07 abril 2011

Uma Manhã Gloriosa, 2010: nada mais que um passatempo matinal.


O filme demora um pouco para engrenar. Muita verborragia de uma personagem inicialmente patética, "workaholic", e muitas cenas em que pouco ou em nada contribui para com o filme. E, tediosamente, uma piada ou outra, com também pouca ou nenhuma sofisticação, vai enrolando o filme até que finalmente, lá pela metade da película, a história começa de fato.

Não é uma obra fantástica e o risco de frustrar maiores espectativas é grande. Nem sequer de comédia romântica dá para chamar, pois há pouquíssimo romance ou qualquer elemento mais significativo do gênero. É apenas um filme para se assistir descompromissadamente. Para dar um "relax" após um estafante dia de trabalho.

Becky Fuller (Rachel McAdam) não convence nem como pateta, nem como uma competente produtora de TV. Aliás, importante lembrar que, apesar de lembrar nossos programas matinais, tanto o conceito de programa matinal quanto o de produtora de TV nos Estados Unidos é consideravelmente diferente. E, tanto para a realidade estadunidense quanto para a brasileira, Becky Fuller é fraquinha, fraquinha.

Agora, o filme reserva surpresas agradáveis. A dupla Diane Keaton e Harisson Ford não apenas salvam o jornal matinal, dão um pouco de cinema ao filme. Ford está um contraponto exato com o momento apelativo de puro desespero do enredo. Ele consegue ter um mau humor cômico. E Keaton, apesar das situações patéticas que sua personagem lhe colocou, está elegantíssima. O engraçadão "homem do tempo" possui uma vingancinha sobre ele do qual provoca a maior parte dos risos.

Agora, destaque negativo para Patrick Wilson. Ele apenas contribui para o enredo para dizer que o personagem de Ford é a terceira pessoa mais odiosa do mundo. Nem mesmo o romance com Fuller consegue empolgar.

Se não esperar profundidade, nem mesmo uma grande história, é um bom passatempo. Nada mais do que isso.

Ósculos e amplexos!

30 março 2011

Outdoor das entidades estudantis:

Alguém deu uma oportunidade a ele. E não foi a educação pública! Por 10% do PIB para a Educação, já!

28 março 2011

O discurso do Rei: redondo, mas um pouco irritante para a história


"O Discurso do Rei", 2010 (The King's Speech) [ING] Direção: Tom Hooper Elenco: Colin Firth, Helena Bonham Carter, Geoffrey Rush, Michael Gambon. Duração: 118 min Gênero: Drama

O filme é de uma plasticidade inigualável. A câmera parece tratar cada um dos personagens de maneira diferente e para cada situação de maneira diferente. E assim vamos nos angustiando com a gagueira de um nobre que está à beira de uma guerra e cujo seu papel de apaziguar nações inteiras depende de sua eloquência. E não para por aí. O filme ainda possui grandes cenas, sem cortes, que dá a medida certa para casa momento dramático.


Ao mesmo tempo, vemos na tela algumas mudanças que incomodam. O desprezo do nobre aos plebeus, que no começo é evidente, ao decorrer do filme desaparece. E não é devido a amizade ou a qualquer outro motivo. Ela simplesmente desaparece. Em um momento importante, o tema é resgatado pelos membros do clero, e o representante maior da nobreza se irrita com tudo, menos com a classe social de seu "clínico". Temos um Churchill abobalhado, exagerado. E olha que exagerar o exagerado Churchill é uma tarefa dificílima. E o "paizão" não convence mesmo! E, por fim, o trauma da chegada de mais uma guerra mundial passa longe. O medo de cortar a espinha é sublimado. E o discurso do rei, auge do filme, não passa nada da expectativa da guerra. Ah! E a renúncia à coroa do irmão do rei passa batido tão rapidamente que dá a impressão de que uma boa parte da história não foi contada para se chegar logo "ao trono".


O filme é bom, redondo, na medida certa. Tem uma boa história e o cinéfilo sai da sala se sentindo melhor. Até mesmo acredita que a família real inglesa é boazinha, que tem importância central para o mundo anglófono. Mesmo diante de um rei nervosinho, pavio curto, e até mesmo antipático para com seus súditos (pois ó superstar carismático é o irmão dele), dá para gostar dele e torcer por sua volta por cima.


Ósculos e amplexos!


22 março 2011

"Sexo sem Compromisso, 2011": amizade com privilégios.


"Sexo Sem Compromisso", 2011 (No Strings Attached) [EUA] - 111 minutos Comédia / Romance Direção: Ivan Reitman Roteiro: Elizabeth Meriwether e Michael Samonek Elenco: Natalie Portman, Ashton Kutcher, Kevin Kline, Cary Elwes, Greta Gerwig, Lake Bell, Olivia Thirby, Ludacris


O filme provavelmente passaria batido no Brasil se o próximo trabalho de sua protagonista, a linda e sensual Natalie Portman, não lhe rendesse o Oscar que lhe rendeu. E no oportunismo dos "homens espertos demais", "Sexo sem Compromisso, 2011" chega no Brasil em ordem inversa (foi feito antes de "Cisne Negro", mas chegou aqui depois). E nos revelou, infelizmente, mais uma comédia romântica com algumas, porém poucas, sacadas inteligentes.

Não deixa de ser um fato curioso que o tema provoque tanta euforia nos Estados Unidos. O que aqui no Brasil conhecemos como "Amizade Colorida" há tempos, lá provoca a imaginação puritana e a censura dos mais conservadores. Aqui talvez fertilizaria a imaginação dos mais novos, em processo de descoberta de suas primeiras paixões. Porém, o filme é inadequado para menores de 16 anos.

Em matéria de comédia romântica, gênero surrado e frequentemente ignorado pelos críticos, infelizmente o cinema atual decretou uma fórmula do qual quase todos do gênero seguem um mesmíssimo roteiro. Um ou uma pateta, uma situação de difícil solução, inconstância no tempo do filme, e final feliz - invariavelmente com a solução do conflito. "Sexo sem Compromisso" tem um Kutcher menos pateta do que o pateta usual do gênero, mas nem por isso menos pateta. Tem a parte Non Sense, que é protagonizada pelo sempre preciso Kevin Kline - que é o pai do protagonista, um "tiozão" que se envolve com a ex-namorada de Adam (Kutcher). Tem os amigos, tanto de Adam quanto de Emma (Portman), que rasgam bordões. E a grande sacada do "Mixtape Menstruation".

O filme arranca boas gargalhadas, além de encantar casais devido o clima romântico. Mas, infelizmente é mais um do mesmo: fraquinho, sem muitas inovações, altamente previsível e de "fácil digestão". Bom até mesmo para aqueles momentos de maiores solitudes (típicas de todo cinéfilo).

Ósculos e amplexos!

18 março 2011

Passe Livre, 2011: pastelão moralista.

Que tal receber um "passe livre" de uma semana de sua esposa? Pois é, também fiquei me perguntando: "prá quê?". Com um enredo fraco como esse, que não desafia os pudores nem mesmo de um menino de oito anos de idade, a chance do filme ser bom é nula. E como são ainda mais bobos os motivos: os maridos observam outras mulheres e grosseiramente dão bandeira, deixando as suas paranoicas.

A verborragia típica do mundo masculino é maltratada. Ela tem alguma graça somente quando os rapazes estão bêbados - e tão somente entre eles. No cinema, é chato, é cansativo, é bobo. As comédias de situação são previsíveis por demais. E os diretores não economizaram em apelar para a escatologia para arrancar algumas risadas - ou asco, como o nu frontal na cena da sauna que é de um mau gosto horripilante, além de preconceituosa ou quando se explora o sofrimento daquela que deseja parar de fumar e tem a mais grosseira de todas as cenas escatológicas que já vi no cinema.

O tom preconceituoso, o enredo moralista leva para um final sem graça, com a velha "moral da história". E o cinéfilo volta para casa com aquela sensação de tempo (e dinheiro) perdido.

Ósculos e amplexos!

Rango, 2011: uma homenagem de qualidade ao western.


- Atenção: contém spoilers -

Brincadeiras com atributos antropomorfos de certos animais já viraram rotina para muita coisa. No cinema, então, já estamos acostumados com um urso comilão, com gatos preguiçosos, e burros nada espertos. E que tal um camaleão com problema de identidade? E assim está composta a psiquê de um bom personagem.

O heroi surge na tela de maneira patética: dentro de um aquário onde interpreta um ator - outro trocadilho ótimo para um camaleão. Contracena com uma boneca, ou melhor, com o tronco e um braço de uma boneca, um "peixe de corda", um inseto morto, e com o cenário. A vida quadrada, outro trocadilho, tem a cara de Rango. As comparações, os trocadilhos, serão uma constante em todo o filme. E da patética vidinha em aquário, veremos um personagem crescer junto com a história. Como um excelente filme de "faroeste" deve ser.

Do "teatro" para as telas, a homenagem ao estilo "bang-bang" vai crescendo em Rango. Após o acidente, nos vemos em meio ao cenário de Win Wenders de "Paris, Texas, 1984" - que em minha opinião, definiria como o faoreste retornaria em tempos mais atuais.E assim, outra constante: a graça e o bom gosto vai sendo demonstrado a cada segundo enquanto o filme passa pelos cenários e situações comuns ao gênero western.

Não dá para falar da homenagem sem falar de suas referências. Do xerife "quase" honrado, da frágil dama que tem que ser durona em busca de justiça, pistoleiros de rápido gatilho, o índio rastreador (aliás, senti-me em meio à diligência que perseguiu Butch Cassidy e Sundance Kid), o "saloon", saqueadores, o impacto da chegada do forasteiro como em "Por um Punhado de Dólares, 1964" e o bigodinho de Lee Van Cleef em uma temerosa serpente mojave de arrepiar.

A homenagem não possui referências apenas do gênero. Ele brinca, por exemplo, com Jerry Lewis, reproduzindo a cena do encontro de Lewis com George Raft em "O Terror das Mulheres, 1969" quando, apavorado, vai se complicando a cada nova tentativa de limpar o rosto do bandido. Também com "Senhor dos Anéis" e "Star Wars" - que para muitos são "westerns" medieval e espacial, respectivamente. Aliás, chega a ser um marco a batalha à "Star Wars" com A Cavalgada das Valquírias, de Wagner, tocada por banjos. Aliás, falando em trilha sonora, as corujinhas fazem uma homenagem à altura de Morricone e Tiomkim que os deixariam orgulhosos.

A dramaticidade, o crescente, as quebras repentinas de continuidade, os exageros, enfim cada coisa desprende um aroma de puro western. Mas, assim como Western não é filme apenas para "vovô", a animação não é filme apenas para os netinhos. Olhar para o filme de com um ou outro preconceito será sinônimo de decepção, com toda a certeza.

Até mesmo os pontos negativos do filme são típicos de um bom "faroeste": custa entrar na história, a ação demora para aconter, enredo irritantemente simples e dependente das expressões dos personagens. Além disso, é uma brincadeira de metalinguagem cinematográfica. Ou seja, para iniciados ao gênero. Sem isso, o filme se torna entediante, pois não tem nem piadinha fácil - daquelas que sacrificam o roteiro em busca da graça que não tem.

Ósculos e amplexos!

PS* Uma curiosidade: cada resenha ou crítica que vejo sobre o filme, noto uma criatividade dos críticos quanto ao porquê do nome "Rango". Misturam "Django", "Jivago", e tantos outros nomes de forma bastante criativa mesmo! O mais interessante é que o próprio filme dá uma pista: em uma garrafa, nosso cameleão cobre parte da palavra DURANGO ... e voilá: tem-se (Du) Rango (Kid).

17 março 2011

Biutiful, 2010: a morte é linda!



Pensem em uma abordagem sobre a miséria de uma vida feita de maneira monótona mesmo diante de uma que possuía tudo para ser das mais agitadas. Misture com uma visita a uma Barcelona feia, suja, sem nenhum glamour: a Barcelona dos trabalhadores ilegais, das prostitutas, da malandragem. Pensem em um personagem no qual o espectador irá alimentar simultaneamente repulsa e dó por ele. Pensem em um filme do qual não dá trégua nenhum segundo sequer. Isto é Biutiful.
Gostar ou não do filme realmente não importa, ele é bom e pronto. O problema é que retratar a vida (ou a morte) tão de perto não é coisa que queremos ver no cinema. Ainda mais que estamos acostumados com a vidinha besta dos personagens hollywoodianos. Quando nos deparamos com alguém que urina sangue, vamos sentindo dores junto. E isto é o que fez tantos críticos e cinéfilos torcerem o nariz para este filme. Mas, para quem assistiu 21 gramas e Babel não esperaria outra coisa do diretor Iñarritu senão algo intenso, um capítulo de um imenso tratado sobre a morte e a miséria da vida.
Não há interrupção na obscuridade que o filme se propõe relatar. E o roteiro é solto como a vida. O drama é construído no tempo em que as coisas acontecem: desgraças em doses diárias e pequenas, que vão agudizando a dor do protagonista ou do que está vivo. Não se sabe quem é mais desgraçado. E ao fim, saímos do cinema sem saber se foi uma sessão sobre amores, morte, endermidades ou miséria. Tudo gira ao redor de Bardem, que mesmo sem maiores expressões, está pra lá de convincente. Mas os coadjuvantes estão equilibradíssimos (em seus desequilíbrios). Com destaque para as crianças.
Na medida em que vemos a vida de Uxbal (Bardem) se esvaindo, vamos vendo como a morte pode ser linda, ou Biutiful.

Ósculos e amplexos!

16 março 2011

Besouro Verde: ruim como a série.

Antes de analisar o filme, um momento de reflexão histórica. . .

"Batman, 1989" e "Batman: o cavaleiro das trevas, 2009" são exceções maravilhosas no histórico de adaptações de super-herois para o cinema. Em geral, os filmes costumam ser ora bobos, ora simplesmente horríveis de assistir. O próprio Batman padeceu desse mal nos filmes seguintes, piorando cada vez mais e mais.

Uma boa explicação é a de que a história do heroi às vezes é mais importante do que vê-lo em ação. Para os fiéis fãs de Histórias em Quadrinhos, o enredo é vital - somente a pancadaria deixa a história chata e imediatamente irrelevante. Ao mesmo tempo, na hora em que a pancadaria é inevitável, história boa é aquela em que dá para sentir medo do vilão e impressionar-se com a fúria do mocinho. E, se este frágil equilíbrio é de uma dificuldade imensa para HQs, para o cinema então é para grandes mestres.

Os citados filmes do Batman acima são produções que agradaram tanto cinéfilos quanto fãs de HQs. Possui o equilíbrio perfeito. Uma história convincente. Um enredo de qualidade. Um vilão de dar medo. E uma pancadaria de primeira categoria quando se faz necessário. E até mesmo algumas polêmicas, como a morte do Curinga no filme de 1989, contribuíram para fazer deles um marco para o estilo "super-herois" no cinema.

Se você está se perguntando qual o motivo de eu tanto falar em Batman e necas do Besouro Verde, a explicação vem agora.

Besouro Verde pertence ao imaginário dos mais antigos devido às aparições da dupla Besouro e Kato em outra série, também de uma dupla: Batman e Robin. Na época, década de 1960, a FOX resgatou um antigo sucesso do rádio para concorrer com Batman, mas que foi um fracasso de audiência. Ainda assim, devido a febre que foi a série de Batman e Robin, o primeiro ano de Besouro Verde teve 26 episódios, todos um fracasso e tanto. Insistente, a FOX começou a fazer "crossovers" de Besouro Verde em episódios de Batman. Mas, nem isso salvou o fracassado heroi.

E a comparação não pode parar por aí. Britt Reid é rico, mas talvez não tanto quanto Bruce Wayne. Possui um parceiro bom de briga, mas nem tão parceiro quanto Robin. Tinha o Beleza Negra, que era um carro muito legal, mas nem tão legal quanto o Bat-móvel. E seu filme anos depois não poderia ter outro resultado: não é tão legal quanto os do Batman.

Para os mais novos então a coisa é pior. Há um certo carinho pelo personagem graças a um outro filme: "Dragão: a história de Bruce Lee, 1993". Neste filme, há uma inverdade, há uma "mentirinha" que acabam vendendo no filme: a de que Besouro Verde foi um sucesso nos Estados Unidos antes da série se chamar Kato em Hong Kong.

Enfim, o filme Besouro Verde, 2010, tinha tudo para ser ruim e nisto não decepciona. É ruim mesmo. Britt Reid (Seth Rogen) é interpretado por um ator que somente foi convincente em sua carreira fazendo personagem de "eterno chapado". Outra dificuldade imensa é a superação do mito Bruce Lee. E não dá outra: o filme não consegue e Kato (Jay Chou) é um bobalhão bom de briga. E o filme comete outras sacanagens. Ele mata Mike Axford, personagem que distorcia as histórias do Besouro Verde, fazendo do heroi um bandido nos jornais para colocar a linda e, para o filme, desnecessária Cameron Diaz (o nome da personagem é o de menos, pois colocaram Diaz no filme para "valer" o ingresso). Isso sem falar no bandido, que não dá medo em ninguém e o próprio filme tira onda dele. Ah! E os efeitos 3D são desnecessários, não contribuindo em absolutamente nada o filme inteiro.

Ósculos e amplexos!

Vamos falar de cinema: salas de Curitiba [2]


[continuando]

CINE AGUA VERDE: é um resistente no que diz respeito ao antigo conceito de cinema e justamente por isso é bastante obsoleto. A tela é pequena, o som não é dos melhores, e as poltronas são muito desconfortáveis. Apesar de ser uma sala de cinema em um shopping, ele é antigo e não soube muito bem se adaptar às mudanças. Também não é nenhum diferencial quanto ao que exibe, insistindo em passar blockbusters que estão em cartaz em todos os shoppings. E seu ingresso é caro diante de tantos pontos negativos.

CINEPLUS JARDIM DAS AMÉRICAS: O shopping parece ter sido feito para atender exclusivamente estudante universitario e da UFPR. Ao lado da cidade universitária, seu acesso é um bocado confuso, mas o cinema é suficiente para atender seu público. Salas que dificilmente lotam, mas que também dificilmente está vazia. Bastante juventude, mas que sabe se comportar. Limpeza razoável. Funcionários, explorados "até o talo" em numero suficiente. Um preço de ingresso bastante atraente e filmes que recentemente saíram de cartaz completam o quadro de um cinema excelente para dar uma relaxada depois de uma maratona de estudos. Como geralmente estudante está na pindaíba, tem pouco barulhinho irritante de pipoca.

CINESYSTEM CIDADE: Perca o preconceito de classe no Shopping Cidade. O shopping atende a população do Boqueirão, bairro que de tão populoso parece uma cidade. E a sua maioria esmagadora de clientes é a de trabalhadores e filhos de trabalhadores de classes média e média-baixa. O cinema é da rede Cinesytem, pioneira no conceito de salas de cinema em shopping. E como toda pioneiria tem cheiro de rústico, o cinema tem um pouco disso também. Mas é badalado como o Müeller, mas com uma juventude bem mais educada e não se vê muita sujeira. Peca, porém, por insistir nos blockbusters e peca ainda mais por ter um dos mais baratos sacos de pipoca da cidade.

CINESYSTEM CURITIBA: Outro cinema bastante obsoleto. Por ser um dos primeiros, mesmo após as reformas, tem tela pequena e bancos muito desconfortáveis. O ângulo de visão para a tela é péssima. E as salas costumam lotar em quase todas as sessões nos dias mais agitados. O preço do ingresso é camarada, mas há uma certa cara feia quando se apresenta carteirinha de estudante. O cinema é bastante sujinho, devido a visível insuficiência de funcionários (que também são explorados até o talo). O corredor de acesso para as salas são clautrofóbicas.

IMAX THEATRE: Chega a ser um absurdo o tamanho de sua tela. Eu, que sou daqueles que gosta de assistir a sessão bem pertinho da telona, no IMAX me rendi a sentar-me mais ao fundo. É grande mesmo! E justamente nisto é que está seu maior problema. Se um personagem senta-se em uma cadeira e dialoga com outro sentado do outro lado de uma mesa, você é obrigado a olhar para um de cada vez e virando a cabeça como se assistisse a uma partida de tênis. A acústica é de assustar e somado com um poderoso sistema de som, as cadeiras tremem a cada explosão e também a cada sussurro da mocinha da história. Mas, como são desconfortáveis! Devido a todo este exagero todo, o óculos 3D não vence e você assiste quase o filme inteiro com distorções irritantes. Ao mesmo tempo, porém, a profundidade do pouco que o óculos consegue captar é abismal. Cinema exagerado, pede filmes exagerados. E como quase sempre o exagero não é bom, seria um exagero de minha parte continuar a opiniar sobre esta sala.

UCI ESTAÇÃO: Depois da reforma, a entrada se tornou mais aconchegante, exceto pela bombonière (que de bom, só a maldita pipoca - docinhos velhos, refrigerantes "descalibrados", e tudo muito caro). Tem assento demarcado, o que faz com que a fila demore ainda mais para andar ao mesmo tempo em que dá garantias de que você não terá que se sentar na escadaria nos dias de maior movimento. Tem um público barulhento e por vezes mal educado. Muito burburinho, muita pipoca, e muita gente. Dentro do cinema, é uma sala da UCI como todas as outras. Suficiente e principal concorrente da Cinemark.

UCI PALLADIUM, CINESYSTEM TOTAL, e CINEPLUS XAXIM: ainda não tive a oportunidade de conhecê-los.

Vamos falar de cinema: salas de Curitiba [1]


Não há como passar em frente e não lastimar que alí havia um cinema. No gigante Cine São João assisti meu primeiro filme (A História sem Fim, 1984) e que desde então só tenho alimentado essa paixão pelo cinema. Hoje, o antigo gigante é uma minúscula portinha de um cineminha pixulé e que só passa filme pornô - e que me recuso a entrar, apesar da curiosidade em saber se lá dentro as coisas também sofreram maiores intervenções. O mesmo rumo teve os cines Lido1 e Lido2, onde passavam os blockbusters que marcaram a geração "coca-cola" dos anos 90. Quando não se entregaram para a exibição de pornografias, os cinemas curitibanos se transformaram em igrejas. Até mesmo os "cabeças", da Fundação Cultural de Curitiba, como o cine Luz e o Ritz hoje são passado.

Meu pai muito me falava da Cinelândia Curitibana, que conheci na década de 1980 já em decadência. Era composta pelos "cines" São João, Astor (que naufragou junto com o Titanic, 1997), Condor, Lido(s), Plaza, Bristol, e Avenida. Ao longo da década de 1990 o glamour das salas de cinema foi se perdendo de vez: aos poucos iam se transformando em bingos. E com a chegada do Shopping Curitiba, veio a modernidade: as salas de cinema em Shopping.

Na verdade, as salas de cinema em shopping não foi bem assim uma novidade, pois no Shopping Itália havia o cine Itália e o Palace Itália (que ficava na cobertura do arranha-céu do CCI, e que passavam os melhores filmes de terror e à meia-noite), e no Shopping Água Verde até hoje sobrevivem os cines Água Verde (1 e 2). Mas o conceito de sala de cinema que virou coqueluche no Brasil veio com o Shopping Curitiba e logo após com o Crystal e o atual Estação. Depois disso, nunca mais o cinema curitibano foi o mesmo.

Perdemos muito em glamour, ganhamos em qualidade e rotatividade de filmes. Perdemos o ritual que se era necessário para assistir a um filme, ganhamos em segurança (somos assaltados agora pelo preço dos ingressos, mas não mais por punguistas na fila). Entre ônus e bônus, segue abaixo minha avaliação das salas de cinema de Curitiba.

CINEMARK MÜELLER: apesar desse shopping ter perdido seu título de mais luxuoso de Curitiba, continua sendo o principal shopping da juventude curitibana. Talvez somente o Estação consegue reunir tamanha juventude. E isso faz com que você assista em uma sala da rede Cinemark (que é idêntica em qualquer lugar) com um montão de joves sempre. E, talvez pela agitação da idade e da necessidade de auto-afirmação de alguns mais empolgados, paz e tranquilidade é coisa impossível. Tem também uma limpeza que deixa bastante a desejar, assim como o atendimento - fruto de um visível número insuficiente de funcionários explorados "até o talo".

CINEMARK BARIGÜI: como todo Cinemark, é idêntico ao do Müeller inclusive na visível insuficiência de funcionários. Porém, por ser no atual shopping mais luxuoso da cidade, tem-se um público bastante complicado e com "tipinhos" cansativos de se aturar. Explico: não houve uma vez sequer que eu fui lá e não vi alguém dando escândalo na fila do ingresso por algum motivo bobo sequer. Não houve uma vez sequer que eu fui lá e não vi pelo menos uma vez alguém em um poderoso telefone no meio da sessão. E tive que me render ao barulho enlouquecedor da pipoca, pois o pessoal lá come pipoca como se não houvesse o amanhã. Por outro lado, a rotatividade de filmes lá é interessante, e muito do que já saiu de cartaz ainda resiste por lá.

Unibanco Crystal: não é o mais luxuoso, mas é o shopping mais requintado no que diz respeito ao seu público. É o shopping da semana de moda de Curitiba e está localizado em um dos bairros mais charmosos de Curitiba. Seu cinema tem um público mais "cabeça" e sua estrutura é suficiente para os mais cinéfilos. Mas, por ser antigo, peca na estrutura em diversos pontos. A tela não é das maiores e os bancos são um pouco desconfortáveis, ambos comparados, por exemplo, ao cinemark (que possui a melhor relação Tela e Poltrona das salas de cinema). Seu ingresso possui um precinho justo e o número de funcionários, também explorados "até o talo" pelo menos é suficiente.

Shopping Novo Batel - Creio que está para nascer shopping mais charmoso que o NovoBatel. Ao lado do Crystal, possui porém um público consideravelmente diferente: a ausência de público. Você se sente um pouco solitário lá dentro. E a depressão se aprofunda na medida em que vai descendo as escadas rumo a bilheteria. E termina por ser enterrado em uma sala com estrutura fraquinha e bastante insuficiente até mesmo para os poucos exigentes. O lado bom é que o irritante barulhinho da pipoca inexiste.

[continua]