14 março 2011

Partido e Juventude (acerca dos itens 16 e 21 do Documento-Base) - Michael Genofre*



Segundo texto, publicado na tribuna de debates do PCdoB-PR, acerca da entidade de massas que contribuí ao longo de quase duas décadas de minha vida.

A crise que fez o PCdoB do Paraná caminhar por tantos caminhos equivocados formaram gerações de militantes, no mínimo, sacrificadas e sem grandes perspectivas sobre seu futuro. A ausência de uma direção em questões importantes fez dela irresponsável para com um grande número de jovens que, por muitas vezes, sacrificaram saúde, família, vida profissional, vida acadêmica e tantas outras coisas em nome de um projeto que, cada vez mais, revelava-se inexistente. Sua entidade de juventude, criada para ser ampla, porém sem deixar de ser a entidade de juventude do PCdoB, foi, no Paraná, violentamente desamparada. E não há ou houve um militante de juventude sequer que não conheça a dor, a fome, o preconceito, o julgamento depreciativo e o desrespeito vindos não de seu inimigo social, mas de sua própria direção.

Sem comprometimento para com a luta revolucionária não há como compreender a importância da atuação de uma juventude socialista. Os militantes da UJS serão vistos enquanto “comunistas de calças curtas” enquanto um projeto claro de construção de lideranças não for levado a sério pelo partido no Paraná. Isto quando não são vistos enquanto problema, pois aumentam rapidamente a demanda por decisões políticas em suas direções partidárias e seu retorno é impossível de mensurar no curto prazo.

O trabalho de juventude deve ser sempre considerado importante. Ao mesmo tempo, todos os membros do Partido precisam compreender com nitidez e profundidade o significado estratégico que a UJS possui para o movimento revolucionário e para a própria organização partidária. A União da Juventude Socialista não é igual a outras organizações partidárias de juventude. Ela é mais do que uma forma de sobrevivência de jovens partidários, que ainda não se desenvolveram politicamente ou tampouco acumularam forças o bastante para enfrentar os ardores da batalha política. A UJS é fruto de um processo histórico de construção e acúmulo de forças protagonizado pelo Partido do Socialismo entre a juventude brasileira. Ela elabora, questiona, organiza-se com linguagem própria e forma uma militância de altíssima qualidade. Boa parte, se não uma grande maioria, dos principais quadros do PCdoB tiveram sua formação política ainda em tenra idade, pois vieram das fileiras da União da Juventude Socialista.

A autonomia organizativa da UJS não implica em desamparo político e estrutural do PCdoB à sua juventude. Ainda que se tenha melhorado em inúmeros aspectos - em dias atuais não se tem cizânias entre a juventude, há um Secretário de Juventude de qualidade e há um segundo militante na Presidência da UJS, e outros elementos que demonstram essa melhoria – aumentaram-se dificuldades orgânicas (houve uma redução drástica no número de militantes e filiados, imensa dificuldade em se construir núcleos, indisposição da militância em valorizar o trabalho cotidiano de conscientização e atuação de base, e assim por diante).

O aumento de tamanhas dificuldades é fruto da ausência da organização partidária em meio à juventude. Ainda que autônoma, a UJS é uma organização do PCdoB, e justamente por isso deve ser fonte de preocupação diuturna de todos os seus dirigentes e militantes. Os comunistas devem reforçar a direção política e ideológica do Partido entre seus filiados com atuação na juventude, ao mesmo tempo em que deverá respeitar a autonomia orgânica e apoiar a liberdade de iniciativa da UJS.

Um dos problemas recorrentes da atuação de juventude é que, como qualquer atividade política, ela necessita de recursos financeiros. E, uma vez que seus membros, em sua quase totalidade, são militantes do movimento estudantil, eles não possuem sequer salário que garanta seu sustento diário, quanto menos de meios próprios para sua atuação política. O PCdoB paranaense deve tratar em sua política de finanças, de maneira permanente, as finanças da UJS enquanto uma atividade política. O Partido deve construir formas para que a UJS tenha suas próprias fontes de recursos. E até que a UJS consiga se sustentar, o Partido deve assumir a responsabilidade de financiar a existência de sua juventude ou buscar fontes para essa existência.

No que diz respeito à organização de juventude, o Partido não deve fazer experimentos, mas inovações. Aumentar o apoio aos secretários municipais de juventude – devendo ser uma tarefa exclusiva para o militante que a assume. As secretarias de juventude devem ser construídas, sempre que possível, em todos os organismos do Partido, sejam eles direções municipais, comitês distritais, Comitês de Macrorregiões ou Organismos de Base. Serão responsáveis, em sua área de atuação, de orientar a política, dando respaldo ideológico, às atividades da UJS – sempre respeitando sua autonomia organizativa e liberdade de iniciativa; planejar e acompanhar a atuação dos jovens comunistas (filiados ao Partido) nas lutas da juventude em que sua militância se envolva; gestar o conhecimento historicamente acumulado a fim de proporcionar à juventude uma atuação mais sólida e evitando cometer erros ou equívocos previsíveis; interagir com as demais secretarias e tarefas executivas do Partido e inserir nos comitês de atuação governamental e parlamentar propostas de Políticas Públicas de Juventude elaboradas pela União da Juventude Socialista.

Compreender a atualidade dos movimentos sociais de juventude, principalmente o estudantil, de maneira a aumentar a presença dos comunistas qualitativamente e quantitativamente. Dar apoio na construção dos núcleos da UJS, bem como voltar a formar e acompanhar as bases partidárias onde haja a presença da juventude de maneira especial. São tarefas mínimas para todo aquele que assumir a tarefa de Secretário de Juventude. Esse militante deverá ser membro da Comissão Política de seu nível de organização partidária, ter capacidade política e de elaboração para a juventude – além de paciência e trato com a juventude. Não ser militante da UJS, ter preferencialmente mais de 30 anos (idade limite para atuação na UJS).

A formação dos jovens comunistas, que deve ser uma prioridade para o PCdoB, deve possuir um plano anual composto de prazos, metas e textos de elaboração ou base sobre acontecimentos paranaenses. Além de apoiar o programa de formação próprio que a UJS possui, deve o Partido inserir em seu processo de formação a juventude, sempre respeitando os mais variados graus de compreensão partidária que cada militante possui.

Por fim, o PCdoB paranaense deve se acostumar com a condição especial que o militante de juventude possui. O jovem comunista, que deve ter sua atuação política realizada através da UJS, deve participar de uma Base do PCdoB – ainda que não se recomende nenhuma tarefa executiva de partido para ele ou ela. Simultaneamente, deve o Partido também definir sua política de quadros para sua juventude, especialmente para seus jovens comunistas dirigentes da UJS e àqueles que já encerraram sua contribuição nesta entidade pelo avançar da idade – criando perspectivas enquanto experiente quadro intermediário do partido.

* Michael Genofre é filiado ao PCdoB de Curitiba. Analista internacional especializado em internacionalização de cidades; ex-secretário estadual de organização da UJS-PR, integrante da executiva da UPE (2001-2005).

Recomeçar, desta vez do jeito certo - Michael Genofre*


Uma vez que a Tribuna de Debates da Conferência Extraordinária do PCdoB do Paraná é pública, reproduzo aqui o meu primeiro texto aprovado. Ela é a primeira de uma serie que pretendo contribuir para esta organização. Aguardo comentários de meus camaradas , amigos e amigas.

A fim de se obter êxito aos pontos 4 e 5 do documento-base, retornando para uma espécie de “bê-á-bá” do marxismo-leninismo, é possível identificar alguns dos terríveis equívocos do partido neste Estado – que o desconfigura de sua principal diferenciação para os demais partidos: o de ser um partido de orientação e organização marxista-lenista com um projeto nacional claro e de objetivo socialista. O primeiro passo para um recomeço, desta vez do jeito certo, é recuperar tais elementos.

Primeiramente, sem a menor disposição de ser outra coisa, trata-se da construção de um partido de vanguarda. Não negar jamais a teoria marxista enquanto base de fundação de todas as organizações internas e o próprio partido. Considerar que, independentemente das urgências da atuação partidária, “Sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário” capaz de superar a sociedade capitalista.

O PCdoB paranaense, em nome de uma urgência ou mesmo da impaciência intelectual – aqui, ignorando-se propositalmente eventuais outros motivos tão ou ainda menos aceitáveis -, passou a negar sistematicamente a análise marxista da realidade. Partiu para um avesso caminho que tantos outros partidos caminharam e erraram ao longo da história. Passou a ignorar seu papel de orientador de novas formações econômico-social, socialista, formador de indivíduos conscientes e convictos, organizador de bases estruturadas e motivadas.

Um primeiro passo firme é trazer para a realidade estadual, inclusive em cada segmento do próprio partido, a importância do papel da consciência, suas limitações e seus avanços. Sem ela, a existência de um partido do proletariado no Paraná será negligenciada sistematicamente em nome das mais diversas, e torpes, argumentações. Convencidos disto, torna-se, então, possível enfrentar a dificuldade de se ter uma teoria revolucionária em crise no Estado resultante de seu insuficiente desenvolvimento ao longo de sua história local. Enfrentar conscientemente que não se tem, ainda, elaboração constante e minimamente suficiente para uma crítica da sociedade capitalista em suas manifestações e contradições em terras paranaenses. Saber fazer as perguntas certas e buscar respostas com adequado método, eis o caminho para superar a crise programática e orgânica que o PCdoB possui no Paraná.

Simultaneamente, voltar a construir o que Lênin chama de “um partido de novo tipo”, elaborador e implementador da teoria revolucionária na realidade paranaense. O PCdoB paranaense perdeu seu desejo de buscar essa construção e partiu para a estruturação de mais um partido de esquerda – inclusive, numa questionável concepção do que seja essa esquerda. Perdeu a sua capacidade de análise que deveria buscar observar todos os aspectos da vida social, todos aspectos da vida política, e voltar-se para falar com todo o povo, todas as classes da população, e apresentar à sociedade a importância histórica de se emancipar o trabalhador. Tornou-se corporativa para alguns, funcionalista para tantos. Tornou-se ferramenta para projetos alheios à busca por autonomia da classe operária, além de ter perdido completamente a capacidade de ser intérprete, quiçá protagonista, da classe operária perante o conjunto social.

Sem uma direção comprometida com a construção deste partido de novo tipo, alguns de seus mais importantes militantes se perderam também na via do sectarismo, fatalista e irracional. Buscou-se valorizar o militante “de ferro”, inexistente, baseado em concepções morais, beirando ser quase como uma religião, para se definir um militante e para reconhecer seus dirigentes. Criou-se uma cultura de intolerância ao erro individual, de obediência acrítica como critério de avaliação do comprometimento do militante, e um sistemático desarme ideológico ao se eliminar o debate e a avaliação das ações partidária devido ao medo de críticas ou revelações de eventuais tropeços na condução partidária.

Outros, ainda mais irracionalmente, mantém-se na velha discussão – e que já deveria ter sido superada há tempos – de concepção de ser ou não um partido fechado, composto tão somente de quadros, de atuação análoga aos tempos de clandestinidade, “de poucos, mas bons”, de “puros”. Voltando as costas para uma realidade que exige um partido grande, capaz de se infiltrar em todos os elementos da vida social a fim de cumprir seu imprescindível papel de vanguarda operária.

Isso quando não se curvava para outros motivos, ao gosto do oportunista.

Não há como ser um partido comunista sem ser de uma classe determinada: o proletariado. Não dá para ser um partido de novo tipo sem buscar a ser a representação política e social dessa classe e encarnando seus valores e aspirações. Urge entender o proletariado paranaense. Urge produzir política a partir da análise de suas necessidades e realidades. Entender que ele não desenvolverá consciência de classe sozinho – aliás, tende a ficar preso na alienação que provoca o trabalho. Estudar esse proletariado, abordando a realidade da sua vida e da sua história de luta, buscando infundir nele identidade e consciência de classe – enfim, exercer o papel de Partido Comunista.

Todos estes elementos devem estar contidos em um sistema organizativo e normativo. Para este sistema: o centralismo democrático enquanto princípio fundamental organizativo. Que, até sobre este aspecto, o PCdoB-PR errou por estranhas práticas.

Mais que um método, é o centralismo democrático um ajustamento da política aos conteúdos ideológicos. É a prática da capacidade de analisar as exigências de cada situação, o nível de consciência, as possibilidades reais, e a construção de iniciativas e tomada de ação com passos firmes, criadoras de consensos ou maiorias, à base de políticas justas e cotidianamente debatida pelo coletivo partidário.

O PCdoB do Paraná abriu mão do correto centralismo democrático. Quando não desmotivava o debate - e assim favorecendo a apatia ou a obediência acrítica -, temia-se ele enquanto causador de cisões. Perdeu-se, devido a este equívoco, a construção de objetivos unitários – que, quando isto acontece, no mínimo, quadros deixam de somar em torno de uma mesma linha política para se tornar rivais em nome de seus projetos particulares.

Não se deve temer o crescimento partidário se nele há o centralismo democrático, pois ele dá conta de conciliar o debate necessário com a ação política unitária. Não se deve temer o debate, pois somente há a possibilidade da minoria acatar a decisão da maioria nele. Uma maioria deve ser construída em todos os temas, a fim de que uma ação unitária seja construída. Caso contrário, tem-se apenas o centralismo – nada democrático, de culto à personalidade, parasitário, e que fatalmente leva a organização de grupos ou de deformações na atuação política (quando não acaba afastando militantes e quadros em potencial). Não se deve tratar qualquer movimentação em torno de polarizações de opinião como uma ameaça à estrutura partidária ou prática de grupo. Pois, se há centralismo democrático, há os movimentos dialéticos capazes de polarizar e até mesmo organizar fluxos de opinião – extremamente saudável em um partido comunista. Enfim, ser instrumento de construção da unidade de ação de todo o partido, jamais um instrumento da imposição unilateral de vontades de uma direção sobre todo o coletivo partidário como tem sido.

* Michael Genofre é filiado ao PCdoB de Curitiba. Analista internacional especializado em internacionalização de cidades; ex-secretário estadual de organização da UJS-PR, integrante da executiva da UPE (2001-2005).

11 março 2011

Bruna Surfistinha: boa produção menos fraca biografia é igual a um filminho bom

Alguém se lembra de "Cristiane F. ...13 anos, drogada, prostituída"? Fez um alvoroço danado quando foi lançado. Teve um destaque profundo principalmente nas escolas devido às zelosas professoras que buscavam a todo custo mostrar aos seus aluninhos que a contra-cultura, por tantos endeusada, possui contra-indicações. E a linguagem do cinema era ideal para essas zelosas professorinhas, pois presumiam que seus aluninhos tinham uma certa aversão à leitura. Pois é, o problema é que as melhores e mais interessantes partes da história ficam no livro.

Bruna Surfistinha tem um pouco disso. Baseado em "O Veneno do Escorpião", livro de Bruna Surfistinha/Raquel Pacheco que se tornou um senhor best seller. Afinal, tinha a receita certa: apesar de limitações sérias tanto na narrativa quanto nos aspectos literários, trata-se de alguém do submundo, do mundo paralelo da prostituição, conversando com os ditos normais do mundo real. E a sua mensagem era: o que lhes chocam, aqui é cotidiano. O mundo paralelo é mais real do que se imagina. E ao longo de histórias, por vezes cômicas e por vezes capazes de provocar ânsias de vômito. O livro provoca o imaginário ao mesmo tempo que apresenta, em variadas e descontroladas doses, o mundo de muitas mulheres.

Estamos falando, porém, de cinema. E, infelizmente, nada disso, ou talvez apenas um pouco disso, aparece no filme. A boa produção e os aspectos técnicos surpreendem. Certas limitações na interpretação de Secco, principalmente na parte pré-surfistinha, são corrigidas com inteligentes ângulos de câmera. E as partes em que Secco demonstra que de uma longa carreira televisa sai excelentes momentos interpretativos ganham um tratamento mais do que especial da composição de luzes, câmeras e fotografias. Mas, quem vai ao cinema querendo ver como "nasce" uma meretriz, decepciona-se. Quem vai para ver a empreendedora, decepciona-se. E quem vai para ver uma versão brasileira de Cristiane F. se arrepende da infeliz ideia.

Enumerando o que o filme tem de bom, na pole position se encontra a publicidade. Assim como o seu blog, Bruna Surfistinha se vende muito fácil. Segundo, temos uma produção de qualidade. Terceiro, temos as curvas e seios de Secco. E, lá no fim, em último lugar, a história.

Há sérios problemas em se dar tratamento de heroina a uma prostituta. E o filme carrega este drama o tempo todo. Faz de Bruna uma heroina, sem querer fazer isso. Aliás, o "morde e assopra" está presente ao longo de toda a narrativa. Ao mesmo tempo em que cuspir o que um cliente ejaculou foi pesado, foi leve demais a personagem ter apenas olheiras profundas quando estava internada no pó. Ao mesmo tempo em que o filme tenta apresentar um drama, não perde o jeitão de documentário auto-biográfico. E quando finalmente o corpo cobra a fatura e acontece uma overdose, ainda assim a personagem vende o clichê de vencedora da contra-cultura, que conseguiu tudo o que queria por esforços próprios. É ou não uma heroína?

O filme opta por pegar o que há de mais fraco na biografia de Bruna Surfistinha. E peca em uma série de abreviações. Agrada para quem quer apenas se entreter, irrita cinéfilos. É um filme bonzinho, nada mais do que isso, porém muito, mas muito comentado.

Ósculos e amplexos!

10 março 2011

Gnomeu e Julieta: o desafio de se contar a mesma história.

Logo no começo do filme se reconhece a grande dificuldade de Romeu e Julieta: contar uma história que já foi contada um montão de vezes. E também que já foi contada de forma diferente um montão de vezes. "Além de um epílogo chatinho, longo, porém necessário".

No que diz respeito em apresentar para as crianças a tragédia de todos os tempos, do qual há descaradamente ou disfarçadamente semelhanças em quase todas as tragédias românticas que elas verão em suas vidas, o filme é eficiente. Na crítica sobre a obra de Shakespeare, obviamente voltado aos pais que levarão suas crianças, inocentemente, o filme brinca com o xarope epílogo e com a necessidade de um fim trágico aos protagonistas (afinal, é uma tragédia, não é?), o filme também cumpre seu papel. E acabam aqui os elogios.

O que se vê entre o começo e o fim é uma obra bem mais ou menos. De visível orçamento reduzido. E com somente cópias dubladas para o Brasil (que faz com que percamos a graça de ter a voz de Ozzy, por exemplo - sem desmerecer os nossos brazucas globais que emprestam suas vozes aos personagens). Os efeitos 3D servem, infelizmente, para que o ingresso seja mais caro, pois não influencia em nada no filme - os melhores efeitos são os barulhinhos de porcelana batendo.


Enfim, como na maioria das vezes, a tentativa de se contar Romeu e Julieta acaba sendo mais do mesmo. Não espere, portanto, muito do filme. Levem as crianças, no máximo, para que seja apresentado a elas o interessante Shakespeare. Assim mesmo, com fins bastante pedagógicos. Nada mais do que isso.

Ósculos e amplexos!

03 março 2011

"Mãos que Ajudam - SUD" em Nova Friburgo: mais de mil voluntarios.

Fonte: The Newsroom Blog, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Tradução livre (Michael Genofre).

Membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias foram para a região montanhosa de Nova Friburgo, um município do Estado do Rio de Janeiro, Sudoeste do Brasil, para limpar a cidade no sábado, 19 de fevereiro de 2011.

Mais de mil Santos dos Últimos dias, Missionários Mórmons, e amigos da Igreja usaram vassouras, pás e carrinhos da mão para limpar as ruas da cidades, hospitais e escolas depois das chuvas arrasadoras e deslizamentos ocorridos em janeiro. A Igreja trabalhou com líderes do governo local que providenciaram as ferramentas para a limpeza e doaram estes para a cidade. Os voluntários estavam vestidos do conhecido colete amarelo brilhante do "Mãos que Ajudam".

"Foi um grande projeto, que exigiu grande quantidade de pessoas", disse o líder da Igreja Élder Roger Cruz. "A sensação ao se prestar serviço foi uma experiência espiritual para muitos participantes".

O Prefeito de Nova Friburgo, Demerval Moreira Barbosa Neto, ficou impressionado com todo o trabalho que os voluntários fizeram. "O que nós vimos aqui foi o puro amor de Jesus Cristo", disse ele. Ao final do dia, o prefeito agradeceu os voluntários por seus esforços.


Prefeito de Nova Friburgo agradecendo aos Santos dos Últimos Dias e Amigos da Igreja pelo trabalho realizado.

O projeto mórmon "Mãos que Ajudam" realizado em Nova Friburgo é um de vários já realizados desde 1998 em outros lugares no Brasil e em outras partes do mundo onde ocorreram desastres naturais. Através do projeto mórmon "Maos que Ajudam", Santos dos Últimos Dias tem contribuído em outros momentos e em muitas áreas do mundo para com a limpeza e o embelezamento de comunidades. Milhares de voluntários doaram milhões de horas de serviço.

01 março 2011

Oscar 2011: os melhores do ano estão entre "O Discurso do Rei" x "A Rede Social"?


Concordo com a Gazeta do Povo quando diz que venceu o academicismo formal. O problema é que o duelo entre os favoritos não se dá pela qualidade dos filmes. Analisando os indicados ao Oscar de melhor filme (A Rede Social, 127 horas, Cisne Negro, Toy Story 3, O Discurso do Rei, O Vencedor, A Origem, Bravura Indômita, Minhas Mães e Meu Pai, e Inverno da Alma) a maioria dos jornais brasileiros seguiram um apanhado do que os jornais americanos diziam ser os favoritos sem muitas críticas. Afinal, fácil critério, pois os membros da Academia são justamente os maiores colunistas de muitos destes jornais e a princípio eles deveriam saber do que estavam falando.

Acontece que não é de hoje que os critérios para o Oscar são muito mais financeiros do que artisticos - mesmo que haja um esforço oficial, mas ainda não real, de se tornar uma premiação artística. Se o Brasil quiser uma estatueta dourada, basta consumir menos Hollywood que ela virá com toda certeza. Quem duvida, olhe para a quantidade de premiações para filmes argentinos e europeus. Eles consomem bem Hollywood, são portanto clientes fortes. Mas, consomem também muitas produções iranianas e locais e isso faz com que o cinema estadunidense fature menos. Um Oscar faz de um filme completamente desconhecido um fenômeno de vendas. Isso quando um fenômeno de vendas não faz um Oscar.

O suposto duelo entre "A Rede Social" e "O Discurso do Rei" reflete bem a noção de que as vendas ainda fazem o Oscar muito mais do que um bom filme. A crítica se acostumou a bajular "A Rede Social". Natural, pois desde sua estreia ele tem sido avassalador em praticamente todas as premiações pelas quais ele concorreu. Tornou-se portanto, o filme mais falado e comentado do ano. Uma re-invenção do "sonho americano" sob a persona de um vilão, ou talvez não segundo a lógica da grana. É um filme verborrágico, para quem não tem sequer noção de inglês certamente irá perder mais da metade do filme, pois a legendagem sofreu para acompanha-lo. Aliás, linguagem é tudo neste filme, o que o torna difícil de ser digerido. E se uma pessoa não estiver ambientado com o "Facebook" então, não terá noção do tamanho que a coisa ganhou - e que faz a comemoração do milhonésimo usuário algo risível. Mas, chegando ao fim do filme, fica na memória do espectador a reflexão: não há o que faça esse filme ser tão premiado senão pelo sucesso do objeto que foi tratado no longa. E na minha, ficou ainda a sensação de esnobismo estadunidense em considerar o Facebook a invenção do século mesmo tendo sido lançado um tempão depois do Orkut já ter sido uma febre aqui no Brasil. Ficou aquela sensação de Irmãos Wright ganhando a fama de inventores do avião quando o primeiro por propulsão própria foi o 14 Bis do nosso Dumont.

"O Discurso do Rei" é um ótimo filme, não há dúvidas. Mas sobre ele ser o melhor do ano tenho as minhas. Passa-se na tela grande um filme com excelência em todos os aspectos técnicos, mas assim, plasticamente, sem arriscar o pescoço em absolutamente nada. Perfeito como uma redação nota dez de algum concurso vestibular: tecnicamente exata, mas sem qualquer espaço para genialidades. Até mesmo para o coup de cinéma o filme não arrisca e dá uma solução humorada e rápida. É realmente um filme, como diria Rubens Edwald Filho, bom para ganhar prêmio. Em seu enredo, encontramos uma aproximação plebeia para acompanhar as transformações que a família real inglesa começou a passar ao longo dos 20 anos de crise, como diria Carr. O filme faz com que o público ganhe simpatias na medida em que o súdito vai se tornando amigo do rei. E, por consequência, sai do cinema sentindo-se parte da nobreza dos York.

Diante de tantas questões que fazem o Oscar objeto de ironia até mesmo dos Simpsons (lembram-se do Homer jurado de um festival de cinema, votando justamente no que mais tarde seria o vencedor do Oscar?). Infelizmente, em Curitiba, vários indicados ao Oscar somente chegarão aqui, e se chegarem, a partir da notoriedade recebida após a premiação gringa. Mas, dentre os poucos que chegaram, esbanja intensidade e outras qualidades os filmes Toy Story 3 e Cisne Negro. Em se tratando à arte de se contar uma história, deveria ser deles a disputa. São filmes "cheios". Você sai farto do cinema. Carrega na memória durante um tempão. Se impressiona, vibra, torce, enfim, vários elementos que a técnica e a plástica apenas seriam irrelevantes diante de tanta informação bem distribuida e bem contada. Coisa que não acontece nem com "A Rede Social" e nem com "O Discurso do Rei".

Dentro em breve tanto "Cisne Negro" e "Toy Story 3" serão reverenciados pelos cinéfilos de todo mundo, passando a pertencer à seleta lista dos memoráveis de todos os tempos. Já "A Rede Social" e "O Discurso do Rei" fatalmente cairão no esquecimento imediatamente após não mais render cifras para a multimilionária indústria do entretenimento do qual o Oscar costuma consagrar anualmente.

Ósculos e amplexos!

28 fevereiro 2011

Barbárie em bicicletada em Porto Alegre!


O direito de defesa deve existir. Sempre e em todos os casos a justiça deve ouvir agressor e agredidos. Mas, não há como não ficar irritado com a defesa do monstro que atropelou vários ciclistas em uma bicicletada em Porto Alegre (chamado de Movimento Massa Crítica). Visivelmente, o que aconteceu foi um momento de intolerância seguida de total descontrole. E o motorista alegou que foi legítima defesa. Alí, viu-se tentativa de homicídio, e com dolo.

Já participei de inúmeras manifestações. Também já fiquei preso no trânsito enquanto uma passava diante meu parabrisa. Concordando ou não, irritado ou não, a civilidade me cobrava à consciência: meus motivos não são maiores ou menores que os motivos deles. Minha pressa, meu motivo, não pode sobrepor os motivos dos manifestantes. Segue em frente a manifestação. Buzino se concordo. Calo, o carro, se discordo. Ambos em respeito.

As autoridades, de trânsito e geral, lavaram as mãos em relação ao ocorrido. Os organizadores do ato não comunicaram as autoridades. Mas, diante de uma aglomeração de ciclistas, nenhum policial sequer, bem ou mal treinado que seja, não identificou que ali poderia haver insegurança sem o acompanhamento de autoridades de trânsito? Se não havia efetivo suficiente para dar segurança ao legítimo direito de manifestação que ali ocorria, não havia sequer um único policial ou agente de trânsito? A bicicletada foi tão rápida assim que ninguém percebeu sua existência?

O advogado orientou o cliente: alegue legítima defesa. Defender-se de quem? Do que? Por quê? Se haviam manifestantes irritados com o motorista antes de sua tentativa de homicídio, muito provavelmente é por desrespeito aos manifestantes em momento anterior. Qualquer um que participe de manifestação conhece os egoístas de plantão a cuspir e apedrejar movimentos por não se identificar a eles, ou simplesmente por estarem com pressa.

O que vimos pela televisão choca, dá revolta, dá repulsa. E a punição do monstro será exemplar: algumas cestas básicas.

A cada dia que passa, nossos direitos são cada vez mais apenas privilégios (e passíveis de serem revogados).

Ósculos e amplexos!

10 fevereiro 2011

Paradiplomacia é uma realidade no Paraná. Qual a crítica correta?

Na foto, Ministro Sergio Cury (Erepar/MRE) Ricardo Barros (SEIM).

Oitava prioridade do programa do Governo Richa, a cooperação descentralizada dá seus primeiros passos no Paraná. Já é possível dizer que a paradiplomacia no Estado é uma realidade, pois tomou um passo fundamental após conferência realizada no SEBRAE/PR semana passada. Da Conferência, surgiu a oficialização de uma Agência de Internacionalização do Estado.

Ao contrário do que muita gente pode achar, atuação internacional não se resume à importação e exportação. Nem mesmo elas se resumem apenas em auxílios fiscais por parte do Poder Central. Um processo de internacionalização é muito maior do que isso. São aproximadamente 12 temas estratégicos que, logo no lançamento, receberão impulso: Comércio internacional das cidades, desenvolvimento local e regional, paradiplomacia empresarial, novos costumes ao direito internacional, desenvolvimento, redes de cidade, consórcios de cidades, inovação tecnológica, responsabilidade social, copa do mundo e olimpíada, ciência e tecnologia, e objetivos do milênio.

Então, qual é o problema? Do ponto de vista da internacionalização, nenhum. O Governo Richa dá um passo sólido, do qual alia muito da experiência acumulada com a Secretaria de Relações Internacionais de Curitiba. Do ponto de vista técnico, a agência é uma fomentadora de ações e não uma estrutura central e estratégica no desenho do Estado. E, do ponto de vista político, organizou-se de maneira quase clandestina, sem convidar as entidades do movimento social e a comunidade acadêmica para contribuir.

Em matéria de cooperação descentralizada, os movimento sociais, no mínimo, contribuem com um banco de projetos e uma gestão de conhecimento no que diz respeito à leitura das cidades e leitura dos problemas do Estado. Sem o movimento social organizado, uma agência de internacionalização irá concretizar, no máximo, o interesse dos grupos centrais, marginalizando ainda mais quem realmente precisa deste desenvolvimento. Ou seja, buscar-se-ão resultados imediatos, que por vezes impede o surgimento de novos postos de trabalho e valorização de novas áreas no processo de desenvolvimento - além de uma concentração ainda maior de riquezas.

Do ponto de vista técnico, se uma estrutura de internacionalização não estiver atuação autônoma em relação ao Poder Central, ao mesmo tempo que hierarquicamente no mesmo nível que as Secretarias Estratégicas, sem abrir mão da interdependência com movimentos sociais e outras estruturas públicas, ela dificilmente terá outra utilidade senão a de captação de recursos. E a internacionalização que o mundo cobra em tempos atuais é o da parceiria (e não mais a donatividade).

A "paradiplomacia" já é uma realidade no Paraná. Mas, seu desenvolvimento poderia ser feito de maneira mais progressista. Por enquanto, deu o primeiro passo de maneira bastante elitizada.

PS* Devido ao grande respeito que possuo pelo trabalho de Esmael Morais, enviei para a matéria que ele postou em seu blog minha opinião, uma vez que me tornei e busco ser cada vez mais especialista neste assunto. Infelizmente, sem maiores explicações, ele ignorou meu comentário. Então, resolvi postar aqui, no meu blog. Mas, fica aqui, manifestado, que continuo respeitando profundamente a opinião do nobre blogueiro. Ainda mais manifesto: não tenho absolutamente nada contra o senhor Morais, inclusive sempre o apoiei, principalmente no sombrio período de censura sob o qual foi submetido o autor ao longo da campanha eleitoral de 2010. Para o senhor Esmael Morais, um grande amplexo!

09 fevereiro 2011

Reunião dos blogueiros progressistas no SINDIJOR/PR


No fim do ano passado, em reunião no Sindicato dos Jornalistas do Paraná, os blogueiros progressistas deram seus primeiros passos para um movimento importante de mídia alternativa. Neste evento, ao quadro branco, foram apostos os endereços dos presentes. Encontrei na rede esta foto, que algum iluminado teve a (única?) ideia de registrar.

E você, progressista, já fez seu blog? Ósculos e amplexos!

PS* Não esqueci da importante crítica feita pela queridíssima Lenilda de Assis, que diz mais ou menos assim: - é necessário um nome mais atualizado, progressista é resquício dos tempos de redemocratização. Concordo... em um universo de termos, até próprios dos blogueiros, poderíamos sair de algumas antiguidades. Mas, na falta de um melhor, por enquanto fiquemos com esse mesmo.

04 fevereiro 2011

Governo Richa: primeiras impressões

Igualmente àquela música em que se diz: "como será o amanhã? Reponda quem puder", como será o governo Richa e onde haverão os maiores rompimentos com o período Requião são questões que são frequentes em praticamente todas as rodas de "mate e salão" nas plagas dos três planaltos e litoral. Mas, o que se tem, de fato, são alguma medidas emergenciais e que ,a princípio, já começaram atrapalhadas sob o ponto de vista classista. Mais além disto ainda é muito mais especulação que certeza. Mas já é possível arriscar uma pequena leitura.

O "novo jeito de governar", palavra de ordem ao longo da campanha de Richa, por enquanto não se mostrou e tende a não se mostrar tão cedo. O que se viu em um mês de governo foi a velha prática do patrimonialismo e do clientelismo, típico, infelizmente, em todas as gestões oligárquicas em nosso país, levado à exaustão. Não há dúvidas que há uma séria preocupação em se eliminar a presença dos anos de Requião no comando do Estado, mas dizer que isso se dará de uma maneira nova ou é exagero ou é enganação.

Há uma "classe" política no Paraná que se assemelha àquela corte parasitária do período do rei francês Luiz XVI. Esta classe sobrevive, sem risco de exagero, desde os tempos do conselheiro Zacarias. Contemporaneamente, quem acompanhou a política paranaense de perto, viu legítimos representantes desta verdadeira canalha ao longo dos governos Lerner, Requião, Pessuti e agora tornamos a vê-los no governo Richa. Não consegue se ver longe do poder, mas nada faz pelo poder, pelo povo, ou pelo próprio governador. Apenas suga um pouco do prestígio de conviver respirando o pó do Palácio Iguaçu (ou das Araucárias, por um certo tempo). Vendo tais representantes logo no palanque de posse do atual governador já se presume que nada muito de inovador haverá no horizonte.

Na ALEP, um massacre semelhante ao que se viu na Câmara de Curitiba. Dos 54 deputados, apenas seis excelências se declaram oposição: todos do Partido dos Trabalhadores. Dividido, o próprio PMDB do ex-governador Requião não teve outra escolha senão optar por uma vexatória posição de neutralidade. Todos os demais partidos, mesmo os que fizeram campanha para Dilma e Osmar, declararam-se base do governo. Em política, vale lembrar a máxima de Dante Alighieri: "os piores lugares do purgatório estão reservados para aqueles que, em tempos de guerra, permaneceram-se neutros". Portanto, muito clientelismo por parte do Executivo a fim de manter a sua insana dificuldade de convivência com uma oposição. Muito patrimonialismo por parte do Legislativo, que tratou de garantir aumento de salário e punição à funcionários (ao invés de deputados envolvidos) devido aos escândalos dos Diários Secretos.

A esquerda paranaense, com apenas um partido na "elite" fazendo oposição, tem os demais partidos em uma crise histórica. Todos continuam convocados, mais do que nunca, a organizar uma oposição real, "às massas" como diria Lênin, pois sem ela sequer o bom senso prevalecerá na administração por falta de uma oposição qualificada. E os primeiros sinais já surgiram: privatização da Celepar, caos no processo de contratação de professores e temporários, e suspensão do programa "Leite das Crianças" em nome de uma moratória de 90 dias em que se preservou apenas a folha de pagamento dos comissionados e dos eletivos, e isso é apenas o começo.

Até mesmo para agir enquanto indutor do desenvolvimento o governo Richa não terá vida fácil. Pois isto implica no subsídio à áreas produtivas estratégicas que são claudicantes na realidade paranaense diante do complexo mercado. E, dada a articulação das correntes mais oligárquicas do Estado no apoio desde a campanha de Beto, tudo pende para subsídios para aqueles que já "nadam de costas além da arrebentação". Falar em mecanismos de distribuição de renda dentro deste governo será insanidade ou piada de mau gosto, o que é péssimo para o calejado trabalhador, para o pequeno e micro empresário, e para os pequenos e médio produtores.

Sem espaço de manobra em meio ao que há de mais travado em matéria de política provinciana, o desenvolvimento tende a ser matéria a ser descentralizada, bem como ações de segurança pública, saúde, e tantas outras áreas estratégicas. Ou seja, a única inovação possível em meio a tantos acordos com tradicionais correntes políticas patriarcalistas, patrimonialistas e clientelistas (além daquela canalha parasitária que é histórica no Estado) será transferir para os municípios parte da responsabilidade do Estado (administrativa, fiscal, política, etc). O problema é que, sem um projeto muito bem claro, progressista, e de longo prazo para o Estado, a simples descentralização favorece a perversa lógica de periferização dos municípios e supercentralização da capital. Além da necessidade de se incluir ainda mais caudilhos na política local.

Enfim, enquanto primeiras impressões, desejo a todos e todas um feliz 2015!

Ósculos e amplexos!