicamente o mundo capitalista. E, não é qualquer mundo capitalista também não, é somente o da Veja, o Estado de São Paulo, e tantas outras panfletárias de um capitalismo rebuscado por teorias inventadas pelos próprios veículos de comunicação.
Esta imprensa que condena a intervenção direta dos Estados nas suas economias, uma insalubre luva para a mão-invisível do Smith repaginado, afirmando que esse gesto desesperado é prenúncio da queda do neoliberalismo, é a mesma que defende que o Brasil reaja, militarmente se necessário, para defender empresas privadas e transnacionais no Equador por uma suposta bandeira brasileira em seus mastros. Nasceu um paradoxo onde ele simplesmente não existe. A intervenção do Estado é inevitável para salvar alguns colapsos econômicos, bem como é o primeiro que terá que afrouxar o cinto da ingerência sobre a economia quando os ventos neoliberais soprarem com mais força. Talvez exceto Bush dado a sua questionável sapiência, todos os chefes de Estado não tomam um único paradigma em suas análises. Adotam inúmeras e inúmeras, contratam pesquisas e mais pesquisas, fazem um tira-teima melhor que o do futebol, e ainda assim erram feio por inúmeras vezes. Estamos falando de nações poderosas, também de um Brasil que deseja firmar o pé entre os sócios do Country Club do mundo (o Conselho de Segurança da ONU), e a nossa apocalíptica imprensa brasileira trata tudo como um debate acadêmico, com um monte de professores completamente empoeirados dando aulas para Jecas-tatu que acabaram de ganhar uma bolada na loteria quando todos os vizinhos ainda estão com suas barrigas cheias de lombrigas.
Agora, inúmeros amigos sinceros me questionam: - qual é a sua de procurar análises aprofundadas em veículos de informação (à princípio, não é função deles de fazer essas análises, mas do leitor e também de pesquisadores). Justamente por ser hoje uma postura formalizada desses veículos de se apropriarem do papel de formadoras de opinião, porém emitindo sempre opiniões distorcidas, sofríveis, e inúmeras vezes inverídicas. A pior "barrigada" que a imprensa pode dar é aquela quando ela se apropria do papel de formadora de opinião de maneira irresponsável, alarmando a população sobre inverdades. A invasão de marcianos narrada virtuosamente por Orson Wells parece que não ensinou nada para a imprensa brasileira. Um verdadeiro crime contra o povo.
Então, eu também vou dar uma surfadinha na marolinha do fim dos tempos: A crise econômica vai passar, e o capitalismo vai se transformar independente de crise ou não. Ela se transforma todos os dias, à cada renovação de sua exploração dos meios de produção. Alguns países ficarão mais fortes, outros mais fracos, mas não será de imediato que a disposição entre os atuais ricos e pobres será alterada. A Rússia e os Estados Unidos não irão protagonizar a III Guerra Mundial, tão pouco a Rússia irá organizar um novo bolchevismo internacional com os tradicionais satélites e Krushevs simplesmente porque o saudosismo da Guerra Fria faz com que Putin se transforme da noite para o dia em um saudoso desses tempos. Lula não irá alçar o terceiro mandato, bem como não invadiremos o Equador, nem a Colômbia atrás de narcotraficantes, nem a Venezuela, nem mesmo a Argentina por ter uma seleção consideravelmente melhor que a nossa (por mais que esse seja o melhor motivos para qualquer intervenção direta!). O reconhecimento do Líbano enquanto país independente pela Síria é um início de conversa, mas não a solução de seus problemas. Os movimentos militares coordenados por Venezuela e Rússia não são uma resposta ao Brasil, mas uma resposta à IV Frota dos EUA e a sua tomada de partido no conflito Rússia e Geórgia. A Geórgia não é o mocinho da história. E Bush continuará sendo um mentecapto mesmo depois de derrotado pelo Partido Democrata nessas eleições. E o fato de ser McCain ou Obama, para nós aqui da terra onde têm palmeiras onde canta o sabiá (e também corinthians onde canta os gaviões), muda muito pouco e continuaremos tendo os Estados Unidos enquanto nosso principal cliente e ao mesmo tempo credor.
Mães Dinás e Nostradamus da imprensa brasileira que se cuidem!

30 Setembro 2008

Saiu a primeira reforma: a da língua Portuguesa!


Quase completando o final do sexto ano de Governo Lula, demos nosso primeiro passo em uma das inúmeras reformas pendentes: a reforma da língua portuguesa. Apesar de todo o faniquito que os meios de comunicação desejam mostrar, trata-se de um acordo tímido, bem à brasileira, diga-se de passagem. Fiz questão de analisar, palavra por palavra, essas frases acima, e elas estão simplesmente de acordo com ambas ortografias, ou seja, a nova e a atual. Bem à brasileira, pois é uma reforma tímida, que altera menos de 0,5% da ortografia e simplesmente nada da gramática lusófona. Pior para nossos irmãos de lusofonia, que terão mais de 1,5% de mudanças e que, de fato, vai obrigar muitos a voltarem às aulas de português para não ficarem atrasados diante do mundo.
Em 1990, o Brasil concordou com uma ainda mais tímida reforma ortográfica. Concordou mas não a aplicou. Naquela reforma, caiu o trema, mas ele resistiu com bravura. Nessa feita, ele foi para as cucuias de vez, e com inúmeros investimentos que provam que as mudanças são mesmo para valer. Não nos resta outra coisa senão ficar atualizado quanto à nova ortografia.
Na minha opinião, a reforma ortográfica foi sim muito tímida, não mudará tanto assim a vida do brasileiro, e não solucionou alguns verdadeiros dramas daquele que está nos bancos escolares. Por exemplo, continuam os mesmos dramas do uso da letra agá, da letra cê e da letra xis. Simplesmente não há uma regra clara e lógica do qual informe se devemos escrever "hipopótamo" ou "ipopótamo", se devemos escrever "cimeira" ou "simeira", ou o clássico do "xá" ou "chá" e "xarope" ou "charope". Elas simplesmente são assim e ponto, sem maiores explicações, sem uma lógica de fato, apenas as históricas. O uso da crase sequer foi cogitada, e dez entre dez brasileiros possuem sérias dificuldades no uso dessa acentuação gráfica. Aquele monte de "porquês" (Por que, Porque, Por quê e Porquê) continua e se olharmos de perto, não informam tudo aquilo que dizem que informam - se é pergunta, se é resposta, e outros afins.
Tal reforma é consideravelmente mais impactante para os demais países, por foi utilizada a lusofonia brasileira como base, inclusive nas mudanças. Nova Iorque, que sempre foi em português escrito assim, passa a ser escrito, segundo a lógica da nova reforma, Nova Yorque. No Brasil é comum esse uso pelo populacho em dias atuais, mas nos demais países de língua portuguesa não. Idéia passa a ser escrito ideia, e que sinceramente, desde que comecei a utilizar o MSN, há tempos que não vejo ninguém escrevendo com a acentuação que a palavra requer. Agora, palavras como "facto", "acção", tão comuns na terra de Camões, irão adotar a grafia à brasileira (fato e ação). Em Moçambique e Angola, por exemplo, o impacto é consideravelmente maior. E nem consigo imaginar como é que será em Macau, onde a influência do Mandarim e do Cantonês faz da língua portuguesa mero símbolo de um período de ocupação lusitana naquelas plagas.
O que irá causar confusão será o uso do já confuso hífen, que até hoje não sei qual o motivo dela ser escrita com êne no final. Microondas passa a ser micro-ondas, e guarda-roupa passa a ser guardarroupa. Continua confuso, e a reforma não facilita em nada nossas vidas nessa questão. No que diz respeito ao valente trema, temo apenas pela fonética da palavra, pois o som provocado pela palavra lingüiça é consideravelmente diferente da palara linguiça. E, por fim, o acento diferencial é meu principal temor, pois se corre o risco de simplesmente não entendermos o que se está escrito em uma oração. "Não por acaso" significa uma coisa, "Não pôr acaso" outra completamente distinta, e tão somente o acento diferencial nos salva da confusão. Ainda assim, são tão poucos os casos em nossa língua que só o acento diferencial salva, que simplesmente não causará maiores alvoroços em nossas vidas. Bastando apenas um pouco de consideração por parte de quem escreve em se esforçar para que determinadas dúvidas não surjam para que possa ser bem compreendido.
Concluindo: não há motivo para pânicos! Basta se atualizar e desde já se acostumar com a tímida reforma ortográfica de nossa língua. O que pode ser até um incentivo para aqueles chatos que insistem em nos corrigir, os policiais da língua: afinal, prestarão um favor nessa fase de adaptação.
Ósculos e amplexos e bons estudos!

25 Setembro 2008

O melhor do mau humor...




(Talvez esse exílio de ti)


Michael Genofre




Bem aqui me falta um pedaço.
Começa no meio do peito,
Termina do lado do baço.
Um choro contido em plena avenida,
Retrato em branco e preto de mim mesmo,
Acenando sem resposta para o espaço.
Procuro na claridade motivos,
Mas a escuridão rouba-me o comentário.
Talvez esse exílio de ti, talvez,
Talvez véspera de aniversário.
Não importa a que horas acordo,
Tenho a impressão do não dormido.
Pilhas de roupas esperando o céu perfeito,
Não há dia perfeito há semanas
Nesse céu do Criador, desse fim de inverno molhado.
Noto cada barulho falando por mim.
Mas é o do ouvido sob a àgua o que me aterroriza.
Abro os olhos, ainda submerso, e aquela paz me incomoda.
Gritar? Seria incoveniente sim.
Reclamar? Minha mente não me autoriza.
Dia e noite, feijão e massa, tudo é nada, tudo água.
E assim, passam-se os dias, e simplesmente sobrevivo
Ignorando a ausência desse pedaço de mim.
Finjo sorrisos, fujo olhares.
Escorro pelas mãos.
Temo escuridão,
Solidão,
O chão,
O não,
A mim.




(One more cup of coffee)


Bob Dylan


Your breath is sweet and your eyes are like
Two jewels in the sky.
Your back is straight, your hair is smooth on the pillow where you lie.
But I don't sense affection no gratitude or love.
Your loyalty is not to me but to the stars above.

One more cup of coffee for the road!
One more cup of coffee 'fore I go!
To the valley below!

Your daddy he's an outlaw,
And a wanderer by trade.
He'll teach you how to pick and choose,
And how to throw the blade.
He oversees his kingdom,
So no stranger does intrude.
His voice it trembles as he calls out for another
Plate of food.

One more cup of coffee for the road.
One more cup of coffee 'fore I go.
To the valley below.

Your sister sees the future like your mama and yourself.
You've never learned to read or write there's no books upon your shelf.
And your pleasure knows no limits and your voice is like a meadowlark.
But your heart is like an ocean mysterious and dark.
One more cup of coffee for the road.
One more cup of coffee 'fore I go.
To the valley below.

19 Setembro 2008

Um pouco sobre mim...

Talvez igualável apenas pelo "Pasquim", a revista MAD foi marcante para a história do Brasil. Ao encontrar o sítio não-oficial da Revista Mad, (http://www.micromania.com.br/), onde se encontram todas as capas publicadas no Brasil desde sua primeira edição, passei a respeitar mais essa revista. Ela foi marcante, e suas capas ilustram com maestria excelentes passagens da minha vida. Compartilho com meus amigos e amigas um pouco sobre mim, ilustrado por algumas capas da revista MAD...
Ósculos e amplexos
Michael Genofre
[PS* Antes que me perguntem, adorava as charges de canto de página do Don Martin, mas meu preferido era o Spy vs Spy]


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Setembro - 1978: Óbvio que não me lembro dessa publicação, apenas está aqui por referência ao mês que nasci. Uma das principais características da MAD é o de ilustrar em sua capa aquilo do qual é o maior assunto pop do momento. "Os Embalos de Sábado à Noite" viriam a se tornar um ícone no Brasil e no mundo. Quem não se lembra ou satiriza os passinhos de Travolta até os dias de hoje? E, segundo minha irmã, estreou no começo de setembro em Curitiba, Cine São João, na época, o maior cinema da capital paranaense [careço de uma fonte oficial, mas vou procurar amanhã mesmo na Biblioteca Pública sobre essa confirmação].



Outra coisa digna de nota: lembrem-se que é uma revista completamente anárquica, que teve sua publicação no Brasil nascida em meados da década de 70, pleno período de chumbo no país.









Março - 1985: Senhores do juri, admito, eu dançava igualzinho aos Menudos, e peço-vos que "no me reprima". Aliás, trata-se de um período valioso para mim, pois os quatro irmãos moravam juntos na mesma casa. Assistia "Perdidos na noite" com meu irmão Moacir, e comendo suas deliciosas panquecas doces (que ele chamava de vira-prato); Viva a Noite com a minha irmã Fátima (do Gugu Liberato, e a dança do passarinho "tchu-tchu-tchu-tchu"); e ensaiava os passos de Rick, Robin, e compania com a minha irmã Mara. Quem nunca pagou um mico com boy band que atire a primeira pedra!






Neste mesmo ano, o comecei a me interessar por futebol, o Coritiba sagrara-se campeão brasileiro de futebol, e no cinema, assisti "Goonies".















Dezembro - 1985: Desculpem-me o salto no tempo, mas somente com sete anos de idade é que a televisão passou a fazer parte da minha vida com maior intensidade. E foi com o fenômeno de Roque Santeiro que a tele novela entrou na minha vida. Hoje, não suporto nenhuma, e até me irrito com diversas delas. Mas lembro-me que, naquela época, foi uma novela de enorme duração, se não me falha a memória, durou mais de um ano (contrariamente aos tradicionais nove meses que geralmente duram as novelas). Lembro que a viúva Porcina chamava o sinhôzinho Malta igualmente a um cachorro, e se tratava do sujeito mais malvado de todo o elenco. "Tô certo ou tô errado?".




Lembro-me de minha primeira televisão. Ela era preto em branco, trocava-se o canal na própria televisão, e toda vez que se fazia isso, tinha que mover uma espécie de anel que existia no próprio botão de canais para melhor sintonizá-los. Ah! Sem se esquecer da palha de aço na antena para "melhor nitidez". Quando desligava a televisão, ficava um ponto claro bem no meio da tela que foi o responsável por alguns sustos em meu quarto! Senão me engano, essa televisão era de meu irmão, e que por algum motivo foi parar sob meus cuidados. Na sala, havia uma televisão gigante, colorida, hoje comparável com as de plasma. Na época, artigo de luxo na maioria das casas brasileiras.







Abril - 1987: A televisão influenciava por demais a minha vida, e acho que a de todos os brasileiros. Pela televisão comecei a me interessar por política, afinal, a idéia de uma constituinte num Brasil democrático mexia com corações e mentes em todos os lares, e lá estava o jornal mostrando os bastidores. Havia uma infantil e saudável brincadeira entre meus amigos sobre o que deveríamos colocar na Constituição. Era algo como se você se perguntasse o que faria caso ganhasse na loteria. Imaginávamos capazes de elaborar leis e mais leis, e assim brincávamos de deputados da constituinte. Todos os estudantes deveriam ter o direito a um recreio de uma hora! Era a minha proposta.




A Aids estava também muito presente em nosso cotidiano. Na época, acreditava-se que se tratava de uma doença de homossexuais ou de quem usava drogas, mas a loucura ultrapassava o preconceito, e enxergavamos a possibilidade de se pegar Aids até mesmo jogando bola. E tomei contato com meu primeiro som musical, vamos dizer assim, adulto, com Cazuza.





Março - 1989: Eu ia colocar a capa de minha primeira edição lida do MAD, mas, para que esse post não fique ainda mais comprido, resolvi dar mais um salto no tempo. Para explicar essa capa, eu precisaria colocar mais algumas outras, a fim de que possam ver o galope da inflação. Mas a coisa pode ser explicada mais ou menos assim. Ao se observar as capas do governo Sarney, notamos que o valor da revista subia sempre Cz$ 20,00 (Cz$ = Cruzado) de uma edição para outra. Nos quatro meses que antecederam essa edição, a inflação fazia com que o preço da revista galopasse em média Cz$ 100,00. Com o Cruzado Novo, a revista passou a custar NCz$ 0,59 (Cruzados Novos), uma operação bastante simples: cortavam-se os três últimos zeros do antigo cruzado, e tinha-se um cruzado novo. Essa capa foi fantástica, pois a catástrofe do naufrágio do Bateau Mouche (o Titanic Tupiniquim) ainda estava vivo em nossas mentes, e mais um plano havia sido publicado (e mais uma vez o povo brasileiro dizendo que não iria dar certo). 1989 foi o ano em que eu fui para meu primeiro congresso estudantil, e também foi o ano de minha primeira eleição de grêmio, que infelizmente, perdi. Minha chapa? Chamava-se "Força Jovem", que perdeu para a chapa "Poder Jovem". De lá para cá, coleciono nomes de chapas nada criativas.


Outubro - 1992: Realmente, poderia escrever sobre praticamente cada capa do MAD. Aliás, pretendo fazer um livro sobre a minha vida, e pretendo ilustrar com alguma referências daquela época. Escolhi dar um salto para o significativo ano de 1992 para mim. Haviam diversas capas que eu poderia colocar para ilustrar o ano de 1992, mas escolhi essa pela lembrança que o fenômeno Família Dinossauro foi para mim. Eu lembro que eu saia correndo da escola para chegar a tempo para ver esse programa. Foi no ano de 1992 que eu "fugi" de casa, para morar alguns meses com minha irmã; foi o último ano de vida de meu pai; eu e minha mãe passávamos por um de nossos maiores apertos financeiros de nossas vidas e morávamos em uma kitinet do qual dividíamos espaço com o ateliê dela; foi o ano do Fora Collor, e que eu considero que de fato passei a militar no movimento estudantil, o início de uma jornada de 16 anos; minha primeira namorada; minha inicicação sexual (que não foi com a primeira namorada); alguns de meus melhores amigos conheci nesse ano e eles estão comigo até dias atuais; primeiro porre; primeira grande bobagem de adolescente ... ufa! Considero o ano de 1992 o ano em que acabou a minha infância!
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Queridos amigos....
Resolvi parar um pouco aqui, em 1992... A cabeça está já doendo de tantas histórias. Mas, irei escrever mesmo meu livro com as ilustrações que eu for encontrando. Algum dia, publico aqui o restante de minha história.
Ósculos e amplexos!

04 Setembro 2008

Atletas de alto rendimento: proletários do esporte!



Não são poucas as histórias de revolta e atitudes que levaram atletas "dourados" a protestarem contra a realidade de seus países. Mohamed Ali, que jogou da ponte sua medalha em protesto ao preconceito racial nos EUA; os Panteras Negras, que do alto do pódium ergueram sua mão cerrada; e Cielo, do Brasil, revoltadíssimo com a falta de patrocínio e falta de apoio da CBDA, mandando um recado direto: "eles (a CBDA) só querem é encher o saco!". Defenderam seus países no esporte, bem como continuam os defendendo ao denunciar as mazelas do cotidiano, ainda que por diversas vezes por motivos bastante individuais. Notória autoridade para poucos, e enorme descaso para com quase todos, situações que convivem os atletas em praticamente todos os rincões do planeta. São os proletários do esporte!


Simplesmente não há diferença entre o garoto pobre que deseja ser médico e o garoto que deseja ser jogador de futebol. Ambos dificilmente entrarão no "country club" dos bem sucedidos de qualquer uma das duas carreiras. Isso se, quase que milagrosamente, consigam chegar a entrar na universidade, seja de medicina, seja dos grandes clubes profissionais. A realidade é a mesma para ambos: é mais fácil serem forçados a abandonar seus sonhos a realizá-los. Entre o início e a glória, nenhum incentivo, inúmeras situações onde sequer direitos possuem, e uma carga de alienação tamanha a ponto de não conseguirem reagir contra os seus opressores: em ambos os casos, as grandes organizações privadas transnacionais. Até a glória, passam fome, são robotizados, treinados a aceitar como se de cabresto. E ao atingirem, algum destaque nas manchetes, e retornam para a dura vida desigual e desumana de suas sociedades. A foto de Cielo no alto do pódium estampada na capa dos jornais possui o mesmo efeito da foto do trabalhador dependurada na parede da empresa com os dizeres "funcionário do mês".


Para cada gol do milhardário Ronaldinho, o fenômeno, novos milhares de dólares entram em seus bolsos por ele ter usado a chuteira da Nike. Essa mesma Nike, que poderia patrocinar milhares de atletas, opta em patrocinar algumas dezenas. E essa mesmíssima empresa, suga de milhares de trabalhadores suas vidas para colocar alguns milhares no bolso de Ronaldinho, e alguns milhões nos bolsos de seus executivos. Extremamente lucrativo, para a Nike, bastante lucrativo para Ronaldinho, nada lucrativo para os trabalhadores da Nike, e a situação de total desamparo para o filho do trabalhador da Nike, que por não ter o que calçar, não pode ir à escola, sequer chegar a uma universidade de medicina. Mas a preocupação de nossos doutores, bem vestidos, e que batem bola para se divertir e com as mesmas chuteiras daquele gol que Ronaldinho fez, e que por isso ganhara alguns milhares de dólares, é apenas se o Brasil ficou à frente da Argentina no patético quadro de medalhas.


No esporte, assim como na divisão social do trabalho, basicamente há apenas duas classes: dos opressores e dos oprimidos. E quando atletas como Cielo se manifesta em denúncia, espanta os mais conservadores, enquanto os trabalhadores, alienados por seus trabalhos, não percebem que a realidade de Cielo é exatamente a mesma das suas: a de operar verdadeiros milagres a fim de ter segundos de glória, enquanto a grande parte da vida sequer possuem oportunidades, quanto menos incentivo por parte das instituições concebidas para prover as necessidades de seus povos. E, assim como aconteceu com Cielo, que um dia após a denúncia foi "obrigado" a baixar a guarda e aceitar as condições da CBDA, seu comandante-em-chefe, muitos trabalhadores são obrigados a aceitarem as condições de seus gerentes para que não percam a única condição de sobrevida no desigual sistema: seus salários.


Os atletas podem e devem cumprir a missão de se rebelar contra seus patrões. Nada têm a perder, senão seus grilhões. Atletas de todo o mundo, uni-vos (aos demais proletários de todo o mundo)!

31 Agosto 2008

ENEM 2008 - Fácil, porém cansativa!



Desde que o ENEM virou pré-requisito obrigatório para disputar as bolsas do PROUNI (que queixem os mais fundamentalistas, mas é hoje a melhor opção para o trabalhador fazer uma faculdade), seu interesse por estudantes em todo o país cresceu em progressão geométrica. Nessa edição, realizada hoje, eu fui um dos mais de quatro milhões de estudantes que sofreu por horas e horas numa cansativa prova de 63 questões e mais uma redação.


Não desejo opinar sobre o processo, nem tampouco sobre os ônus e bônus do ENEM. Gostaria apenas de expressar minhas opiniões específicas sobre a prova propriamente dita.


A preocupação com o meio-ambiente é o grande tema do ENEM, como todo mundo sabe. Foram sete edições, das onze realizadas e contando com a de hoje, em que tanto a redação quanto boa parte das perguntas objetivas versaram algo sobre o meio-ambiente ou esse serviu para ilustrar algum outro tema. A introdução de novos valores acerca do porquê preservar a Amazônia, tanto do aspecto de sobrevivência humana, quanto por motivos econômicos e estratégicos, fizeram com que diversas perguntas, e algumas delas realmente inteligente, colocasse um "bocadinho" de opinião não-imbecilizante nas cabeças de nossos futuros vestibulandos e vestibulandas. As perguntas "dadas", tradicionais em qualquer prova, avisavam qual era o pensamento reinante em toda a prova: quem "fabrica" chuvas no Brasil, em quase todo o território nacional, é a floresta tropical amazônica. Que tão somente uma preservação sustentável não basta, mas que não se pode também preservá-la de maneira intacta. Ao mesmo tempo, que cada floresta brasileira tem sua particularidade e que nem todas são capazes de um crescimento sustentável. E, por fim, a solução está longe de um consenso. E, de brinde, o estudante teria uma redação para concordar com isso, ou praticar pura metafísica com argumentos de que é possível qualquer solução imediata.


Sobre esses aspectos, achei a prova bastante inteligente. Interdisciplinar do começo ao fim, algumas questões mais complicadas, muitas fáceis e que dependiam apenas de uma boa dose de paciência e atenção na leitura das questões, a alguma ridículas de tão simples (alguns gráficos que me lembraram aquele livro "onde está o Wally", cujo único desafio era encontrar no próprio gráfico o valor desejado, sem conta alguma ou sem maiores teorias em suas interpretações). Por outro lado, 63 questões e mais uma redação em um prazo de seis horas é realmente massacrante para o estudante. Para se responder cada questão com toda atenção desejada, o ideal seria que o estudante tivesse pelo menos cinco minutos em média para cada questão e mais duas horas pelo menos para a redação, com um intervalinho de uns 15 minutos entre uma parte e outra, com direito a troca de opiniões para refrescar a cabeça (utilizando a simples matemática, daria um total de 5 horas e 15 minutos para as objetivas, mais 15 minutos de intervalo, e mais duas horas para a redação, formando um total de sete horas e meia). Ou melhor ainda, diminuir para 30 questões e uma redação seria o ideal para as seis horas de prova.


Ainda não sei se fui bem ou mal. Quando faço a prova, costumo esquecer dela e aguardar o resultado. Para não ficar sofrendo com o gabarito. Mas, como tenho o hábito de ler toda a prova antes e eleger uma prioridade (começo pelas mais difíceis, por ter todo o tempo do mundo), para depois partir para as mais fáceis, e então, vou no banheiro, lavo o rosto, dou um tempo, e volto novo para a redação; fiquei quatro horas e meia na prova e mais trinta minutos na redação. Cinco horas de prova, e isso porque simplesmente não dei toda a atenção do mundo para aquelas que elegi como mais fáceis por não mais aguentar todo aquele massante ataque ao meu intelecto.


Realmente muito cansativo. Nem mesmo aquelas mesinhas com bolachinhas para "gentilmente" realimentar a carência por glicose tinha no ENEM. E a pressão para que não se leve nada é igual a qualquer concurso ou vestibular. Só podia água ou comer no banheiro - o que não é nada agradável (depois descobri que apenas a minha sala é que estava com essa tirania toda, pois os demais estudantes falavam que comeram e beberam tranqüilamente).


Enfim, inteligente, relativamente fácil, porém bastante cansativa essa edição do ENEM. Quando sair o meu resultado eu farei questão de publicar nesse blog. Mas, por enquanto, fica apenas as minhas impressões.


Ósculos e amplexos.

20 Julho 2008

Rodada de Doha e mais alguns vinhos





A Rodada de Doha: atletiba? Desde quando?



Se alguém ainda tinha dúvidas se a política externa brasileira havia ou não superado seu eterno paradigma de submissão ou eqüidistância pragmática na relação com os Estados Unidos, o Chanceler Amorim terminou de saná-las. Ao comparar a relação que os países do Norte possuem no que diz respeito à política alfandegária para a agricultura, tascou uma comparação com o pensamento do nazista Göebbels, o famoso "uma mentira dita cem vezes se torna uma verdade". A paulada foi endereçada para a União Européia e para os Estados Unidos que, prontalmente, classificaram como "comparação baixa e infeliz" de nosso Ministro.



Não há motivos para tanto faniquito, como quer informar ou passar a impressão o nosso conhecido Partido da Imprensa Golpista - PIG. Foi uma paulada do porta-voz não apenas do Brasil, mas de todos os países do Sul presentes na prévia da reunião da OMC e mais uma tentativa para concluir a interminável rodada de Doha. Não se trata de um Ministro desiquilibrado, conforme Gazeta, Estadão e Folha tanto afirmaram. Tampouco se trata de uma representante dos Estados Unidos ofendida com a comparação simplesmente por ser filha de sobreviventes do holocausto. Nessa crítica da razão tupiniquim, ou a síndrome de Poliana, como queiram, não se trata de uma preparada representante por ser estadunidense e um despreparado brasileiro. Trata-se de uma crítica dura e necessária sobre os crimes que os países do Norte cometem contra os países do Sul, e o desconforto nada mais foi que um tempo para que a diplomacia do Norte se recupere do soco levado.



Lembro-me de quando a Senadora Heloísa Helena, para cada três discursos no Senado, dois ela comparava o pensamento de alguém com o famoso pensamento de Göebbels. E o mais impressionante era que nenhum dos excelentíssimos pares se ofendiam por conta de ter seu pensamento comparado com uma das mais fortes expressões do nazismo, ou pior, por ser chamado de mentiroso. Ora, era por ser uma frase fácil, de interpretação simples, dita por alguém que não tinha força política qualquer em meio aos mandos e desmandos da Alta Casa. Além de se estar em casa. E essa frase do Secretário de Comunicação do Partido Nazista se tornou freqüente em diversos representantes do povo brasileiro, das camadas intelectuais, e principalmente na academia. Jamais saindo da sacada ou da cozinha de nossa amada Pindorama.
Estamos falando de Celso Amorim, diplomata de carreira e por três mandatos presidenciais Ministro das Relações Exteriores. Ícone da intelectualidade profissional pública. E que, na Rodada de Doha, fala em nome de todos os países-membros da OMC do Hemisfério Sul. O Chanceler possui não apenas um Ministério competente, mas como também o que há de melhor no que diz respeito à assessoria, uma das melhores do mundo. Denunciou uma mentira do Norte para escravizar o Sul, e o Norte acabou mesmo desqualificando Amorim para ganhar tempo, afinal a denúncia veio de nada mais nada menos que o até então sempre tratado enquanto quintal ianque. Mais uma prova de que o Brasil assume de vez uma política internacional independente, compromissada com o seu desenvolvimento e fortalecimento político no cenário mundial.



Enquanto a imprensa taxa o "incidente" diplomático de ato de ignorância de nosso chanceler, esse, com muita sobriedade, informa que cedo ou mais tarde o Sul terá que negociar com o Norte precisando ainda mais do Sul. E que dessa forma, não aceitará uma negociação de afogadilho. E o gesto foi aplaudido pelos países representados. E quanto à nossa ofendida ianque, bom, ela recebeu um pronunciamento oficial do MRE: "Não pedimos desculpas, pois não há o que desculpar; mas aceitamos o recuo que vocês têm que fazer cedo ou mais tarde em nome dos povos do hemisfério Sul."



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Bodega Privada Merlot
Botella 44281 - Mendoza, Argentina
Levemente maduro, demora para abrir (20'). Rubi-violáceo, indo para tons mais avermelhados. Bouquê de frutas vermelhas, um pouco abaunilhado, com leve notas de tabaco. Na boca é suave, apesar do desequilíbrio no tanino. Bastante adstringente, porém sua permanência é curtíssima. Sugiro que se evite esse vinho, antes mesmo de se começar a degustá-lo, ele se mostrou bastante frustrante. R$ 9,90 no Wal-Mart. Nota MG 74,0.


Tempus Alba Cabernet Sauvignon 2004 - Mendoza, Argentina.



Depois de ter provado o Marques del Turia, e o Bodega Privada, a redenção dos três eleitos pela relação custo-benefício foi o Tempus Alba Cabernet Sauvignon 2004. Devidamente maduro, com um vermelho-atijolado e lágrimas bem mais generosas que o Marques e o Bodega Privada, e um buquê que abre imediatamente após se retirar a rolha. Frutado e floral, com uma suave baunilha, e um certo quê de acetona, e um outro quê de condimentos apimentados. Na boca, é bastante suave para um Cabernet Sauvignon. Taninos bem equilibrados, álcool quase imperceptível, e baixa acidez - o que surpreende por ser um Sauvignon de Mendoza, porém sua permanência é curta, sobrando no final somente os aspectos mais adstringentes de todo Cabernet Sauvignon. Na medida em que o vinho vai trabalhando, vai emagrecendo, até ficar aguado. Apesar de seu início ser bastante promissor, acabou se revelando mais um vinho mediano. Sendo bastante gentil, daria uma nota de MG 78,0. R$ 14,90 no Wal-Mart; 14% Vol. Alc.




Nota de pesquisa: o Tempus Alba Cabernet Sauvignon ter se aberto rapidamente foi uma surpresa agradável. Cepas como C. Sauvignon, Franc, e Merlot produzidos em Mendoza, principalmente "ao pé dos Andes" costumam ser demorados para abrir. Tabaco e baunilha é outra característica marcante para essas cepas de Mendoza. Não ter essas duas características acaba sendo uma raridade. Outra curiosidade que encontrei sobre as cepas de Mendoza é o rápido clareamento de seus vinhos. Logo, um Cabernet Sauvignon mais atijolado não é sinônimo de vino maduro.