É extremamente fácil atacar nomenclaturas, e é só isso que o senhor Heitor Reis faz em seu texto “Bienal: alienação da UNE”. Notadamente um militante do PSTU, diz-se decepcionado ideologicamente tanto com o PT tanto com o PCdoB. Ora, afinal de contas, qual fora a decepção por uma proposta da qual nunca se fora partidário? Trata-se de um ataque raivoso àquilo que o senhor Heitor e consortes sempre atacaram, e não se trata do capitalismo, mas tão somente às forças de esquerda. Esta prática, cansativa e em nome de uma má interpretada necessidade de denunciar as mazelas sociais, em nada soma à vitória operária na luta de classes, em nada soma ao processo revolucionário. Mas, o senhor Heitor, em seu texto, atacou tudo e todos mirando suas armas à entidade nacional dos estudantes universitários. Sob o pretexto de que a UNE tem que ser sempre uma entidade de cunho socialista e revolucionária, tergiversa a própria razão de existência dessa histórica entidade. Não nos esqueçamos que o PSTU propõe o rompimento da unidade estudantil e, praticamente, num primeiro momento tentou dividí-la por intermédio de um “apartheid” via movimento de executivas de cursos, e agora através de uma UNE própria e mal elaborada de alcunha “CONLUTE”.
E, em seu referido texto, Reis defende a tábua rasa do pensamento comum pequeno-burguês como se fosse a publicação de um profundo texto revolucionário. Como? Atacando o PT enquanto traidor de seus próprios princípios e o PCdoB enquanto “puxa-sacos” da burguesia. Ora, notadamente trata-se das duas legendas partidárias de maior influência na direção da UNE e, nada mais natural para quem ataca vorazmente um inimigo que o faça começando por iludir com palavras as bases de seu inimigo. Quem se filia tanto ao PT quanto ao PCdoB, ou qualquer outro partido, o faz, no mínimo, por concordância às suas propostas, e essas em prol de seus interesses políticos ou de sua classe. O PT ampliou suas bases de maneira colossal ainda em seu I Congresso quando flexibiliza sua própria constituição e carta de princípios, dessa maneira, açambarcando todos que desejarem lutar dentro do campo de esquerda, não importando se comunista ou se pequeno-burguês reformista, mas criando condições para que se organizem em um único partido. O PCdoB, que ao contrário do que informa o senhor Reis, sempre renova seus compromissos ideológicos para com o proletariado e para com o comunismo. Não só seus líderes mencionam os “alvos básicos” como elaboram textos, discursos e organiza bases com a denúncia ao capitalismo e suas propostas de fé numa revolução, convicto de que o socialismo é etapa histórica necessária.
Além de se basear na tábua rasa do pensamento comum, comenta uma série de bobagens ideológicas que demonstram claramente sua confusão política, pelo menos àquilo que cabe a um revolucionário. Acusa, doendo mais ao PCdoB, a única sigla comunista citada, de que não mais defende o fim da propriedade, que não mais defende o fim da exploração da mais-valia, e nem anuncia como será e quando será o socialismo em nosso país. Ora, o fim da propriedade privada só acontece após a superação da necessidade de propriedade que a sociedade construiu ao longo de séculos, o fim da exploração da mais-valia só acontece com a construção do socialismo, e não existe bola de cristal futurista e com precisão absoluta, muito menos em política, e menos ainda no que diz respeito ao processo revolucionário. Isso tudo é básico a todo e qualquer um que entenda o que significa um processo político. Mas o pior é a sua violência ao achar absurdo que os comunistas não condenem o que ele chama de “financiamento da revolução com o dinheiro do patrão”. Primeiramente, todo o dinheiro está na mão do patrão, senão não haveria a necessidade de expropriá-lo. Segundo, é que a política não tem produção econômica, portanto, não há como fazer revolução vendendo agendinhas e com contribuição espontânea de seus militantes. Para a revolução ou para qualquer coisa nessa sociedade, há a necessidade de dinheiro, ou ficará no sonho do eterno gratuito, que todos sabemos, não dá certo. Por fim, o PCdoB não denuncia porque simplesmente não há a menor necessidade de ele fazer isso. Quando se faz tal ataque é apenas com o intuito de atacar outra força política da esquerda, e o PCdoB, por ideologia e prática, entende as forças de esquerda enquanto aliadas necessárias ao processo revolucionário. Então, para que enfraquecê-las? Paremos de perder tempo e passemos à construir. O inimigo são eles, os capitalistas, não nós, os comunistas.
Por fim, o senhor Reis ataca a Rede Globo, nisso não haveria problema devido ao complicado histórico de subserviência aos burgueses e suas trapaças para com o povo e o movimento social. Não se deve negar a história e com certeza denunciar os abusos da Globo faz parte do processo revolucionário. Mas o senhor Reis o faz para simplesmente atacar a UNE, e ataca a UNE simplesmente para atacar PCdoB e PT. Ora, só podemos chegar a conclusão que se trata de uma matéria que o PSTU está divulgando mas que não passa de um nocivo texto para enganar as massas. E, para as cabeças mais coerentes dessa mesma massa, no máximo, uma piada de muito mal gosto.
A Bienal da UNE é cada vez maior, cada vez mais uma prova de que os estudantes são capazes de produzir cultura e de qualidade. É um evento importante do ponto de vista político, cultural e social, e, ao mesmo tempo, um momento de confraternização entre os estudantes. E, para que se realize é necessário divulgação e dinheiro. “De onde ele vem” não deve ser a pergunta principal nesse momento, mas sim “o que foi necessário fazer ou negociar para ele vir”. Se for um dinheiro ilícito, houve a necessidade de fazer atos ilícitos, o que é inadmissível. Mas isso não ocorreu, e basta pegar a prestação de contas para ver que não. Se houve a necessidade de negociar princípios, é crime para contra os estudantes. Mas isso também não ocorreu, pelo contrário, uma das condições para qualquer atividade da UNE é a de que não haja ingerência sobre sua organização, conceito, política ou qualquer coisa que ataque as decisões congressuais e o interesse estudantil. Além da questão financeira, os maiores artistas do país, em sua maioria, trabalham na Rede Globo, e se esta não autoriza a atuação de seus artistas, e vários deles estudantes, nenhum deles poderão participar do maior evento cultural da entidade dos estudantes. É certo que durante a Bienal não foram poucas as denúncias para contra a Globo. O momento de denúncias da Bienal também existiu. E, como não foi a Globo a exclusiva patrocinadora do evento, o debate pode ocorrer com tranqüilidade e podendo até mesmo gerar movimentos e documentos sobre isso.
O texto é horrível, absurdo, nocivo e enganador. Estranha-me mais é o PSTU fazer dele documento de propaganda.
A velha e boa cozinha de Michael Genofre migrou para o Blogger! Sempre uma alquimia de coisas e mais coisas, com nexo ou não!
03 fevereiro 2007
25 janeiro 2007
Para o coração do confuso amor de Priscila.
Every little thing she does is magic! (The Police)
Fica determinado,
a fins deste, apenas sete formas do amor.
A primeira se refere a relação sexual, carnal;
A segunda, ao aspecto maternal;
A terceira, àquilo inanimado;
A quarta, ao desejo idealizado;
A quinta, às coisas do viver;
A sexta, àquilo que é de se defender;
A sétima, àquilo que é superior.
Da primeira maneira,
Oras bolas, descarta-se, obviamente,
o do tipo sem compromisso.
Não dá para ser omisso,
Há de ter algo implícito.
Para ser então amor,
Deve-se sentir com alguém como se pra sempre se queira.
Da segunda maneira,
Não carece ser o da mãe, exclusivo.
Pode ser pelo irmão, primo, um ente querido.
Porém tão forte quanto, é somente da genitora.
Da alma protetora, que daria a própria vida,
Para renascer, se preciso, o fruto do seu ventre.
Da terceira maneira,
Pode parecer mesquinho,
mas há de ser considerado.
Quem nunca se perdeu de amores,
por um objeto inanimado.
Aquele urso de pelúcia, ou aquele carrinho
desde a infância guardado.
Da quarta maneira,
o amor é um pouco mais pesado.
Um apego àquilo que na idéia foi formulado.
De febre insana se provocado.
De desmoronar castelos se usurpado.
Mas hilário se para outrém contado.
Da quinta maneira,
ninguém se dá conta, exceto se for dele privado.
É aquele comichão danado,
para fazer o que sempre se fez toda a vida.
É o tal do “vestir a camisa”
e teimar ir em frente.
E, quando o desânimo o abater,
Seu amor por ele te faz agradecer por estar ainda vivo.
Da sexta maneira,
confunde-se com honras.
Mas, naquilo que se materializa,
torna-se mais violenta que peste bubônica.
É a pátria do soldado, o partido do comunista,
a ira do derrotado, o aplauso do artista.
A sétima, não poderia faltar.
Use chapéu para lembrar.
Sobre você há sempre algo para amar.
Um amor maior, que serve para te orientar.
Se Deus, Astros, Sol, Buda ou Iemanjá,
só se mudam as orações e a forma de contemplar.
Enfim, tudo isso é o amar.
Se resta dúvidas, também não precisa perdoar.
O amor, que ao mesmo tempo tão complexo,
É sublime, e ele, por si só, não tem a menor
necessidade de perdoar.
24 janeiro 2007
A morte do dente opressor
Era apenas um dente. Um simples e qualquer dente. Irmão de tantos outros mais velhos ou mais novos. Com o tempo, este dente foi adoecendo. Já não mais cumpria bem a sua função. E, quando tinha que cumprir suas obrigações de dente, forçava os demais a produzirem muito mais para compensar a falta de produtividade do irmão dente doente.
O tempo foi passando e o dente doente foi piorando. Nem sequer produzir ele não conseguia
mais. Passou então a escravizar a sociedade dentária inteira. Tudo parecia gerar para tão somente ele. O canino picotava a carne mais vezes para ele. O molar amolara os alimentos em ritmo alucinante também para ele. E quando os dentes ameaçavam de greve, o dente doente aplicava imediata repressão. E como era longa e dolorosa a repressão do dente opressor!
mais. Passou então a escravizar a sociedade dentária inteira. Tudo parecia gerar para tão somente ele. O canino picotava a carne mais vezes para ele. O molar amolara os alimentos em ritmo alucinante também para ele. E quando os dentes ameaçavam de greve, o dente doente aplicava imediata repressão. E como era longa e dolorosa a repressão do dente opressor!
E a opressão se acentuava. Era tão absoluta, que a sociedade dentária parecia ter se acostumado com as algemas de sangue e dor. Aos poucos, os demais dentes foram assumindo novos formatos, desgastes e mais desgaste um sobre os outros. Haviam aqueles que, oportunisticamente, selecionavam o seu trabalho em nome daquele dente tirano e doente. Eram os dentes mais próximos a ele. Mas, em geral, todos trabalhavam para o dente opressor. A própria alimentação passou a se moldar segundo o gosto do dente tirano. Se algo não o agradasse, era imediatamente reprimido ou simplesmente expulso da boca, a cidade dentária. E, com o passar do tempo, vários e vários alimentos simplesmente pararam de entrar na cidade. Nem mais se perguntava se era ou não do gosto do tirano dente, simplesmente associavam alimentos semelhantes e barravam na idéia, antes mesmo da entrada na cidade.
Semanas, meses, anos se prolongaram. Tudo parecia em paz. Todos trabalhavam dobrado, quadruplicado em prol daquilo que ninguém mais sabia o motivo. Esqueceram que era para o dente opressor, ou simplesmente incorporam para si que a vida é assim mesmo. Que a dor que de vez em quando passavam era um mal necessário para a manutenção da paz.
Sem pressa, o tempo foi passando. Uma revolta pairou sobre as mentes. Poucos sabiam ou entendiam a necessidade de mudança. Idéias eram reprimidas em nome de um dogma criado pelo dente opressor.
Foi numa manhã de quarta-feira, o dente opressor foi arrancado. Sem aviso prévio, sem comemorações. A tristeza abateu sobre os demais dentes, afinal, eram todos irmãos. A boca inteira ficou dormente, sem entender o que aconteceu. Mas, lá no fundo, os cisos comemoravam. Sabiam que seu tempo de exército de reserva acabara. O opressor foi condenado ao boticão, e cumpriu-se a sentença. E foi logo na manhã da sexta-feira seguinte que, singelamente, a boca voltou a sorrir. Serão mais anos de trabalho para recuperar a beleza da cidade. Mas, não haverão mais dores, não haverá mais sofrimento. Cada qual trabalhará mais e mais, mas para o bem comum. E, no lugar do dente opressor, apenas um símbolo, porém agora produtivo, de que é necessário se livrar do opressor para que toda a sociedade possa respirar o verdadeiro e inebriante ar da paz e igualdade.
(Hoje sem ósculos, só amplexos, pois a boca ainda está dormente da revolução e execução do dente opressor.)
24 dezembro 2006
Último papo de cozinha de 2006!
“Casca de ferida, goteira na vasilha, problemas na família, quem não tem?” (Chico Buarque).
Na fulô ou na filó! Papo de cozinha de fim de ano. Antes de mais nada, desejando a todos um natal fabuloso e inesquecível. Já para o ano de 2007 desejo muitas atribulações para todos, mas com aquela certeza de vitória.
O sal da vida é a dificuldade. Tempera o ânimo e nos extasia a sensação de superação. Como haver superação sem dificuldades? Impossível. Já diziam os sábios que, para uma pessoa absurdamente otimista, é impossível ter uma surpresa agradável. Diria até mais, é praticamente impossível sequer ter uma surpresa. Mas é verdade também que, para uma pessoa absurdamente pessimista, é impossível uma surpresa agradável, praticamente impossível ter algo agradável. Portanto, esses mesmos sábios recomendavam que, ao acordar, deve-se imaginar que o dia será mesmo difícil, um verdadeiro inferno. Deve-se sair da cama pronto para enfrentar o pior dia de toda sua vida, todos os dias de sua vida. E, assim, verá no fim do dia, ao meditar, que mais uma vez a surpresa de ter tido um dia ótimo foi mais que agradável; simplesmente perfeito.
E assim é como eu ajo, diariamente, todos os dias do ano. Preparei-me para um 2006, ao término de 2005, como se o mundo realmente fosse acabar entre enxofre e óleo fervente. Mas, para minha alegria, não acabou, pelo contrário, continuou e, especialmente para mim, foi formidável.
Sabia que seria difícil. Em 2006, “aposentei-me” de minha militância na juventude. Mas jamais da luta por um mundo melhor e, certamente, socialista. Mas, precisava mudar minha forma de combate. Sai das trincheiras acadêmicas para me organizar na trincheira do relógio ponto e contra-cheques de fim de mês. Troquei o fuzil de caneta e salas de aula pelo fuzil de mão-de-obra e contra-alienação do trabalho assalariado. Mas, minhas balas continuaram sendo para meus generais, os que nos querem, pela força, canibais. A faculdade, doce sonho, mas também sofreu mudanças significativas. Termino o curso de Filosofia, mas sem colar grau. Farei a colação em outra área, em outra universidade. Guardarei o conhecimento de nossa filosofia para ser aplicada em todos os meus sentimentos, ações e palavras. Mas opto pela formação Secretarial, na Universidade Católica. Esta, para melhor qualificar-me para o concorridíssimo mundo corporativo, e ali forjar minha trincheira, minha labuta e luta.
No amor, estou milionário. Tenho em Carol, amada companheira, toda a fortuna de minha felicidade. Tudo bem que a fortuna material que poderia nos fazer ainda mais unidos, pelo menos na convivência, ainda está por vir. Mas tenho fé que é apenas questão de tempo.
Na saúde, não está perfeita, foi um ano conturbado. Entretanto, tratamentos e consultas que há anos não tomavam conhecimento da existência médica, finalmente virá a tona. Isto me deixa bastante esperançoso, completando meu “carpe diem” com o “mens sana in corpore sano”.
Por tudo isso, e alguns mais que não quis ou não me lembrei de colocar aqui, que imagino que 2007 será bem pior que 2006. Que, por todas as coisas maravilhosas que aconteceram comigo não existirão em 2007. Que aquele inferno de enxofre e óleo fervente estará ainda mais quente no ano que virá. E, justamente por todas as coisas boas que aconteceram em 2006; estou pronto para o que der e vier para o ano que virá.
Para mim, e para todos e todas. Feliz natal. E um 2007 cheio de dificuldades para todos nós. Mas, principalmente, pela superação e vitória sobre todas elas.
Ósculos e amplexos. E até 2007.
Na fulô ou na filó! Papo de cozinha de fim de ano. Antes de mais nada, desejando a todos um natal fabuloso e inesquecível. Já para o ano de 2007 desejo muitas atribulações para todos, mas com aquela certeza de vitória.
O sal da vida é a dificuldade. Tempera o ânimo e nos extasia a sensação de superação. Como haver superação sem dificuldades? Impossível. Já diziam os sábios que, para uma pessoa absurdamente otimista, é impossível ter uma surpresa agradável. Diria até mais, é praticamente impossível sequer ter uma surpresa. Mas é verdade também que, para uma pessoa absurdamente pessimista, é impossível uma surpresa agradável, praticamente impossível ter algo agradável. Portanto, esses mesmos sábios recomendavam que, ao acordar, deve-se imaginar que o dia será mesmo difícil, um verdadeiro inferno. Deve-se sair da cama pronto para enfrentar o pior dia de toda sua vida, todos os dias de sua vida. E, assim, verá no fim do dia, ao meditar, que mais uma vez a surpresa de ter tido um dia ótimo foi mais que agradável; simplesmente perfeito.
E assim é como eu ajo, diariamente, todos os dias do ano. Preparei-me para um 2006, ao término de 2005, como se o mundo realmente fosse acabar entre enxofre e óleo fervente. Mas, para minha alegria, não acabou, pelo contrário, continuou e, especialmente para mim, foi formidável.
Sabia que seria difícil. Em 2006, “aposentei-me” de minha militância na juventude. Mas jamais da luta por um mundo melhor e, certamente, socialista. Mas, precisava mudar minha forma de combate. Sai das trincheiras acadêmicas para me organizar na trincheira do relógio ponto e contra-cheques de fim de mês. Troquei o fuzil de caneta e salas de aula pelo fuzil de mão-de-obra e contra-alienação do trabalho assalariado. Mas, minhas balas continuaram sendo para meus generais, os que nos querem, pela força, canibais. A faculdade, doce sonho, mas também sofreu mudanças significativas. Termino o curso de Filosofia, mas sem colar grau. Farei a colação em outra área, em outra universidade. Guardarei o conhecimento de nossa filosofia para ser aplicada em todos os meus sentimentos, ações e palavras. Mas opto pela formação Secretarial, na Universidade Católica. Esta, para melhor qualificar-me para o concorridíssimo mundo corporativo, e ali forjar minha trincheira, minha labuta e luta.
No amor, estou milionário. Tenho em Carol, amada companheira, toda a fortuna de minha felicidade. Tudo bem que a fortuna material que poderia nos fazer ainda mais unidos, pelo menos na convivência, ainda está por vir. Mas tenho fé que é apenas questão de tempo.
Na saúde, não está perfeita, foi um ano conturbado. Entretanto, tratamentos e consultas que há anos não tomavam conhecimento da existência médica, finalmente virá a tona. Isto me deixa bastante esperançoso, completando meu “carpe diem” com o “mens sana in corpore sano”.
Por tudo isso, e alguns mais que não quis ou não me lembrei de colocar aqui, que imagino que 2007 será bem pior que 2006. Que, por todas as coisas maravilhosas que aconteceram comigo não existirão em 2007. Que aquele inferno de enxofre e óleo fervente estará ainda mais quente no ano que virá. E, justamente por todas as coisas boas que aconteceram em 2006; estou pronto para o que der e vier para o ano que virá.
Para mim, e para todos e todas. Feliz natal. E um 2007 cheio de dificuldades para todos nós. Mas, principalmente, pela superação e vitória sobre todas elas.
Ósculos e amplexos. E até 2007.
17 dezembro 2006
"Vibra, ó Brasil inteiro, o clube do povo do Rio Grande do Sul"
Parabéns nação colorada, campeã mundial!
Abel Braga, logo após o jogo, disse uma frase que, para mim, sintetizou o sentimento de todo brasileiro (exceto aquele que for gremista): - “ganhamos do melhor time do mundo!”. Sim, e com louvor! Não sou gremista, mas amanheci nesse domingo torcendo para o Barcelona. Não sou de me impressionar com os chavões televisivos, muito menos o do insistente “Inter é o Brasil no Mundial Interclubes da FIFA”. Meu senso crítico me impulsionou a torcer, no início, pelo time que possuía o melhor elenco, as melhores táticas, enfim, o melhor do mundo. Mas essa torcida pelo FC Barcelona durou exatamente quinze minutos. Pato, o menino de sorriso metálico, disputa uma bola com um dos poucos espanhóis do time espanhol e, mesmo com nítidas diferenças técnicas com superioridade para o espanhol experiente, Pato ganha a bola naquilo que é sempre o meu segundo critério de torcida: a raça! E, assim, passei nesse exato momento a torcer desesperadamente pelo time riograndense.
O colorado gaúcho me impressionou por isso. Respeitou o adversário, o poderoso adversário, mas sem temê-lo. Encarou-no de igual para igual. Fez uma marcação que assemelhava um jogo de xadrez. Compensou a disparidade técnica com a inteligência. Anulou praticamente todas as habilidades dos armadores do time adversário. Marcou em todo o campo, inclusive no de ataque. Sobreviveu à poderosa decida de Ronaldinho e companhia. Superou a também forte marcação do Barcelona. Deu sangue pelo time e, numa das pouquíssima oportunidades que um jogo tão bem marcado dá de se fazer o gol, Adriano recebe um passe difícil, corrige e mostra competência mandando por sobre o goleiro e marcando para o Inter. Uma expressão e um grito saíram involuntariamente da minha boca. A expressão de “ui”, quando a mão do goleiro do Barça esbarra na bola, e, óbvio, o grito de gol, como se eu fosse colorado desde criança.
Depois disso, o jogo ficou mais franco ainda. Tivemos, com o nervosismo do Inter, finalmente um gostinho do que é o Barcelona. Foram quinze minutos onde o Barcelona quase marcou duas vezes, uma salva pelo Clemer, e outra que a bola tomou um rumo caprichoso na cobrança de Ronaldinho. Ali, pudemos ver de quem o Inter estava ganhando mesmo. Simplesmente do melhor time do mundo. E, o futebol agradece, o povo brasileiro agradece que a raça ainda continua superando a técnica. E quando ambas estão presente num mesmo time, ainda que o outro seja mais técnico, a raça faz diferença e desbanca. Não duvido que, em seu íntimo, boa parte da torcida gremista também não tenha se emocionado ao ver aquele time vencer o melhor do mundo. Mas, querer que o tricolor gaúcho reconheça isso é impossível, e também desnecessário. Não basta ser o melhor, para ser campeão é preciso ter um algo a mais que compense. E, quem teve isso foi, para a glória brasileira, o Inter, a “Glória do desporto nacional”.
13 dezembro 2006
Sobre o artigo do Anexos
Meu camarada Marc, em seu blog “Anexos”, fez um texto muito interessante chamado “A crise da aviação no Brasil”. Como o espaço para comentários no blog é sempre bastante limitado, resolvi comentar o artigo em questão pela Cozinha, onde terei o espaço que eu quiser. Aliás, para aqueles que interessam por textos inteligentes, e com certo grau de sarcasmo, “Anexos” promete ser um blog presente entre os Favoritos.
Francamente, sustento o posicionamento dos mais incrédulos: de que a imprensa, junto com as camadas mais conservadoras da sociedade, buscam, de imediato, um bode espiatório para o caso do maior desastre aéreo na história do país do pai da aviação. Qualquer um que já assistiu um programa chamado “Desastres aéreos”, da Discovery, pode afirmar o quanto se demora, em uma investigação detalhada como a que se exige de um acidente deste porte, obtenha resultados, ao menos, satisfatórios. E, além disso, existe uma regra para os especialistas em aviação de que “é mais fácil um raio cair duas vezes num mesmo lugar que dois acidentes aéreos possuírem o mesmo motivo”.
Deixemos por um momento de lado a discussão técnica, que definitivamente, para mim, é super limitado. Analisemos o comportamento dos formadores de opinião. Primeiramente, o número de atrasos nos vôos domésticos em dias atuais estão dentro da normalidade para esse período do ano, aliás, esse é um período em que é costumas aviões atrasarem, em média, cerca de uma hora, e até duas em horário de pico. As conexões passam a ser mais elásticas, prevendo possíveis atrasos. Por exemplo, um vôo Curitiba-Belo Horizonte, com conexão em Guarulhos, fora de temporada, costuma ter vinte minutos entre o horário de chegada de um e o embarque de outro. Nessa época do ano, esse tempo de espera se dilata em mais de uma hora. Quem sabe o inferno que é uma espera por conexão sabe também que não é de hoje que viajar em temporada alta é sinônimo de atrasos, aborrecimentos, e ainda por cima de tarifas mais caras.
Porém, a busca de um bode espiatório é também tão costumas quanto as milhares de explicações fajutas que as comissárias de bordo dão quando o cafezinho acaba. A chamada “crise” no sistema aéreo brasileiro vai afetar o preço das passagens de ônibus. O que antes foram forçadas a se manterem baixas devido a concorrência com os meios aéreos de transporte, encontraram seu argumento ideal para elevar e muito seus valores. A privatização do espaço aéreo brasileiro já encontra fortes argumentos. E por aí vai. Já há economistas calculando milhares de dólares de prejuízo, elegendo tal crise como o apagão do “bode” predileto do pensamento conservador: Lula.
E o mais interessante: a solidariedade para com as famílias das vítimas do maior desastre aéreo do país desapareceu. Só, claro, sendo lembrada para argumentos aos bodes dos mais conservadores. Santos Dumont deve estar se remoendo de ódio em seu túmulo.
Francamente, sustento o posicionamento dos mais incrédulos: de que a imprensa, junto com as camadas mais conservadoras da sociedade, buscam, de imediato, um bode espiatório para o caso do maior desastre aéreo na história do país do pai da aviação. Qualquer um que já assistiu um programa chamado “Desastres aéreos”, da Discovery, pode afirmar o quanto se demora, em uma investigação detalhada como a que se exige de um acidente deste porte, obtenha resultados, ao menos, satisfatórios. E, além disso, existe uma regra para os especialistas em aviação de que “é mais fácil um raio cair duas vezes num mesmo lugar que dois acidentes aéreos possuírem o mesmo motivo”.
Deixemos por um momento de lado a discussão técnica, que definitivamente, para mim, é super limitado. Analisemos o comportamento dos formadores de opinião. Primeiramente, o número de atrasos nos vôos domésticos em dias atuais estão dentro da normalidade para esse período do ano, aliás, esse é um período em que é costumas aviões atrasarem, em média, cerca de uma hora, e até duas em horário de pico. As conexões passam a ser mais elásticas, prevendo possíveis atrasos. Por exemplo, um vôo Curitiba-Belo Horizonte, com conexão em Guarulhos, fora de temporada, costuma ter vinte minutos entre o horário de chegada de um e o embarque de outro. Nessa época do ano, esse tempo de espera se dilata em mais de uma hora. Quem sabe o inferno que é uma espera por conexão sabe também que não é de hoje que viajar em temporada alta é sinônimo de atrasos, aborrecimentos, e ainda por cima de tarifas mais caras.
Porém, a busca de um bode espiatório é também tão costumas quanto as milhares de explicações fajutas que as comissárias de bordo dão quando o cafezinho acaba. A chamada “crise” no sistema aéreo brasileiro vai afetar o preço das passagens de ônibus. O que antes foram forçadas a se manterem baixas devido a concorrência com os meios aéreos de transporte, encontraram seu argumento ideal para elevar e muito seus valores. A privatização do espaço aéreo brasileiro já encontra fortes argumentos. E por aí vai. Já há economistas calculando milhares de dólares de prejuízo, elegendo tal crise como o apagão do “bode” predileto do pensamento conservador: Lula.
E o mais interessante: a solidariedade para com as famílias das vítimas do maior desastre aéreo do país desapareceu. Só, claro, sendo lembrada para argumentos aos bodes dos mais conservadores. Santos Dumont deve estar se remoendo de ódio em seu túmulo.
02 dezembro 2006
América Latina e o congresso da UNE.
O que acontece com a América Latina, mais precisamente com a América do Sul? Está até parecendo congresso da UNE!
Este texto não possui nenhum tom de chacota. Quando me refiro ao congresso da UNE, refiro-me a alguns aspectos que me soam similares à conjuntura latino-americana. Primeiramente pela característica de que, em ambas, a união e a integração são hipóteses, mas o fato é a fragmentação. Segundo, pela característica da forte presença dos setores da esquerda.
Mesmo em idos tempos em que a totalidade, praticamente, latino-americana era governada por setores de extração liberal e, em alguns casos, claramente conservadores e de direita nacionalistas, a idéia de integração é somada ao comum pensamento dos governadores eleitos, ou impostos. Agora que as contradições neoliberais demonstram a velhacaria dos partidos conservadores, temos uma mudança de pensamento significativa nos governos latino-americanos e uma renovação da idéia de integração, porém renovação claramente no sentido popular e de fortalecimento latino-americano. A eleição de Bachelet, no Chile; a reeleição de Lula no Brasil; a certa reeleição de Chávez na Venezuela; a eleição de Vasquez, no Uruguai; a eleição de Morales na Bolívia; a eleição de Daniel no Equador; demonstram o esclerosamento das forças conservadoras e a ascenção das forças populares mais progressistas, ainda que estas forças não se organizem necessariamente em partidos ideológicos. Indo mais além, até mesmo nos países onde os conservadores se mantiveram no governo, como o México, não foi com tranqüilidade. Nesse país, tivemos um empate inédito, e bastante contestado inclusive. Se compararmos com a União Nacional dos Estudantes, que também já teve, em seu histórico, momentos em que representantes do pensamento conservador dirigiam a entidade. Em um certo momento, as forças progressistas foram substituindo de tal maneira as conservadoras que, hoje, o que vemos, é praticamente uma unanimidade a presença forte e marcante das forças progressistas no cenário congressual. Ainda que estudantes conservadores se façam presentes em todos os congressos, porém com força bastante diminuta; podemos comparar tranqüilamente com a América Latina.
Diferentemente da UNE, que passou sufoco pelas repressões, militares e neoliberais, e por isso tem seriíssimas dificuldades políticas e financeiras; essas dificuldades na América Latina são também causadas pelo sufoco devido à incapacidade das lideranças tradicionais em conduzir a política e a economia dos países latino-americanos. A coisa piora quando, na década de 80, iniciam-se as transformações mundiais operadas pelo neoliberalismo, e o atraso latino-americano nas reformas econômicas necessárias foi algo notório. O que vemos hoje é, senão um sinal claro de repúdio ao neoliberalismo, um repúdio popular às forças conservadoras. Fernando Henrique Cardoso acerta em dizer que o PSDB perdeu suas raízes, mas não no que diz respeito às bases populares como ele afirmou; mas no que diz respeito ao de sempre transitar no caminho do poder.
Com a notável exceção do Chile e do Brasil, talvez um pouco do Uruguai, o cenário político latino-americano ainda é de incerteza democrática. As estruturas políticas são débeis no quesito legitimação. E, quanto mais atrito há para que o processo de transição das forças conservadoras para as progressistas aconteça, mais intensa é a postura de radicalização de seus governantes. É exemplo notório a Venezuela, que depois do golpe de direita e do contra-golpe popular, fez com que Chávez radicalizasse sua postura para o que ele chama de “construção do socialismo do século XXI”. Bom exemplo também consiste nos governos de Bachelet e Lula. Ela, de origem ideológica socialista, ele, de origem ideológica social-democrática de esquerda; são justamente os que terão de ter condutas menos radicais, mais de coalizão. Pois a estrutura política conservadora nesses países é bem consolidada. Ou seja, se não for por meio revolucionário, pode colocar o camarada Aldo Rebelo na presidência que um Brasil progressista não acontece.
Resta saber se a integração latino-americana, daqui para frente, vai seguir uma pauta mais construtiva ou se vai enveredar pela experiência da UNE, ou seja, diversas forças progressistas na gestão, mas quase nada de integração, nem mesmo naquilo em que é comum na estratégia de suas organizações. Encerro com um pensamento de Engels: “o socialismo começou como um movimento burguês; depois que surgiu o comunismo, de características absolutamente contrárias, nunca mais os socialistas foram convenção uníssona”.
Uma outra América Latina é possível, e será socialista!
Ósculos e amplexos.
01 dezembro 2006
Com vocês: a sapiência de Rachel Genofre.
Hoje fui até a escola de minha filha. Além daquelas obrigações básicas, verifiquei os trabalhos e provinhas dela ao longo desse ano. E fiquei impressionadíssimo com alguns belos exemplares de sapiência de uma mulher de apenas sete anos, nos bancos da segunda série. Ei-los:
Pergunta: "O que é amizade?"
R: Amizade é ter amigos.
Pergunta: Descreva o desenho: um menino chutando uma bola.
"Era ma vez um menino que chutava uma bexiga. Enquanto ele sorria chutando a bexiga, Lino, chorava por ver sua bexiga ser chutada". (as pontuações foram apostas pela professora).
Pergunta: Faça um bilhete para seu pai.
Pai.
A professora mandou que o senhor fizesse uma redação para ela. Mas, veja bem o que o senhor vai escrever porque o senhor é mais inteligente que ela e ela é capaz de não entender nada. Assinado Rachel. Curitiba, quinta-feira.
Pergunta:
Escreva, em ordem crescente, os números de 1 a 100.
Resposta: em ordem crescente, os números de 1 a 100.
Pergunta:
João tinha 6 balões, tinha que dividir entre seus dois amiguinhos. Quantos balões foram dados para cada um?
Resposta: Depende, o João fica ou não com balões? Se não ficar com nenhum, três para cada um.
Te amo filha!
Pergunta: "O que é amizade?"
R: Amizade é ter amigos.
Pergunta: Descreva o desenho: um menino chutando uma bola.
"Era ma vez um menino que chutava uma bexiga. Enquanto ele sorria chutando a bexiga, Lino, chorava por ver sua bexiga ser chutada". (as pontuações foram apostas pela professora).
Pergunta: Faça um bilhete para seu pai.
Pai.
A professora mandou que o senhor fizesse uma redação para ela. Mas, veja bem o que o senhor vai escrever porque o senhor é mais inteligente que ela e ela é capaz de não entender nada. Assinado Rachel. Curitiba, quinta-feira.
Pergunta:
Escreva, em ordem crescente, os números de 1 a 100.
Resposta: em ordem crescente, os números de 1 a 100.
Pergunta:
João tinha 6 balões, tinha que dividir entre seus dois amiguinhos. Quantos balões foram dados para cada um?
Resposta: Depende, o João fica ou não com balões? Se não ficar com nenhum, três para cada um.
Te amo filha!
21 novembro 2006
Meu último sonho non sense.
Francamente, vira e mexe, tenho sonhos pra lá de non sense. Mas este se superou.
Enquanto Eleanor Rigby catava o arroz,
Padre Mackenzie guardava a prata.
Ela teve um final atroz,
E ele, disse uma homilia para o nada:
Quando tivermos sessenta e quatro anos não estaremos juntos, o aquecimento global derreterá nossos laços. Lucy, no céu, com seus carvões. Todos que você verá estarão adormecidos, mas não responderão o seu bom dia. Aquela invenção que substitui o combustível fóssil por elétrica criará tanta água de onde não existia que viveremos numa nuvem eterna. E o clube dos corações solitários mudará de nome, passará a ser união dos corações solidários. Eles farão um filme sobre um homem solitário, um novo mártir. Todos os dias, as noites serão ainda mais difíceis, e iremos continuar trabalhando como um cachorro. E, em casa, servirão-se de uma boa dose de “rhythm and blues” enquanto uma bomba nuclear, vindo da Coréia do Sul, atingir o coração da América do Norte. E, aplaudindo, estarão novamente na U.R.S.S; União das Repúblicas Socialistas Sulamericanas.
Não, não é o apocalipse. É apenas o mundo em seu apogeu. O Grand Canyon será um imenso milharal; a Amazônia marca registrada; e a Sibéria será a commodities mundial de cubos de gelo. A União Européia estará em conflito por conta da milésima tentativa de aprovar uma constituição, enquanto a Inglaterra continuará coroando a mesma família real. Descobrirão que as baleias falam, e em seu idioma, dirão aos homens “vão à merda”! A neta de Brigitte Bardot adotará um bom menino, coisa em extinção. A cirurgia plástica será item da cesta básica, e o pão será artigo de luxo. Tudo por conta da má administração dos trigais lunares, eleita em sistema de rodízio diplomático entre o clube das duas nações mais poderosas do mundo neo-liberal-pró-keynisiano.
O presidente da Suiça, último país neoliberal do mundo, será condenado à forca pelo movimento anti-terrorista ianque-anti-muçulmano. Motivo: escutas clandestinas nos sonhos do embaixador Chinês. O ar não será cobrado, fiquem tranqüilos, desde que não usem ventiladores.
Não pude ouvir mais, meu despertador tocou antes do amém. Ósculos e amplexos.
Padre Mackenzie guardava a prata.
Ela teve um final atroz,
E ele, disse uma homilia para o nada:
Quando tivermos sessenta e quatro anos não estaremos juntos, o aquecimento global derreterá nossos laços. Lucy, no céu, com seus carvões. Todos que você verá estarão adormecidos, mas não responderão o seu bom dia. Aquela invenção que substitui o combustível fóssil por elétrica criará tanta água de onde não existia que viveremos numa nuvem eterna. E o clube dos corações solitários mudará de nome, passará a ser união dos corações solidários. Eles farão um filme sobre um homem solitário, um novo mártir. Todos os dias, as noites serão ainda mais difíceis, e iremos continuar trabalhando como um cachorro. E, em casa, servirão-se de uma boa dose de “rhythm and blues” enquanto uma bomba nuclear, vindo da Coréia do Sul, atingir o coração da América do Norte. E, aplaudindo, estarão novamente na U.R.S.S; União das Repúblicas Socialistas Sulamericanas.
Não, não é o apocalipse. É apenas o mundo em seu apogeu. O Grand Canyon será um imenso milharal; a Amazônia marca registrada; e a Sibéria será a commodities mundial de cubos de gelo. A União Européia estará em conflito por conta da milésima tentativa de aprovar uma constituição, enquanto a Inglaterra continuará coroando a mesma família real. Descobrirão que as baleias falam, e em seu idioma, dirão aos homens “vão à merda”! A neta de Brigitte Bardot adotará um bom menino, coisa em extinção. A cirurgia plástica será item da cesta básica, e o pão será artigo de luxo. Tudo por conta da má administração dos trigais lunares, eleita em sistema de rodízio diplomático entre o clube das duas nações mais poderosas do mundo neo-liberal-pró-keynisiano.
O presidente da Suiça, último país neoliberal do mundo, será condenado à forca pelo movimento anti-terrorista ianque-anti-muçulmano. Motivo: escutas clandestinas nos sonhos do embaixador Chinês. O ar não será cobrado, fiquem tranqüilos, desde que não usem ventiladores.
Não pude ouvir mais, meu despertador tocou antes do amém. Ósculos e amplexos.
16 novembro 2006
Sobre a declaração do PSTU sobre a vitória de Lula.
Quer divertir um pouco o intelecto? Vá até a página do PSTU e leia qualquer coisa. Se não ficares ofendido por ousar levar à sério, certamente rirás um bocado. Logo na primeira grande constatação da “Declaração”, ou seja, a de que “os resultados desse segundo turno das eleições mostram que Lula foi reeleito Presidente da República” (sic), já é digna de risos ululantes. Ainda bem que esses resultados mostraram isso, pois mais de 60% dos votos, pelo menos para mim, não deixa a menor margem para dúvidas. E, o partido que defendeu o voto nulo, que para um partido que, pelo menos, tenta ser sério, é outra grande piada; faz um joguete que nem a criatividade da Marquesa de Rabicó conseguiria explicar o que a declaração tenta dizer, ou sussurrar.
Lembro-me de que, certa vez, num dos animados debates em meu Centro Acadêmico (orgulhosamente, o CAFIL), regados a muita birita e argumentos “descolados”; quase que um colega de faculdade saí no soco comigo. Tudo por eu ter defendido que Hobbes, por querer emular as ciências naturais, em busca de leis gerais, cria uma tendência a-historicista, tratando a anarquia enquanto elemento político natural de uma sociedade, quando a ciência já provou de tudo quanto é maneira que exatamente o contrário o que acontece. E que, por isso, não deve ser levado tão a sério, obviamente se o objetivo for o de analisar os conflitos políticos da atualidade. No dia seguinte, estávamos em sala de aula. Nossa amizade continua numa boa. E, é claro, os dois foram com voracidade estudar “O Leviatã” para uma nova rodada de birita nas animadas festas do CAFIL. Enfim, ilustrei essa passagem apenas para dizer que o PSTU, se numa situação semelhante, ainda estaria de porre e querendo brigar comigo na sede do CAFIL desde então.
É meio o que acontece na “Declaração”. A mágoa histórica que os militantes do PSTU ressentem sobre o PT é tamanha que, ainda que afirmem com todas as letras sua luta sem tréguas pelo “fim da burguesia”; que essa burguesia, no processo eleitoral, foi claramente representada por Geraldo Alckmin; para o PSTU, todos os canhões de Navarone deverão ser apontados sempre em direção ao Partido dos Trabalhadores e seus aliados (leia-se, principalmente, PCdoB, e não outros partidos de formação não-operária). Trata-se de uma antinomia aparente, porém explicável com sincera simplicidade: o PSTU não luta contra a burguesia, mas pelo seu espaço ao sol na esquerda brasileira, quiçá mundial, e que vê tudo e todos enquanto inimigos potenciais.
Agora, destaque total para o terrorismo do parágrafo sexto da “Declaração”, onde se lê: “A reforma trabalhista pretende eliminar conquistas históricas dos trabalhadores, como o décimo-terceiro salário e o FGTS, reduzir as férias e flexibilizar mecanismos de contratações”. É a “anarchophilia” mais engenhosa que eu já vi de um partido político que tenta, ou pelo menos diz que tenta, ser sério. Gostaria que algum analista de lá me dissesse como isso é possível em dias atuais, pois, francamente, não consegui achar nenhuma forma, exceto a loucura.
Por fim, a expressão que demonstra claramente a posição dos militantes do PSTU “(...) o PSTU manterá uma luta sem tréguas contra o governo petista” (sic). Notem que se trata de uma luta contra o governo do Partido dos Trabalhadores, e não contra os pensamentos conservadores, nem contra a burguesia, nem contra os lobbistas, nem contra a corrupção, contra as mazelas sociais, contra os ataques neoliberais às massas trabalhadoras; mas tão e exclusivamente o PT!
Ósculos e amplexos!
Lembro-me de que, certa vez, num dos animados debates em meu Centro Acadêmico (orgulhosamente, o CAFIL), regados a muita birita e argumentos “descolados”; quase que um colega de faculdade saí no soco comigo. Tudo por eu ter defendido que Hobbes, por querer emular as ciências naturais, em busca de leis gerais, cria uma tendência a-historicista, tratando a anarquia enquanto elemento político natural de uma sociedade, quando a ciência já provou de tudo quanto é maneira que exatamente o contrário o que acontece. E que, por isso, não deve ser levado tão a sério, obviamente se o objetivo for o de analisar os conflitos políticos da atualidade. No dia seguinte, estávamos em sala de aula. Nossa amizade continua numa boa. E, é claro, os dois foram com voracidade estudar “O Leviatã” para uma nova rodada de birita nas animadas festas do CAFIL. Enfim, ilustrei essa passagem apenas para dizer que o PSTU, se numa situação semelhante, ainda estaria de porre e querendo brigar comigo na sede do CAFIL desde então.
É meio o que acontece na “Declaração”. A mágoa histórica que os militantes do PSTU ressentem sobre o PT é tamanha que, ainda que afirmem com todas as letras sua luta sem tréguas pelo “fim da burguesia”; que essa burguesia, no processo eleitoral, foi claramente representada por Geraldo Alckmin; para o PSTU, todos os canhões de Navarone deverão ser apontados sempre em direção ao Partido dos Trabalhadores e seus aliados (leia-se, principalmente, PCdoB, e não outros partidos de formação não-operária). Trata-se de uma antinomia aparente, porém explicável com sincera simplicidade: o PSTU não luta contra a burguesia, mas pelo seu espaço ao sol na esquerda brasileira, quiçá mundial, e que vê tudo e todos enquanto inimigos potenciais.
Agora, destaque total para o terrorismo do parágrafo sexto da “Declaração”, onde se lê: “A reforma trabalhista pretende eliminar conquistas históricas dos trabalhadores, como o décimo-terceiro salário e o FGTS, reduzir as férias e flexibilizar mecanismos de contratações”. É a “anarchophilia” mais engenhosa que eu já vi de um partido político que tenta, ou pelo menos diz que tenta, ser sério. Gostaria que algum analista de lá me dissesse como isso é possível em dias atuais, pois, francamente, não consegui achar nenhuma forma, exceto a loucura.
Por fim, a expressão que demonstra claramente a posição dos militantes do PSTU “(...) o PSTU manterá uma luta sem tréguas contra o governo petista” (sic). Notem que se trata de uma luta contra o governo do Partido dos Trabalhadores, e não contra os pensamentos conservadores, nem contra a burguesia, nem contra os lobbistas, nem contra a corrupção, contra as mazelas sociais, contra os ataques neoliberais às massas trabalhadoras; mas tão e exclusivamente o PT!
Ósculos e amplexos!
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